Ailton Villanova

2 de junho de 2018

UM TROÇO CHAMADO CASAMENTO

Guerreirão, mulherengo até dizer basta, Antupatro das Neves Gama, o popular Tupa, entendeu que era chegada a hora de casar. Afinal, já estava entrando para os 50 janeiros. Montado nessa idéia, correu para o interior à procura da companheira ideal: virgem, ingênua, bonita e, preferencialmente, curvilínea. Para ele, as garotas da capital já estavam manjadas demais e, muito poucas delas, possuiam os sobreditos atributos, todos amontoados num só exemplar.

Tupa não precisou procurar muito. Na cidade de Águas Claras encontrou a filha de um fazendeiro conservador e notório pela maneira enérgica como educava seus rebentos. Maria Rutineide (Rutinha) era a mulher que pedira a Deus. Enquanto noivava, o Tupa tratava a garota com o maior zê lo.

Na sua primeira conversa séria com a escolhida, ele prometeu:

– Você vai ver que coisa linda é o casamento, meu amor. Eu vou lhe mostrar que não existe negócio mais bonito e gostoso neste mundo.

Dois meses depois, aconteceu o casório. Vestida de noiva, Rutinha agarrou-se ao futuro marido, quando os dois subiam ao altar:

– Isso é casamento?

– Bem, meu amor, isso é apenas o comecinho. Casamento é muito mais lindo e emocionante que isso.

Casaram e foram para a fazenda do pai da noiva, onde ocorreria a recepção aos nubentes. Festa animada, e Tupa, encantado com a pureza de sua matutazinha, volteando o salão, com ela aconchegada entre os seus braços.

– Casamento é isso? – era Rutinha, aumentando a curiosidade.

– Não, gostosinha. Casamento é muito mais. Você vai adorar!

Horas mais tarde, os convidados se foram e eles ficaram sozinhos na casa grande da fazenda. A zelosa mamãe da noiva já havia preparado o leito nupcial para os pombinhos.

E eis que, finalmente, chegou a hora de os dois ingressarem no mundo dos “sonhos”…

E a Rutinha, persistente:

– Casamento é isso, meu bem?

– Calma, amorzinho! Você vai ver já, já!

Lá pelas tantas, o marido tomou a mulher nos braços, e os dois rodopiaram pelo quarto, aquele amor de mil anos. De repente, Antupatro jogou Rutinha no leito do amor, beijou-a com carinho e ternura e, finalmente, ela se tornou sua mulher de verdade. Mal terminado o ato, a noivinha perguntou, toda lânguida:

– Casamento é isso, bem?

– É, meu amor. Casamento é isso. – respondeu o marido cheio de orgulho.

E ela, decepcionada:

– Engraçado! Os rapazes nunca me disseram que esse negócio se chamava casamento!

 

 

Bom samaritano

 

A turma de sempre encontrava-se reunida no bar do Tilião. A cerveja rolava adoidado. Em dado momento, eis que baixou no ambiente o Jandicleudes ostentando um hematoma em cada olho. Um dos amigos, espantou-se quando reparou na figura:

– Pelamordedeus, cara! Quem foi que te deu esse cacete? Ou tu viraste vítima de algum desastre automobilístico?

– Nem uma coisa e nem outra. O negócio é que eu estava viajando de ônibus e aí subiu uma morena sensacional com um shortinho bem curtinho, entrando no rêgo da bunda…

– Demais, meu! Demais! – comentou o amigo.

E o Jandicleudes, prosseguindo:

– Quando ela passou perto de mim, eu não me contive e tirei o short do reguinho dela. A mal-agradecida se virou e, plaft, me deu uma porrada no olho esquerdo…

– Só no olho esquerdo? E por que o direito também está roxo?

– Deixa eu terminar, porra! Bem… continuando: aí, a gostosa foi  lá pra frente, e eu também. Ela achou uma poltrona vazia e sentou. Sentei noutra, atrás. Quando a boazuda se levantou para descer, o cara que estava sentado ao meu lado fez a mesma coisa que eu tinha feito antes: tirou o short do reguinho… Como eu sabia que ela não gostava, coloquei o short dentro, de novo… Nesse momento, a gostosa olhou para trás… Aí, já viu, né?

 

 

Sem papo no expediente

 

O cara do recenseamento a porta do ilustre Correínha. A mulher dele, vestindo pouquíssimas roupas, atendeu. O cara identificou-se pra ela e explicou o motivo de sua visita.

– Entre, entre, meu lindo! – convidou a madame.

Segundos depois, bem acomodado numa poltrona da sala, o recenseador começou a entrevistar a mulher. Lá para adiante, enveredou para assunto mais íntimo:

– A senhora costuma ter relações durante o dia?

– Sim. Pelo menos seis vezes por semana.

– E durante o ato fala com o seu marido?

– De jeito nenhum! Ele não gosta que eu fique ligando pro trabalho dele!

 

Com Diego Villanova