Antônio Pereira

3 de fevereiro de 2021

Militares no poder: um desastre anunciado desde 1964

Conhecido como um integrante do chamado baixo clero do Congresso Nacional, agrupamento de parlamentares com pouca ou nenhuma expressão, Jair Bolsonaro foi alçado ao cargo de presidente depois de uma série de ações que tiveram início com a retirada do poder da presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Ao chegar a cadeira de presidente da República, Bolsonaro, que tinha como principal atuação uma nebulosa relação de rachadinhas com assessores dele e dos filhos, passou a ser o mandatário do país, mesmo sem ter a menor competência para tal posto.

Como tinha que indicar ministros e milhares de outros cargos na grande máquina pública do governo federal, o ex-militar procurou seus ex-colegas de farda para as missões, o que está se transformando em um grande fracasso administrativo, tendo como ‘estrela da incompetência’, o ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello.

Os muitos militares em altos cargos demonstram o que já sabíamos desde o golpe militar de 1964, quando o país foi destruído e devassado, resultando em um histórico de hiperinflação, desemprego em massa e miséria em todos os cantos do país. Isso sem falar nos inúmeros projetos desastrosos, como o caso da Transamazônica, obra faraônica que até hoje está incompleta e cheia de buracos, literalmente.

Bolsonaro e sua turma verde-oliva só confirma o que muitos alertavam: os militares são a prova viva da incompetência e arrogância, misturados com intricados mecanismos de corrupção, vide a contratação do Exército para produzir milhões de capsulas de cloroquina, mesmo todo o mundo científico avisando que não tem o menor efeito para evitar ou controlar o coronavírus. Resultado: o Brasil tem milhões de caixas desse remédio, sem eficácia e com milhões de reais jogados fora.

Outro ponto que chama a atenção no governo do ex-mililtar Jair Bolsonaro é a sua sede em demonstrar poder diante de outros militares. Em recente levantamento foi identificado 16 generais do Exército, 4 brigadeiros da Aeronáutica e 1 almirante da Marinha exonerados de cargos civis no governo, já a partir do quarto mês da gestão de Bolsonaro. Atualmente temos 6.157 militares da ativa e da reserva ocupando cargos no governo Bolsonaro.

Agora, com a chegada em massa dos parlamentares do centrão com sede de cargos, Bolsonaro terá que usar como nunca sua caneta bic para exonerar militares e colocar apadrinhados políticos dos seus ex-colegas de baixo clero. Vai ser um festa às avessas.