Ailton Villanova

14 de setembro de 2019

Vingança malígna!

Sujeito pintoso, solteirão e cheio de luxo, o Fidergaldo Balmásio era chegado a uma conquista amorosa. Dono de um escritório de representações comerciais, ele costumava rangar nos melhores restaurantes da cidade, só para aparecer perante o mulherio. Certa feita, de posse de um convite para o jantar de inauguração de um restaurante finório localizado na orla marítima, Fidergaldo compareceu ao evento vestindo o seu melhor terno, e todo perfumado.

O cara ocupou uma mesa de destaque e, assim que passou uma vista de olhos pelo ambiente repleto de gente graúda, ele notou a presença de uma tremenda gata, sentada sozinha em outra mesa. Aí, não perdeu tempo: aproximou-se da garota e, muito educadamente, expressou-se:

– Me perdoe, senhorita, não quero parecer atrevido, mas não pude deixar de notá-la. Será que posso sentar um instante?

Sem mais, nem menos, ela começou a gritar:

– O QUÊ? IR PRO MOTEL COM VOCÊ? FICOU DOIDO? EU NEM O CONHEÇO!

Sem entender nada, morrendo de vergonha, Fidergaldo voltou de mansinho pro seu canto, debaixo do olhar de reprovação de todo o restaurante.

Daí a pouco, a garota se levantou e foi falar com ele, bem baixinho:

– O senhor queira me desculpar! Acontece que eu estou defendendo uma tese em Psicologia sobre a relação de grupos humanos em situações inusitadas. Foi apenas um teste para minha pesquisa…

Aparentando indignação, Fidergaldo respondeu num tom bastante alto para todos no restaurante escutar:

– COMO? DOIS MIL REAIS PARA EU IR PRA CAMA COM VOCÊ?! E VOCÊ VALE ISSO?PAGO NADA! FICOU MALUCA, MULHER?

 

 

Um cliente poderoso

 

Um sujeito de nariz empinado entrou na agência bancária carregando uma pasta enorme, mais parecendo uma valise, e se pôs na fila, resmungando pra cacete. Depois de um tempão de espera, ele, finalmente, chegou à boca do caixa, cheio de direito.

– Merda de banco! – desabafou.

A moça do caixa perguntou:

– Que foi o que o senhor disse?

E o cara:

– Deixe de conversa mole e faça logo essa porra de depósito, sua filha da puta!

Chocadíssima com o comportamento do indivíduo, a caixa chamou o gerente e expôs o caso. O gerente quís saber o valor do depósito e a moça respondeu:

– Vinte milhões, mas…

O gerente interrompeu:

– Faz logo essa bosta de depósito, sua filha da puta!

 

 

Defunto machão

 

No Serviço de Verificação de Óbito – SVO -, o funcionário preenche a papeleta indispensável a expedição do atestado respectivo do defunto que acabara de dar entrada naquele órgão. Ao confirmar com a viúva a “causa mortis” do inditoso, ela respondeu:

– Pode pôr gonorréia.

O funcionário estranhou:

– Mas… não foi diarréia?

– É… mas eu prefiro que ele seja lembrado como um grande garanhão do que como um grande cagão…

 

 

Um pedreiro de sorte!

 

O telefone tocou na residência do pedreiro Eustórgio Barros. Sua mulher atendeu e ele, no meio do serviço, falou ofegante:

– Amaralina! É a Amaralina?

E ela:

– Sou eu mesma, Torginho! Quê que foi?

– Você nem queira saber, minha nega! Escapei de uma boa! Caí de uma escada de mais de quinze metros.

– Ai, meu Deus! E você tá muito machucado?

– Nem um pouquinho. Eu tava no segundo degrau.

 

 

Os comilões da paróquia

 

O vigário e o sacristão eram os dois maiores garanhões daquela cidadezinha interiorana. Cada um se gabava de ter traçado

mais paroquianas que o outro.

Um dia, para tirar a limpo, o padre propôs ao sacristão:

– Domingo, depois da missa, a gente fica na porta da igreja. Cada mulher que a gente já tiver comido, a gente fala “Ave!” quando ela passar, combinado?

O sacristão topou. No domingo, depois da missa, os dois se plantaram na porta da igreja. Passou a mulher do prefeito:

– Ave! – disse o padre.

– Ave! – repetiu o sacristão.

Passou a mulher do delegado.

– Ave! – disse um.

– Ave! – falou o outro.

Passou a enfermeira do posto de saúde.

– Ave!

– Ave!

Passou toda a mulherada, e os dois só repetindo “Ave” sem parar.

No final, os dois se entreolharam, satisfeitos. Então, o sacristão comentou:

– É, padre! Parece que nesta cidade, tirando a minha mãe e a minha irmã…

E o reverendo:

– Ave! Ave!

 

 

Um tio superlativo

 

Durante o recreio, alguns garotos conversavam no pátio da escola. Dizia um:

– Meu tio é vigário, e todos o chamam de “Reverendo” – disse o primeiro.

– Pois o meu é cardeal e todo mundo o trata por “Eminência” – rebateu o segundo.

– Isso não é nada – comentou o terceiro. – Meu tio pesa 250 quilos e todo mundo que o vê, exclama: “Meu Deus!”

 

Com Diego Villanova