Antônio Pereira

22 de janeiro de 2021

Artistas decadentes abraçam bolsonarismo como última tábua de salvação

O que Carlos Vereza, Antonia Fontenelle, Mara Maravilha, Mário Frias, Suzana Vieira, Regina Duarte e Sílvio Santos tem algo em comum? Todos eles fazem parte de um mundo que não existe mais. Com exceção do ‘dono do baú da felicidade’, todos os outros já tiveram seus momentos áureos, nos tempos que eram reconhecidos nas ruas, mas o tempo passa e pouco fica dessa fama de outrora.

O que une todos eles agora é a defesa transloucada do atual presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. Sim, eles vivem dando declarações ‘bombásticas’, principalmente no zap-zap e no youtube para tentar voltar aos palcos, mas só conseguem passar vergonha alheia. A defesa do presidente e das suas ações governamentais rendem dinheiro para esses artistas, pois eles agora sobrevivem através de canais nas redes sociais alimentados pela legião de bolsonaristas convictos e verbas governamentais que alimentam essa rede.

Um caso muito emblemático aconteceu esses dias, quando o ex-ator global, Mário Gomes, que já foi galã nas décadas passadas do século passado, teve um áudio ‘vazado’, onde manda colocar no orifício anal do apresentador Luciano Huck 70 cilindros de oxigênio que foram enviados à Manaus pelo cantor Gustavo Lima. A fúria do ex-ator também foi direcionada ao governador de São Paulo, atualmente um dos maiores desafetos do presidente Bolsonaro. Mario Gomes usa de homofobia para atacar o governador de São Paulo, João Doria. “Esse Dória. Um demagogo, calça apertada, viado de merda,  filha da puta”.

A mensagem de áudio que inicialmente foi direcionada para o ator Carlos Vereza, foi divulgada pela atriz e ex-mulher do diretor global Marcos Paulo, a youtuber Antonia Fontenelle. Ela também usou seu canal para atacar os artistas que estavam enviando cilindros de oxigênio para Manaus, para evitar novas mortes por asfixia, já que o governo federal não tinha saída para a crise humanitária que se abateu na população amazonense.

“Ah vamos falar sobre os lacradores. Agora é um tal de doar oxigênio para Manaus, minha gente. É um tal de doar oxigênio para Manaus. Todo mundo disputando agora quem dá mais oxigênio para Manaus. Porque o Gusttavo Lima mandou um avião, agora todo mundo está mandando três aviões, quatro aviões, cinco aviões para Manaus. Ôh gente, não tem outro estado não para mandar oxigênio? Daqui a pouco Manaus não tem onde guardar oxigênio”, disse ironicamente.

E completou: “Ah, vão se foder para lá, seus lacradores de merda. Vocês usam a internet para aparecer, se perfazer. Só quem é idiota que entra na onde de vocês. Ah, vão para um caralho. Depois vocês não querem que eu fale palavrão. Foda-se é uma disputa”, ressaltou Antônia.

Antônia é a mesma que aconselhou turistas a não mais virem para Maceió, alegando que o povo alagoano é violento. Essa mensagem da atriz foi divulgada logo após a revelação do ator Henri Castelli de que foi brutalmente agredido em Maceió, durante uma briga com contratantes.

Fontenelle é tão bolsonarista, tão bolsonarista que já entrevistou o próprio presidente, o deputado federal e ‘filho 03’ Eduardo Bolsonaro e a ministra polêmica, Damares Alves, entre outros membros da tropa de choque do governo, além de apoiadores fiéis de Jair Bolsonaro, como o empresário Luciano Hang, das lojas Havan, e o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus.

Outro ícone dessa leva de artistas que perderam o senso do ridículo é a global Regina Duarte. Humilhada por Bolsonaro ao ser demitida sem nunca ter tomado posse do cargo no governo.

O homem do Baú

Não é só artista decadente que apoia o presidente Bolsonaro e o bolsonarismo. O dono do SBT, Silvio Santos, também apoia Bolsonaro. Em abril, uma nota do empresário a seus funcionários ganhou repercussão ruidosa na mídia. No comunicado, ele avisa não querer oposição ao presidente nos telejornais da casa: “A minha concessão de televisão pertence ao governo federal e eu jamais me colocaria contra qualquer decisão do meu ‘patrão’, que é o dono da minha concessão. Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono; ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego”. Recado dado, recado entendido: o jornalismo da emissora relata as polêmicas presidenciais com condescendência.

Gabinete do ódio

Durante a campanha eleitoral de 2018 o atual presidente Jair Bolsonaro teve como linha auxiliar para sua comunicação uma rede, alimentada com milhões de reais de empresários, para jogar, principalmente em grupos de whatsaap as famosas fake news e assim abalar seus adversários. Ao tomar posse, o presidente determinou que seu filho, Carlos, também conhecido como Carluxo estabelecesse essa estrutura para servir ao governo eleito. Assim, foi instaurado o que a Polícia Federal investiga como ‘gabinete do ódio’. Trata-se de uma estrutura que desfere ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às instituições, com conteúdo de ódio, subversão da ordem democrática e incentivo à quebra da normalidade institucional. O chamado ‘gabinete do ódio’ está sendo investigado a mando do Supremo Tribunal Federal.

Trata-se de um gabinete de assessores de Bolsonaro, que apoiam uma rede de blogs bolsonaristas e perfis em redes sociais que espalham desinformação e ataques contra jornalistas, políticos, artistas e veículos de imprensa críticos ao presidente. O gabinete do ódio não é oficial, nem tem um orçamento específico, mas é bancado com dinheiro público. Não está claro quantas pessoas trabalham na operação, e nem se sabe quem são todos os envolvidos. Na realidade, Bolsonaro e seus aliados negam que exista um gabinete do ódio. Mas o fato é que as sementes do ódio e do sectarismo que vêm sendo espalhadas são uma ameaça à nossa democracia.

*Com informações do The New York Times, The Intercept, Extra e Globo.