Antônio Pereira

8 de abril de 2021

Governistas transformam STF em circo com show de fundamentalismo religioso

Algumas denominações religiosas não sobrevivem ou não lucram o suficiente se os templos não estiverem cheios de gente disposta a dar tudo o que tem em troca de alguma bênção divina. Para isso, essas pessoas, humildes em sua maioria, preferem se arriscar em nome do que chamam de Deus, mesmo diante da maior pandemia da história moderna, que atualmente está matando quase três mil pessoas por dia na média de mortes mensal.

A discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de abertura total dos templos religiosos, mesmo durante a pandemia levou autoridades do governo federal, orientadas pelo presidente Jair Bolsonaro a travar uma ‘cruzada’ verbal em defesa dos cultos, mesmo com a grande possibilidade de aumentar os casos de Covid, mesmo com a grande possibilidade de aumentar o número de mortos, mesmo com a grande possibilidade de aumentar a contaminação na sociedade como um todo.

Assim, o agora Advogado Geral da União, considerado uma pessoa ‘terrivelmente evangélico’, André Mendonça fez uma das defesas mais controvérsias na história do Supremo, ao desdenhar da Constituição e enaltecer a Biblia, tudo para justificar a abertura dos cultos, e consequente faturamento das igrejas que ele defende.

‘Não há cristianismo sem vida comunitária. Não há cristianismo sem a casa de Deus. Não há cristianismo sem o dia do Senhor. É por isso que os verdadeiros cristãos não estão dispostos, jamais, a matar por sua fé, mas estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e de culto”, afirmou André Mendonça, no que foi duramente criticado.

Durante sua manifestação, o ministro Gilmar Mendes fez duras críticas às posições de André Mendonça, Augusto Aras e do próprio ministro Kássio Nunes Marques e argumentou que os alegados direitos associados à liberdade religiosa, especialmente quando em um aspecto restrito do exercício do culto, não podem anular outras normas constitucionais, sobretudo aquelas que dizem respeito aos direitos à saúde e à vida.

Não satisfeito em promover diariamente ações contra o isolamento social, uso de máscaras, boicotar a compra de vacinas e jogar a população contra governadores e prefeitos, Jair Bolsonaro lança seu grupo contra o Supremo Tribunal Federal (STF), trasnformando o órgão que deveria ser ‘guardião da Constituição’, em um circo armado para agradar fundamentalistas religiosos que precisam urgentemente de gente para manter seus cofres cheios do dinheiro, mesmo que seja às custas de vidas, muitas vidas.

O ministro Kássio Nunes Marques, recentemente indicado por Jair Bolsonaro foi o primeiro a dar o toque inicial nesta ‘cruzada’ insana de liberação de cultos, aglomerações e outras práticas que contrariam todas as orientações de especialistas em saúde. Kássio Nunes Marques concedeu liminar a um grupo que se autointitula ‘advogados evangélicos’.

Correndo por fora para agradar Jair Bolsonaro está, pasmem, o Procurador Geral da República, Augusto Aras, de olho em uma cadeira no próprio Supremo, ele faz coro com os fundamentalistas bolsonarianos defendendo a realização dos cultos presenciais, mesmo contrariando a ciência e a lógica como um todo.

Para essas pessoas a morte de pessoas pouco importa, desde que seus interesses amalucados sejam garantidos.

A decisão sobre o caso ainda não foi tomada. Hoje haverá nova sessão para continuar a votação. Até agora só Gilmar Mendes votou contra a realização de cultos durante a pandemia como determina a ciência e está sendo adotada pelos governadores e prefeito que pensam nas vidas antes de qualquer coisa material ou mesmo espiritual.