Antônio Pereira

14 de fevereiro de 2021

Militares chafurdam no governo do capitão e enchem a pança

CHAFURDAR

verbo
  1. 1.
    transitivo indireto e intransitivo e pronominal
    espojar-se ou revolver-se em (lama, lamaçal etc.).
  2. 2.
    transitivo direto e bitransitivo
    FIGURADO (SENTIDO)FIGURADAMENTE
    lançar nódoa a; macular.

O histórico dos militares brasileiros não é o dos mais heroicos do mundo. Passaram quase trinta anos no poder depois de um golpe patrocinado pelo império do Norte, tendo como mote o medo irracional do comunismo mundial e a defesa da pátria, família e propriedade. Fizeram uma série de barbaridades e muitas outras ações de corrupção explícita.

Agora, como uma volta ainda mais patética ao passado, os militares brasileiros estão enchendo a pança, literalmente, com dinheiro público à fole. Toneladas de picanha (corte de carne nobre usada para churrasco), uísque de 12 anos, bacalhau de R$ 150 o quilo e muita, muita cerveja, milhares delas. Tudo numa farra interminável, onde tudo pode, tudo é possível e que estão acima da lei. Isso sem falar que mais de seis mil militares da ativa e da reserva engrossam seus salários em polpudos cargos comissionados do governo do ex-tenente do Exército, Jair Bolsonaro, que foi reformado compulsoriamente, aos 33 anos, após conspirar contra seus superiores.

Só de bacalhau foram 9.748 quilos de filé e 139.468 quilos de lombo para os militares. O lombo é o corte mais nobre do bacalhau, usado para pratos requintados e caros em restaurantes sofisticados, algo muito distante do cardápio da maioria dos brasileiros

O paraíso verde-oliva é bem aqui. Nesse rega bofe, os militares brasileiros ostentam toda a sua provincialidade, usando o erário público para festas e desperdício de dinheiro do sofrido contribuinte brasileiro.

Outro episódio lamentável e reprovável é o livro do general mor do bolsonarismo, Eduardo Villas Bôas que atesta com todas as letras que a cúpula do Comando Militar brasileiro conspirou abertamente para a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, num plano em conjunto com então candidato Jair Bolsonaro. Os militares, tendo à frente Villas Bôas faziam intensas reuniões com ministros do STF e líderes do Congresso Nacional para colocar Michel Temer no lugar de Dilma e levar o país para o que vivemos hoje, onde basicamente apenas os militares se deram bem. Eles foram excluídos da reforma da Previdência e atualmente pagam o menor percentual, além de não entrarem na idade mínima, podendo se aposentar com 25 anos de trabalho nos quartéis, com almoços regados a uísque e cerveja, tendo no cardápio picanha e bacalhau. Uma vida de rico, às custas de um povo cada vez mais pobre e sem perspectiva de futuro.

Inaceitável tudo que estamos a ver envolvendo os militares brasileiros, cujos gastos são exorbitantes, ainda mais se levarmos em conta que vivemos a maior crise sanitária da história moderna, com milhares de mortos e milhões de infectados com sequelas ainda não estudadas.