Antônio Pereira

11 de abril de 2021

Com um ‘terrivelmente evangélico’, Bolsonaro deve avacalhar de vez o STF

Avacalhar

Verbo
INFORMAL – BRASILEIRISMO
  1. 1. – transitivo direto e pronominal
    fazer (-se) digno de escárnio; desmoralizar (-se), ridicularizar (-se).
    Semelhantes : aviltar, abaixar, acanalhar, achincalhar, degradar, depreciar, desacreditar
Com a saída do ministro Marco Aurélio Mello do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro terá o poder de indicar seu segundo ministro na mais importante corte judiciária do país. A primeira indicação de Bolsonaro foi de Kássio Nunes Marques, que já deu importantes passos para passar para a história como um ministro sintonizado com o bolsonarismo e fazer tudo o que o presidente desejar dele no STF. Assim, Kássio deu voto favorável a realização de cultos religiosos abertos, apesar do país já ter ultrapassado a marca de mais de 350 mil mortes pela Covid-19. Voto que foi comemorado por Bolsonaro. Só faltou o presidente dizer: ‘meu garoto’.
O próximo passo de Bolsonaro será nomear seu segundo ministro no STF em junho do próximo ano com a vaga deixada pelo ministro Marco Aurélio Mello.
Em pânico, o mundo jurídico teme que Bolsonaro indique o atual Advogado-Geral da União, o pastor da Igreja Presbiteriana, André Mendonça, considerado o mais bolsonarista dos bolsonaristas. O pânico dos operadores do direito se justifica por conta das ações que Mendonça tomou quando foi ministro da Justiça, mandando a Polícia Federal investigar opositores do presidente pelo simples fato de tecerem comentários nas redes sociais que desagradaram o mandatário do Planalto. André Mendonça também deixou todos boquiabertos ao defender a abertura dos cultos religiosos utilizando citações da bíblia e não da Constituição.
Bolsonaro já deu declarações de que pretende indicar alguém ‘terrivelmente evangélico’ como ministro do Supremo Tribunal Federal e ninguém se encaixa mais nesse papel do que André Mendonça.
A possível indicação de Mendonça para o STF fez com que ministros atuais da corte corressem para os líderes partidários do Congresso Nacional, na intenção de demover o presidente de tal indicação. Os próprios advogados federais da AGU já ensaiam um abaixo-assinado contra a indicação de Mendonça. Há inclusive um estudo para que seja aprovado uma lei que impeça a indicação de membros da AGU ou da Procuradoria Geral da República (PGR) sem antes passarem por um período de quarentena judicial.
Não custa lembrar que o Supremo Tribunal Federal é, em tese, o guardião da Constituição e tem peso máximo no Brasil, capaz de dar aval para o afastamento de presidente, ministros e outras atribuições de grande importância. Cabe ao STF tomar decisões em última instância sobre questões constitucionais. Portanto, uma indicação de alguém tão fortemente vinculado com religião e política, pode desencadear decisões as mais estapafúrdias possíveis, transformando nossa suprema corte em algo avacalhado.