Ailton Villanova

26 de setembro de 2019

Todos, menos ele!

Era voz geral: todo mundo achava que o distintíssimo farmacista Oscar Osório não merecia a família que tinha. Muito querido pela galera, atendia a todos com presteza e consideração. Dada a sua experiência no trato com remédios e drogas afins durante anos e anos, funcionava como uma espécie de médico no bairro onde residia e tinha instalada a sua farmácia. Mas, a família…
O filho, desde garotinho, era uma libélula encantada, a alegria da garotada. A filha, por outro lado, dava mais que chuchu na serra. E enquanto seu Oscar Osório, na farmácia aplicava injeções no bumbum da freguesia, em casa era o bumbum da mulher dele que tinha clientela própria.
Essas coisas eram comentadas de boca em boca, no bairro do Prado, mas ninguém tinha coragem de tocar no assunto com o pobre farmacista, sempre entretido em seus serviços à comunidade.
Até que um dia, um gaiato pintou no muro da casa do seu Oscar:
“NESTA CASA TODO MUNDO DÁ”.
À noitinha, uma pequena multidão ficou de campana, para ver qual seria a sua reação ao retornar ao lar. Tinha gente até com receio que ele cometesse algum ato impensado em relação à família.
Como todo fim de tarde, seu Oscar Osório fechou a farmácia e foi direto pra casa. Ao chegar em frente a dita cuja leu a frase e entrou. A expectativa era total. Todos estava esperando voar braço na casa do farmacista. Daí a pouco, ele saiu calmamente com uma latinha de tinta na mão, e acrescentou à frase, pintada em seu muro:
“MENOS EU”.

 

Nem todos são lascados
Recém casado, Correinha, maridinho previdente, pensando no futuro, fez uma proposta exótica para a esposa:
– Amorzinho, vamos fazer uma coisa: toda vez que a gente transar a gente coloca uma nota de cinco reais no cofrinho. É uma maneira divertida de fazer poupança. No final de cada ano a gente abre e vê quanto juntou!
No final do ano, Correinha abriu o cofrinho e encontrou, além das notas de cinco reais, cédulas de dez e até de cinquenta reais!
– Peraí, Margarida! O que é isso? Aqui tem notas de dez e de cinquenta reais!..
– Ué! E você tá pensando que todo mundo é pobre que nem você, é?…
O predestinado
Deprimidíssimo, o cara procurou o psiquiatra:
– Doutor Humberto, tô na maior depressão… eu sei que a minha mulher me trai… eu não consigo superar isso… vivo num tremendo baixo astral…
– Calma, calma! Vamos começar pelo início. Primeiro vou preencher a sua ficha. Qual o seu nome?
– Cornélio Galhardo.
– Seu signo?
– Capricórnio.
– Sei… E qual foi o seu primeiro emprego?
– Eu trabalhava na roça, lavando chifres de boi, para uma fábrica de cinzeiros e outros objetos de enfeite doméstico…
– Entendo… e atualmente, o que você faz?
– Sou músico. Eu toco corneta.
– E na sua infância, sua maior diversão era podar as árvores e ficar com os galhos, não é isso?
– Puxa, doutor! Era mesmo! Como o senhor sabe?
– Meu caro, seu caso é típico! Você não é corno! É um predestinado…

 

Mas que desconsideração!
Mal voltou do trabalho e pisou dentro de casa, o Corinaldo foi abordado pelo filhinho, que parecia bastante assustado:
– Paínho! Paínho! Tem alguma coisa fazendo barulho dentro do guardarroupa do seu quarto! Acho que tem gente lá! Corre, paínho… vamos ver!
– Imagine! Acho que é impressão sua, meu filho! Em todo caso, vamos lá!
– Abre, paínho! Abre! Acho que tem um homem aí!
– Pronto! Já abri! Tá vendo? Não tem nada, só o… Moreeeira???!!! Meu melhor amigo!!! Eu nunca iria esperar isso de você, Moreira… o meu amigo, meu chapa, tem a coragem de fazer um negócio desse comigo… Se esconder dentro do meu guardarroupa, só para assustar o meu filho!!! Francamente, Moreira…

 

Funcionário traidor
Doutor Chilfredo, chefe de determinada repartição pública, andava cabreiro com um dos seus assessores. Sempre na quinta-feira o cara faltava ao trabalho e no dia seguinte não dava a menor satisfação. Até, numa semana dessas, ele pediu a um dos office-boys que, na quinta bem cedinho, fosse até a casa do funcionário folgado e ficasse de butuca pra ver o que ele fazia o dia inteiro.
O office-boy foi. No final do dia, ele voltou à repartição e relatou pro chefe:
– Bom, doutor Chilfredo, ele saiu de casa lá pelas nove, pegou o seu carro e levou a sua mulher para passar o dia num motel.
– Ué, que estranho! E precisa faltar ao trabalho pra levar a própria mulher num motel?
– Doutor Chilfredo, acho que não consegui me expressar direito…
– Como não?… Você foi claríssimo, rapaz!
– Fui não, doutor. Quando eu falei que “ele pegou o seu carro”, eu quís dizer que ELE PEGOU O CARRO DO SENHOR. E quando eu disse que “ele levou a sua mulher pro motel”, na verdade eu quis dizer que ele estava levando A MULHER DO SENHOR PRO MOTEL, entendeu agora?