Ciência e Tecnologia
Proteção costeira: o efeito dominó causado por espigões nas praias
Alagoas destaca-se como pioneiro na utilização de estruturas dissipativas

Os espigões estão entre as obras de proteção costeira das mais utilizadas para o controle de erosão marinha. Eles podem ser utilizados isoladamente, em grupo e associados a outras obras longitudinais aderentes, destacadas e alimentação artificial de praias. Para entender melhor, espigões são estruturas de pedra ou de cimento que entram mar adentro em linha reta, com o objetivo de segurar a areia da praia, diminuir a força das ondas e proteger o litoral contra o desgaste da água.
Mas segundo o especialista em proteção costeira, engenheiro Marco Lyra, apesar de sua ampla utilização, essas obras costumam exigir investimentos elevados e, em muitos casos, não representam uma solução definitiva para o problema da erosão costeira. Além disso, estruturas rígidas freqüentemente produzem efeitos colaterais indesejáveis, entre eles a redução ou até a eliminação da faixa de praia recreativa, comprometendo o uso turístico, ambiental e social do litoral.

``No nordeste do Brasil, os casos de Recife e Fortaleza, ilustram um fenômeno conhecido como o chamado “efeito dominó”. Nesses municípios, espigões construídos para proteção costeira não solucionaram o problema, mas deslocaram o processo erosivo para áreas vizinhas. Como conseqüência, os municípios de Olinda (PE) e Caucaia (CE) passaram a enfrentar impactos ambientais e costeiros significativos´´, afirma o engenheiro.

Esse cenário também se repete em outras regiões do país. Na praia de Ponta da Praia em Santos (SP), foi implantado, há menos de dois anos, um espigão com utilização de geobags. Entretanto, o processo erosivo persistiu e novas intervenções, incluindo a construção de mais dois espigões, foram necessárias. Trata-se de mais um exemplo do chamado efeito dominó, em que sucessivas obras passam a ser executadas para corrigir problemas gerados pela intervenção anterior, sem eliminar a causa da erosão.
Para Marco Lyra, ´´diante desse contexto, torna-se fundamental adotar soluções de proteção costeira capazes de preservar o patrimônio público, privado e ambiental, aumentando a resiliência do sistema praial. O objetivo deve ser não apenas conter o avanço do mar, mas também favorecer a recuperação da praia natural recreativa, conciliando segurança costeira, equilíbrio ambiental e uso sustentável do litoral´´.
Nesse aspecto, Alagoas destaca-se como pioneiro na utilização de estruturas dissipativas com resultados positivos. A experiência demonstrou que é possível conter a erosão e promover a engorda natural da praia recreativa, oferecendo uma alternativa mais sustentável e integrada às dinâmicas naturais do ambiente costeiro.

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