Ailton Villanova

12 de setembro de 2019

Cão inteligente, mas muito distraído!

Num começo de manhã, um cachorrão rottweiler entrou no açougue do velho Elifas Ursulino, com uma sacola presa à coleira. Postou-se no fim da fila e ficou esperando a vez de ser atendido. Ninguém estava nem aí pro animal, exceto um senhor chamado Astromar, que mudara de bairro havia uns cinco dias.

E o cão lá, na dele, linguão balançando do lado de fora da boca. Quando chegou a sua vez, o açougueiro perguntou:

– O que vai ser hoje Jorjão?

O animal levantou a enorme pata e apontou para o contrafilé, pendurado na tarimba.

– Quantos quilos?

O cachorrão deu dois latidos e o açougueiro pesou dois quilos do contrafilé.

– O que mais? – perguntou seu Elifas.

O rottweiler apontou para a alcatra.

– Quantos quilos?

E o cão:

– Auf! Auf! Auf! – latiu três vezes e o açougueiro pesou três quilos.

Pesadas as carnes e devidamente embrulhadas, o cão foi até atrás do balcão, sentou e continuou com a lingua balançando. Então, seu Elifas retirou o pagamento de uma carteira presa à coleira e pôs as compras dentro da sacola.

O cidadão que nunca tinha visto aquilo, ficou impressionado e resolveu seguir o Jorjão rua afora.

Cerca de uns duzentos metros adiante, o animal parou diante de um portão e começou a arranhá-lo. Abriu-se o portão e surgiu uma senhora. Então, o cachorrão entrou lépido e fagueiro.

O cidadão que havia seguido o Jorjão ficou mais impressionado ainda. Aproximou-se da dona da casa e exclamou:

– Esse cão é magnífico! Ví o que ele fez no açougue. Ele muito inteligente!

E a madame:

– É, mas ultimamente ele anda muito distraído. É a terceira vez, esta semana, que ele esquece de levar a chave dele!

 

 

Mas escrever como?!

 

Final de semana, movimento muito grande no Pronto Socorro de Maceió. Em certo momento, entra na sala de emergência um cidadão com um garoto nos braços. Chega pro médico plantonista Luiz Fernando, àquelas alturas atarefadíssimo, e fala:

– Doutor, o meu filho engoliu a minha caneta!

Luiz Fernando não entendeu direito o que o aflito pai tinha dito mas, querendo ser atencioso e gentil, respondeu:

– Ok, meu amigo. Mande ele sentar aí e preencher este formulário.

 

 

Distraídas demais, ou…?

 

Na maior das farras, os amigos Ofrásio (vulgo Fuleiragem) e Roniberto (o Casca de Peido) na falta de melhor assunto, entenderam por bem falar mal de suas respectivas esposas. Coisa de bêbado.

– Ah, Roni, tu precisa ver como a minha mulher é distraída! Outro dia, tinha um elemento debaixo da cama e ela nem percebeu! Pode uma coisa dessas?

– E a minha, rapaz! Esse lance da sua mulher não é nada comparado com o que aconteceu lá em casa! Semana passada, encontrei um cara em cima da minha cama, nu como nasceu! E a minha mulher, bem juntinho dele, estava tão distraída que nem reparou! Não é lasca?

 

 

Nova opinião só amanhã

 

Fumante inveterado, Cleoverlândio pegou uma pneumonia filha da mãe. Depois de mês e meio tossindo sem parar, ele procurou o doutor Arthur Gomes Neto e, fazendo um esforço danado para falar,  expôs o seu drama e apelou:

– Tô lascado, doutor! Veja aí o que o senhor pode fazer por mim.

Doutor Arthur meteu mãos à obra e fez um exame em regra no infeliz. Acabou, armou uma cara de tristeza e murmurou:

– Seu caso é grave, amigo velho. Muito grave!

E o cara, inconformado:

– Se é tão grave assim, doutor, então eu acho que preciso ouvir uma segunda opinião.

Arthurzão concordou:

– Está bem. Volte aqui amanhã de tarde.

 

 

Exemplo de mulher prevenida

 

Cleovansosthenes entrou em casa preocupado, chamou a sua bela e louríssima esposa e revelou:

– Que droga, Valdinha! Perdi a chave de casa!

E ela, cheia de confiança:

– Esquenta não, meu amor. Você tem uma mulher prevenida. Eu mandei fazer umas trinta cópias e espalhei pela cidade inteira. Deixei em lugares fáceis de achar, como no banco do jardim da praça, embaixo do balcão da padaria, no bar da esquina…

Cleovansosthenes quase caiu para trás:

– Quer dizer que temos chaves da nossa casa espalhadas pela cidade inteira?!

E a madame:

– Não se preocupe, meu amor. Eu botei uma etiqueta com nosso endereço em todas elas!

 

 

Os deliciosos bolinhos da sogra

 

O casalzinho de namorados mandava a maior brasa no sofá da sala quando, de repente, ouviu-se a voz da mãe da moça, lá da cozinha:

– Meninos! Venham lanchar, cheguem!

Mais que depressa os dois se ajeitaram e correram para a copa.  Ao aplicar a primeira mordida no bolinho que foi servido, o garotão quis fazer uma média com a futura sogra:

– Puxa, dona Rosa, esses bolinhos de bacalhau estão uma delícia!

E a sogra:

– Vá lavar essas mãos, safado! Esses bolinhos são de batata!

 

Com Diego Villanova