Antônio Pereira

10 de abril de 2021

Brigando com o Supremo, acuado pelo Centrão e perdendo popularidade, Bolsonaro está cada vez mais isolado

As agressões verbais proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso depois que o magistrado autorizou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o governo do ex-militar durante a pandemia, acende um luz bem amarela para o atual morador do Palácio do Planalto.

Bolsonaro com seu jeito tosco de ser vem arrumando inimigos poderosos a cada dia, o que pode levá-lo ao cadafalso da derrota completa com mais um impeachment pela frente na história do Brasil.

O ex-tenente que se tornou capitão ao ser colocado para fora do Exército Brasileiro não tem tido dias fáceis como ele costumava ter anteriormente. Agora, Bolsonaro junta cada vez mais gente contra ele e seu atabalhoado governo que já teve dezenas de mudanças de ministros e fortes embates internos e externos.

Não canso de escrever aqui que Bolsonaro passará para a história como o pior presidente que este país de clima tropical já teve o desprazer de conhecer. Suas atitudes refletem o desespero de quem vê o chão se abrir num buraco sem fim.

Até mesmo o tão decantado apoio dos militares parece distante agora diante da sessão de desmoralização coletiva que Bolsonaro fez passar dois generais, um almirante e um brigadeiro, demitindo-os sumariamente, alguns pelo telefone. Uma crise completa nas três armas das forças que o ajudaram a chegar até o Planalto.

A aventura bolsonarista no Brasil dá mostras de ser um completo desastre anunciando. Não foi por falta de aviso, pois em toda a vida política de Jair Bolsonaro lá estavam os avisos. Todos sabiam o que ele representava de destruição, de pensamento retrógrado, amador e totalmente infantilizado em algumas questões básicas.

O governo do capitão tem uma crise a cada 24 horas. Um absurdo administrativo, onde quem mais sofre são os pobres, muitos desempregados exatamente porque o capitão reformado não quis tomar as medidas necessárias que todo o mundo está tomando para minimizar os efeitos da pandemia. Bolsonaro fez pior: ele próprio virou uma espécie de garoto-propaganda de remédios ineficazes contra a doença, muitos que levaram à morte pelos seus efeitos colaterais em pessoas que têm doenças renais e outras patologias. Ele também proibiu a compra de vacinas no tempo necessário para que agora pudéssemos estar com a maior parte da população imunizada e, possivelmente, abrindo a economia, comércio e todas as atividades de forma segura.

A impopularidade do presidente é latente em cada rua, cidade e roda de conversa. Todos, mesmo aqueles que um dia tiveram a sandice de apertar 17 na urna eletrônica, agora se lamentam, num arrependimento tardio de quem contribuiu para colocar no poder alguém que tem nas costas parte das quase 350 mil mortes.

Algo precisa ser feito urgentemente para que despertemos deste pesadelo sem fim. O governo Bolsonaro não serve, é nocivo e precisa acabar. Cabe agora o STF, o Congresso e a sociedade civil organizada unirem forças para, nos tramites democráticos, ceifar esse sofrimento. Acabar com essa dor permanente. O Brasil precisa voltar a sorrir de novo. Precisamos dissipar essa nuvem carregada que se abateu sobre nós. O momento urge ação.