Política

'Não há garantia de aprovação este ano', diz relator do Plano Diretor de Maceió

Vereador Samyr Malta (Podemos) foi indicado na quinta-feira (15) para ser o relator do Plano Diretor da capital alagoana

Por Wellington Santos / Tribuna Independente 17/10/2026 08h36 - Atualizado em 17/10/2026 09h26
'Não há garantia de aprovação este ano', diz relator do Plano Diretor de Maceió
Vereador Samyr Malta é o relator do Plano Diretor de Maceió, que ainda não foi aprovado, fato que só deve ocorrer no próximo ano - Foto: Edilson Omena

Mesmo com um atraso de mais de 20 anos para sua implantação, o Plano Diretor de Maceió - cuja última atualização ocorreu em 2005 -, ainda corre o risco de não ser aprovado este ano. A afirmação à Tribuna, com exclusividade, foi feita pelo vereador Samyr Malta (Podemos), que foi indicado na quinta-feira (15) para ser o relator do Plano Diretor da capital alagoana. A indicação ocorreu após reunião da Comissão de Assuntos Urbanos, presidida pelo vereador Marcelo Palmeira.

Embora tenha dito em seu discurso que os vereadores seguirão um cronograma de ações com prazos definidos, além da disponibilização dos documentos no site da Câmara, Samyr fez questão de deixar claro que não garante a aprovação do propalado Plano Diretor.

“Não temos como garantir a aprovação do Plano Diretor ainda este ano, porque ainda teremos muitas discussões, como as emendas dos vereadores, as Audiências Públicas e ainda tivemos as eleições, fato no qual muitos vereadores se empenharam e outros participaram e que terminou por atrasar o andamento do projeto aqui na Câmara”, disse à Tribuna Samyr Malta, ao emendar, em seguida: “Mas nossa intenção é entregar esse Plano à população de Maceió este ano, faremos todo esforço”, completou.

O Projeto do Plano Diretor chegou à Casa enviado ela Prefeitura de Maceió em abril deste ano, mesmo assim com atraso de pelo menos cinco meses.

Ao finalizar, o parlamentar anunciou a realização da primeira audiência pública sobre o tema, marcada para o dia 29 de outubro, às 14h.

Polêmicas envolvem principalmente “espigões” e megaprojeto na orla

Uma das grandes polêmicas dentro do novo Plano Diretor de Maceió envolve a ocupação desordenada da orla, com construções muito próximas ao mar, como a Tribuna já mostrou em reportagens anteriores, como na série especial sobre o “avanço” das águas marítimas que têm atingido ruas, casas e estabelecimentos comerciais. Esse fato é veementemente criticado por um dos mais renomados especialistas do Estado na área, o oceanógrafo Gabriel Le Campion. Ele abordou, por exemplo, os prédios construídos nas praias de Guaxuma e Garça Torta, no litoral norte de Maceió, os chamados “espigões”, e a erosão em áreas como a Barra Nova, no litoral sul, como a Tribuna mostrou na primeira reportagem desta série.

Paralelo a isso, alguns meses depois, uma outra polêmica surgiu para suscitar a discussão do Plano Diretor da cidade com uma audiência pública para analisar o entorno de onde se pretende construir o megaempreendimento de cinco megatorres de 15 andares na Lagoa da Anta, no bairro de Jatiúca, em plena orla turística da cidade, conforme reportagem da Tribuna publicada no dia 29 de março deste ano, sobre o conjunto de “espigões”. Essa possibilidade tem gerado discussões prós e contras no que concerne aos impactos ambientais e à mobilidade urbana no entorno do empreendimento milionário. O projeto, alardeado como promessa de modificar o cenário urbanístico da região, tem despertado preocupações entre moradores, ambientalistas e autoridades públicas. Em função disso, até o momento, já foram realizadas duas Audiências Públicas, uma na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e a outra, mais recente, na Câmara Municipal de Maceió.

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