Alisson Barreto

22 de março de 2021

A semente e o rito de passagem

A semente e o rito de passagem

Se o grão de trigo não morre é só grão de trigo, não produz os muitos frutos de que é capaz. Ou seja, o grão de trigo precisa passar por uma metamorfose ou um rito de passagem para realizar o seu potencial.

Também nós precisamos, muitas vezes, reinventarmo-nos; refazermo-nos, modificarmos hábitos para darmos os saltos qualitativos de que precisamos ou para os quais a vida solicita. Quando um computador para de responder a contento, é comum o indivíduo perceber que precisa reiniciá-lo para voltar a utilizá-lo no que necessita. Na própria vida, porém, nem sempre há a percepção dessa necessidade ou a coragem para realizá-la. Muitas vezes, a pessoa pode ser um grão de trigo caído no solo que acaba negando-se a morrer, apegada à condição atual, deixando a oportunidade desenvolvedora passar.

A pandemia está aí e com ela muitas adversidades batem às portas dos indivíduos. Cada um tem a oportunidade de aprender a lidar com ela ou fingir que ela não existe. O trigo que cai ao chão pode enxergar que ali está e reagir, reinventando-se, ou fingir que não está e permanecer grão de trigo. Um grão pode brotar, crescer e produzir muitos frutos muitos dos quais poderão tornar-se significativos pães ou simplesmente jazer caído e imutável. Também o homem tem diante de si a capacidade de olhar para dentro de si, conhecer-se e aprender a se trabalhar ou simplesmente passar a vida na inércia de sua situação.

Diversos são os desafios, mas somos nós que decidimos se vamos aprender a higienizar as mãos ou simplesmente lavar as mãos para os problemas diante dos quais nos deparamos.

Maceió, 21 de março de 2021.

Alisson Francisco Rodrigues Barreto