Ailton Villanova

11 de dezembro de 2019

O PEIDO SALVADOR

Antigo morador do Alto da Conceição, fronteira dos bairros Farol/Bom Parto, na parte alta de Maceió, o distinto Batrúcio Macário era conhecido pelo vulgo de “Bomba Frouxa”, dado o fato de que possuía a válvula anal constantemente desregulada. Por conta desse defeito, dita válvula permitia ao intestino do infeliz, a facilitação de frequentes liberações de gases intestinais, não importando o tempo e a hora.

 

Tinha dias que esses gases eram terrivelmente insuportáveis. Dependia do que Batrúcio rangava. Então, quando ele mandava ver numa buchada esperta, aí era um deus-nos-acuda para quem estivesse por perto. Certo dia, ele provocou suspensão da matinê num famoso cinema do centro de Maceió, sendo necessária a intervenção de uma guarnição do Corpo de Bombeiros para desinfetar o ambiente. Vocês manjaram no terror?

 

Bomba Frouxa era temido pelos seus “petardos” anais, que tanto eram malcheirosos quanto barulhentos.

 

As façanhas peidatórias do Batrúcio Bomba Frouxa não se limitaram apenas a meia-dúzia ou, simplesmente,  centenas de ocasiões. Asseguram aqueles que foram seus amigos mais chegados, que as contas desses episódios foram perdidas ninguém sabe avaliar em que tempo.

 

Batrúcio era mecânico de autos e sua oficina só cheirava a peido. Mesmo assim, mantinha uma regular clientela que era prestigiada com a opção de usar ou não, máscaras contra gases, as quais ficavam expostas em local bem visível, no ambiente . Era só o freguês escolher uma delas e ajustar na cara, de modo a que a venta ficasse bem protegida das malignas emanações anais do mecânico.

 

Determinado dia, perto do final da tarde correu a notícia dando conta que Batrúcio Macário havia batido as botas. Foi um corre-corre danado. A notícia correu pelos ares e foi estacionar nos ouvidos de um amigo Milton Jacinto, o “Mamãe”, que na oportunidade estava trabalhando em Aracaju. Imediatamente, o Mamãe confirmou o infausto pelo telefone e se mandou da capital do Sergipe, de pé topado no acelerador do seu Chevette, até, que, finalmente, parou na porta do Cemitério de São José, em cuja capela o corpo do inditoso Batrúcio estava sendo velado.

 

Batrúcio Bomba Frouxa jazia dentro de um caixão entupido de flores, muitos amigos em redor, e a pálida viúva Maria Cícera fungando, de leve, mas claramente feliz. Claro, que feliz. Nunca mais ela teria que suportar os “puns” fedorentos do marido.

 

Emocionadíssimo, Milton Minha Mãe se aproximou do esquife, olhou bem na cara do inerte amigo e, em seguida, falou para a viúva:

 

– Cicinha, eu tenho pra mim que o Batrúcio num tá morto, não! Repare como ele está corado! Num tá nem gelado!

 

E a viúva:

 

– Será, Milton? Eu estava achando muito bom para ser verdade…

– O cara tá vivo. Quer ver uma coisa?

– Quero, quero!

 

O amigo aproximou a boca do ouvido do suposto finado e disse baixinho:

 

– Bicho, se tu tá morto, permaneça como tá. Mas, se tu tá mesmo o vivo, dê aí um sinal… Vamos!

 

Neste momento, o ambiente empreteceu. De dentro do caixão surgiu um ruído estranho – fíííííííííuuuu – seguido de uma catinga só equiparada ao destampar de mil fossas sanitárias. Aí, o Milton Mamãe vibrou:

 

– Eu num falei?! O cara tá vivo, gente!

 

Pegaram o Batrúcio com caixão e tudo e se mandaram para o Pronto Socorro. Lá, não quiseram recebê-lo. Mas, um doutor fez a gentileza de dar a seguinte dica:

 

– Leva pro IML!

 

Levaram. Doutor Duda Calado, o legista-diretor, deu um baculejo no “defunto”, ele  abriu os olhos e indagou, assustado:

 

– Onde qui tô?

 

Acostumado a lidar com cadáveres podrões de toda ordem, o velho Duda não teve como resistir e quase sofreu um desmaio ao acusar o peido de ressuscitação do Batrúcio.

 

 

DISTRAÍDA DEMAIS!

 

A jovem mulher desceu do ônibus num dos pontos da Avenida Fernandes Lima, bairro Farol, e passou a caminhar apressada, despertando a atenção das pessoas.

 

Mas, ela atraía a curiosidade popular não pela pressa, mas por um detalhe que lhe foi alertado por um guarda municipal. Ele a abordou, todo sem jeito:

 

– Moça… a senhora me desculpe…

 

E ela:

 

– Sim. Desculpar por quê?

– É que a senhor está com o peito todo do lado de fora!

 

A mulher alarmou-se:

 

– Ai, meu Deus, seu guarda! Esqueci o meu bebê no ônibus!

 

COZINHEIRA AUTÊNTICA

 

A Jornalista Fátima Vasconcellos arrumou nova cozinheira (é o seu carma!). Por indicação da colega Silvia Spencer, que a recomendou, foi busca-la na cidade de Messias.

 

Dia seguinte, de volta do trabalho, “morta” de fome, Fatinha disparou para a cozinha, com o intuito de ver as novidades comestíferas preparadas pela nova colaboradora e estacou espantada:

 

– Quitéria, meu anjo, por que você está cozinhando com o fogão apagado?

 

E a empregada, toda ancha:

 

– É porque estou preparando pratos frios, doutora.

 

Com Diego Villanova