Ailton Villanova

5 de novembro de 2019

COMPUTADOR MENTIROSO

MarIa Marinalda – Naldinha para os mais chegados -, é uma lourinha cujo corpo é do tipo capaz de arrepiar até cabelo de estátua. Depois de mais de dois anos desempregada, ela finalmente conseguiu um emprego de secretária no escritório de conhecida empresa do ramo de importados, localizada na parte mais bacana do bairro Jaraguá. Assim que ela chegou lá, pro primeiro dia de trabalho, doutor Epistáxio, o chefão, derreteu-se todo. Apresentou-lhe um microcomputador moderníssimo e disse, em tom melífluo:

– Você vai trabalhar com essa maquinha aqui, tá vendo meu anjo? Suas lindas mãozinhas merecem coisa desse tipo.

E ela, pescando os olhinhos:

– Esse negócio é um computador, não é?

– É, minha queridinha, é!

– E como é que eu faço pra mexer com ele?

Pacientemente, o chefão ensinou tudo a respeito do manuseio do computador pra gostosura, e imediatamente ela começou a operar a máquina, na base do “cata milho”. Daí a pouco, ela se levantou e foi até a porta. Abriu-a e disse:

– Sim?

Como não havia ninguém, Naldinha retornou à sua mesa de trabalho. Cinco minutos depois, aconteceu a mesma coisa. Ela se levantou, foi até a porta, não encontrou ninguém e voltou pro seu lugar. A lourinha ficou fazendo isso a tarde inteira, até que doutor , Epistáxio perdeu a paciência:

– Ô minha filha, desse jeito você não vai conseguir se concentrar. O que está acontecendo?

E ela, agastada:

– A culpa é desse computador mentiroso, doutor . Eu estou trabalhando aqui sossegada e a toda hora ele diz: “Mensagem no portal para você!”

Pra quê supositório?

Jotajó, aquele sujeito inteligentíssimo conhecido de todos nós, pegou uma gripe lascada, que lhe afetou as amígdalas. Aí, o orientaram procurar o doutor Arthur Gomes Neto, na Santa Casa. Ele foi lá, e o emérito esculápio prescreveu um remédio recém lançado no mercado. Jotajó dirigiu-se até a farmácia mais próxima, apresentou a receita ao rapaz que atendia ao balcão, este providenciou o medicamento e comentou:

– Esses supositórios são milagrosos. Seu efeito é muito rápido.

Jotajó pegou o remédio, agradeceu, girou nos gadanhos e levou as duas caixas prescritas. Dois dias depois, voltou à farmácia e pediu mais duas caixas do tal supositório. Mais dois dias, outras duas. Intrigado, o farmacista observou:

– Ô meu amigo, eu nunca vi alguém precisar de tanto supositório assim! Até parece que o senhor os está tomando feito comprimidos…

E Jotajó, cheio de malcriação:

– E por acaso você queria que eu enfiasse eles no rabo?

 

Comida pra hoje, só amanhã!

 

Mal desceu do ônibus na rodoviária, sertanejo Aflaudísio Serafim correu até a lanchonete da praça de alimentação e pediu um refrigerante ao balconista, acrescentando:

– Me dê também um bolinho.

O balconista respondeu:

– O guaraná tudo bem, mas o bolinho não é de hoje.

– Então, me dê uma coxinha.

– A coxinha também é de ontem.

– Nesse caso, eu quero um espetinho daqueles alí…

– O espetinho é igualmente de ontem.

Já nervoso, Aflaudísio fez o último pedido:

– Como é que eu faço para comer alguma coisa de hoje?

E o balconista:

– Passe aqui amanhã.

 

Perdedor eterno

 

Corintiano roxo, o fotógrafo Jandiro Peroba só tinha ido à missa uma vez na vida, justo no dia em que fez a primeira comunhão. Dezenas de anos depois, face a insistência do amigo Anterlúbio Brandão, resolveu comparecer a igreja para assistir ao sobredito ofício religioso. A certa altura da celebração, o padre pegou a Bíblia e começou:

– Caríssimos irmãos, hoje nós vamos meditar sobre a leitura evangélica extraída de Coríntios 1, versículo 2.

Desolado, o corintiano cochichou pro amigo:

– Nosso time tá mal mesmo, hein Brandão? Tá perdendo até na Bíblia!

 

 

Tudo falso na casa

 

Aproveitando a ausência dos patrões, que foram viajar, a empregada doméstica Maria Jorásia pegou a o telefone e ligou para a amigona Nivalda, e lascou o pau a fofocar:

– Menina, não tem conto! Aqui na mansão onde eu estou trabalhando, é tudo fachada!

– Não diga, neguinha!

– Digo. Nada aqui é dos patrões… É tudo emprestado!

– É meeesssmo?!

– É, sim. A roupa que o patrão usa é de um tal de Armani… A gravata é de um cara chamado Pierre Cardan… o carro é de uma mulher chamada Mercedes… Nada é deles!

– Meu padrinho Cícero! Que pobreza!

– E o pior de tudo você não sabe ainda, Nivalda! Outro dia, o patrão tava no telefone, falando que tinha um Picasso. Pura mentira, mulher! É pequenininho de dar pena! Eu já ví!

 

 

Garçom prevenido

 

O cara entrou no restaurante Brasil, que fica naquela pedaço encardido chamado Brejal, encarou o garçom Zé Benedito e determinou:

– Ô meu! Me traz aí uma feijoada completa!

– Pois não, colega. São quinze reais. Pagamento adiantado. – avisou o garçom.

– O quê? Vou ter que pagar a feijoada antes de comê-la? Que sacanagem é essa, meu chapa?

– Olha, é que essa feijoada de hoje… não sei não, viu?