Ailton Villanova

5 de dezembro de 2019

PRAZER DEMAIS

Bom pai, marido exemplar, o Obdúlio Neto não perde um tempo livre. Dedica-o inteirinho à família, que se resume na mulher Odaléa e no filho Obdúlio Luiz, o Dulinho, garotinho de 10 anos, vivinho pacas.

 

Noite dessas, pegou o garoto, botou no carro e saiu com ele para comprar sanduiche na praia. Numa esquina da orla de Pajuçara, nas imediações do terminal da antiga Atlantic, o menino avistou um grupelho de mulheres fazendo o “trottoir”.

 

– Paínho, quem são aquelas mulheres? – perguntou o garoto, cheio de curiosidade.

 

E o Obdúlio, todo cheio de dedos:

 

– Ah, meu filho… deixa pra lá! Olha á a turma jogando vôlei, tá vendo?

– Tô vendo, painho. Mas… quem são aquelas mulheres e o que estão fazendo ali, paradas na calçada?

– Elas são… são… São senhoras que vem na rua.

– Mas, elas vendem o quê? – insistiu Dulinho.

– Vendem… Vendem… Sei lá! Vendem um pouco de carinho, de prazer…!

 

O garoto começou a refletir sobre o que o pai lhe havia dito e, quando chegou em casa, abriu o seu cofrinho com a intenção de procurar uma daquelas mulheres para adquirir delas um pouco de prazer. Estava com sorte! Podia comprar 50 reais de prazer. Dia seguinte, antes do pai voltar do trabalho, Dulinho pegou a bicicleta e se mandou para a orla marítima. Lá, abordou uma baixinha do vestido curtíssimo e pernas belíssimas:

 

– Moça, você pode me vender 50 reais de prazer, por favor?

 

A prostituta ficou admirada com a atitude do menino e, por momentos, não soube o que dizer ao fedelho. Mas, como a vida este difícil, ela o convidou para voltar lá no dia seguinte, à tarde. Ele voltou e a mulher o levou até a casa dela, onde lhe preparou seis pequenas tortas de morango. Já no comecinho da noite, quando Dulinho chegou em casa encontrou o pai preocupadíssimo.

 

– Por onde você andou, meu filho?

 

E ele, todo contente, lambendo os beicinhos:

 

– Ah, painho, eu fui ver uma daquelas senhoras que nós vimos ontem, pra comprar prazer.

 

O pai empalideceu:

 

– E… então? O que se passou?

 

E Dulinho, feliz da vida:

 

– Bom, as quatro primeiras comidas não tive dificuldade. A quinta levei quase uma hora, e a sexta foi com muito sacrifício. Tive que empurrar com o dedo. Mas, comi assim mesmo. No fim, estava todo lambuzado, derramei aquele creme pelo chão todo e a senhora me convidou pra voltar lá amanhã. Posso ir?

 

O pai não pôde responder, porque estava estatelado no chão… infartado.

 

CHUPOU ERRADO!

 

O moreno de aspecto simplório ingressou na emergência do antigo HPS de Maceió com estranhas queimaduras nos lábios e na boca. A língua parecia mais um daqueles churrascos que a gente encontra os restaurantes gaúchos. Negócio de dar dó. O médico de plantão, que era o doutor Carlos Augusto Carvalho, assustou-se quando reparou no desmantelo:

 

– Mas o que diabo foi isso, meu amigo? Andou comendo brasa, foi?

 

E o infeliz, falando com uma dificuldade tremenda:

 

– Aconteceu o seguinte, dotô… Ontem de noite, peguei uma nega danada de gostosa, lá na Brejal, e levei ela lá pra um motelzinho do Dique Estrada…sabe? Naquilo que a gente tava naquele xumbrego arretado, ela, muito doida, apontou para o abajur que tava na cabeceira da cama e disse: “Apaga a luz e chupa!” Ela num mandou?

 

MORRER, PODE!

 

O zeloso guarda municipal transitava, montado na sua bicicleta, pela avenida que margeia o Salgadinho, ali pelas imediações do viaduto Ib Gatto Falcão. Aí, teve de dar uma brecada emergencial na pedalativa, porque avistou um sujeito se debatendo nas poluídas águas do famoso riacho.

 

Pondo-se de pé na margem do riacho, ele deu a bronca:

 

– Ei, rapaz! Que esculhambação é essa, aí? É proibido nadar neste riacho!

 

E o infeliz, botando água pelos buracos da venta, dos ouvidos e pela boca:

 

– Glub… glub… Tô nadando não, autoridade. Eu tô me afogando! Caí aqui por descuido!

– Ah, bom… Então, pode!

 

CHUVA CARA

 

Madame Carolina, mulher do Dagnaldo Cruz, foi passear em São Paulo. Dias depois, ele recebeu um e-mail dela, no escritório:

– Amor, por favor me envie 10 mil reais. Preciso comprar uma capa de chuva. Aqui está chovendo sem parar.

 

Dagnado respondeu com outro e-mail, pro hotel onde ela se achava hospedada:

 

– Carol, regresse imediatamente. Aqui chove muito mais barato.