Antônio Pereira

18 de janeiro de 2021

Apesar da sabotagem de Bolsonaro, Brasil finalmente começa vacinação

Negacionismo

Negacionismo é a escolha de negar a realidade como forma de escapar de uma verdade desconfortável. Trata-se da recusa em aceitar uma realidade empiricamente verificável, sendo essencialmente uma ação que não possui validação de um evento ou experiência histórica.
É inegável a intensa sabotagem que o presidente Jair Bolsonaro faz e fez contra o combate científico à Covid-19. Desde os primeiros dias, o presidente tem minimizado a doença, dando péssimos exemplos, inclusive provocando aglomeração, como aconteceu no primeiro mês, quando Bolsonaro levou sua comitiva de seguranças para comer em lanchonete da periferia de Brasília e desdenhar da pandemia.
Dando sequência a esse negacionismo insano, nosso presidente insiste em dar prevalência a remédios, comprovadamente ineficientes para combater a doença, como é o caso da cloroquina e ivermectina. De forma deliberada, Bolsonaro ordenou que o Exército produzisse a cloroquina em larga escala, tendo atualmente um estoque para 18 anos, sendo que todos os lotes produzidos tem validade de apenas um ano e meio. Ou seja: além de gastar dinheiro com algo inútil para combater o coronavírus, o presidente ainda vai ver todo o estoque ser jogado no lixo ainda este ano.
Seguindo a loucura governamental, Bolsonaro nomeou como ministro da Saúde um general sem qualquer tipo de experiência na área. A alegação era que Eduardo Pazuello seria um especialista em logística (especialidade da administração responsável por execução do eficiente transporte e armazenamento de mercadorias – desde o ponto de origem até o ponto de consumo). Pois bem, em pelo menos dois episódios a especialidade do ministro virou piada em todo o país. Piada que custa vidas, tendo centenas de mortos, como é o caso da falta de oxigênio em Manaus. O ministro esteve na capital do Amazonas três dias antes de explodir a tragédia da falta de oxigênio, onde centenas de pessoas morreram sem ar pela falta do produto. Sem qualquer senso da realidade, o ministro culpou a falta de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) capazes de fazer o transporte dos cilindros de oxigênio. Acontece que a FAB tem sim esses aviões, levando o ministro que é general a se corrigir, sem pedir desculpas pelo erro.
Em outro mico de logística do ministro da Saúde nomeado para o cargo depois de duas demissões feitas pelo presidente, foi o fato do Ministério ter milhões de testes rápidos de Covid prestes a perderem a validade, sem que fossem distribuídos aos estados e municípios.
Agora, a mais nova cagada do ministro foi a busca na Índia de dois milhões de doses de vacina, sem que houvesse autorização para isso. Um avião da empresa aérea Azul chegou a ser contratado e até adesivado com a suposta boa nova de trazer vacinas. Alguns dias depois de intenso noticiário dando datas para a partida do avião do Brasil em direção a Índia para pegar a carga preciosa, foi anunciado que o governo indiano não tinha dado nenhuma autorização, tendo o voo cancelado e cara do ministro caiu com mais esse mico logístico.
Doria e o Butantan
A mais nova página das papagaiadas do governo Bolsonaro tem como destino o Estado de São Paulo, mais precisamente o Instituto Butantan e sua vacina salvadora. No ano passado o ministro Pazuello anunciou que o governo federal havia firmado acordo com o Butantan para adquirir toda a produção da vacina com tecnologia chinesa. Imediatamente, o ministro foi desautorizado pelo presidente Bolsonaro, que não deixou de jogar preconceito inaceitável à China e sua vacina. Em lives nas redes sociais, Bolsonaro desdenhou da vacina, tripudiou de João Doria, o governador e ainda manteve sua conhecida ação negacionista quanto ao perigo que representa o coronavírus para os brasileiros e demais habitantes do planeta Terra.
Bolsonaro dizia em alto e bom som que não queria e não iria adquirir a vacina do Butantan por ser de origem chinesa. Ele chegou a dizer que tem tomasse a vacina poderia ser transformado em jacaré, animando sua plateia e horrorizando o mundo científico.
Alheio a toda essa lambança por parte do governo federal, o governo de São Paulo seguiu seu propósito de ter uma vacina fabricada no Brasil com parte da tecnologia brasileira e portanto capaz de atender os milhões de brasileiros que estão ávidos por uma solução para essa pandemia que beira um ano e que já destruiu vidas, empregos e futuro de milhões de pessoas.
João Doria deu uma cartada genial, colocando o governo federal e seu presidente malando em xeque-mate. Doria estabeleceu uma data para o início da vacinação, levando Bolsonaro e o ministro trapalhão a agirem para conseguir um contrato com o Butantan e centralizar a distribuição das vacinas, já que não tinham como contar com os milhões de doses barrados na Índia.
Neste domingo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) autorizou o uso emergencial da vacina chinesa do Butantan, levando alívio a todo o Brasil, menos, claro, ao presidente negacionista que viu pela televisão seu agora arquiinimigo em uma solenidade de vacinação de uma enfermeira, sendo a primeira pessoa no país a receber a imunização para a Covid. Coube ao ministro trapalhão convocar uma entrevista coletiva com a imprensa para remoer suas mágoas e acusar o governador de marketing. No final, coube a Doria sair na foto com a primeira vacinação no Brasil.
Bolsonaro e seu ministro trapalhão amargam agora ter pouco mais de quatro milhões de doses para distribuir a todo o Brasil, algo que vai gerar problemas em todo canto. Muitos brasileiros ficarão sem vacina neste momento, graças aos descasos e desmandos de Bolsonaro e sua trupe de enlouquecidos.