Ailton Villanova

9 de novembro de 2019

Comerciante todo certinho

Vendedor de produtos para escritório e afins, o distinto Anfilófio Caetano baixou numa das mais simpáticas cidades da Zona da Mata e, como já era noite alta, ele procurou um hotel para acomodar-se. Procurou bastante, e, finalmente, encontrou um pensionato arrochadinho, mas bem decentezinho, e aboletou-se lá. Quando se preparava para tomar um banho antes de cair na cama, observou que na sua bagagem não havia lâmina de barbear. Desceu rapidinho até a portaria e perguntou ao gerente onde poderia encontrar uma farmácia aberta aquela hora da noite. O cara indicou que na primeira esquina ele encontraria a Farmácia São José, que funcionava dia e noite. Anfilófio correu até lá e pediu a um senhor que se achava cochilando por detrás do balcão:

– Boa noite, moço. Uma caixinha de gilete, por favor.

O farmacista levantou a cabeça e indagou:

– Seu aparelho de barbear é de pino redondo ou de pino quadrado?

– E o que tem isso?

– Tem muita coisa. Eu gosto de vender as coisas bem certinhas. Sou um comerciante zeloso, meu amigo. Só vendo a gilete sabendo pra que tipo de aparelho se destina.

Contrariado, Anfilófio Caetano voltou ao pensionato, pegou o aparelho de barbear e levou até o cara da farmácia. Aí, o pacotinho com as sobreditas foi despachado.

Mal voltou ao quarto, o viajante descobriu que não tinha dentrifício na mala. Como não dormia sem escovar os dentes, retornou à farmácia e pediu um tubo de creme dental.

– Sua escova é de cerdas de nylon ou de cerdas naturais? – perguntou o farmacista.

– Porra meu louro! – reagiu o Anfilófio.

E lá foi ele buscar a infeliz da escova para o sujeito da farmácia ver que tipo de dentifrício deveria ser vendido pra ele.

– O senhor está sabendo que eu sou um comerciante zeloso. Gosto de tudo certinho. Freguês meu não tem do que se queixar. Só vendo a coisa certa para a finalidade certa! – reiterou o cara da farmácia.

– Falou! – retrucou Anfilófio de saco cheio, e girando nos calcanhares, iniciando viagem de volta à pensão.

Lá pra mais tarde, encontrava-se o farmacista mergulhado em novo ronco, debruçado no balcão, quando entrou novamente o viajante, com uma lata na mão e a entregou pra ele.

– O que diabo é isso? – perguntou o corôa da farmácia.

– Abra! – ordenou o Anfilófio.

O coroa abriu a lata e um fedor terrível emanou de dentro dela. Era merda.

– Êpa! Pra que é isso?

E o Anfilófio:

– É que estou querendo um rolo de papel higiênico!

 

 

Morte perversa demais!

 

Época natalina, instalaram na área anexa a tradicional feira de gado de Dois Riachos, terra da Marta, rainha do bate-bola mundial, um grandioso parque de diversões. Coisa muito bela para a matutada do lugar. No meio do terreno, ergueram um tobogã enorme, para a alegria geral. Estava o povo todo se divertindo com a novidade, quando surgiu no ambiente o velho Generino Pacheco, agricultor na cidade de Cacimbinhas.

– Vixe que coisa mais maravilhosa! – exultou.

Dito isto, ele procurou o encarregado do tobogã e perguntou:

– Moço, cuma é qui fáis pra subí lá im riba? Eu tomém quero iscurregá!

O cara explicou:

– O senhor sobe até lá por aquela escada, alí do lado, senta em cima do saco, dá impulso com o corpo e aí escorrega. É simples!

– É simpre dimais!

Pois seu Generino trepou lá em cima, fez conforme o encarregado ensinou e morreu roxinho.

 

 

Sêca demais da conta!

 

Dois peões, funcionários de certa empresa do ramo da construção civil, conversavam animadamente no intervalo do almoço, à sombra  projetada pelo edifício que ajudavam a erguer, numa área nobre da capital. Dizia um:

– Sabe, Zé Maria, a sêca lá no Sertão este ano tá de lascar!

E o outro:

– Mas isso num é novidade nenhuma, Severino. Todo ano a sêca lá é incrível!

– É verdade. Mas este ano tá muito pior!

– Como é que você sabe?

– Meu irmão Sidrônio me escreveu.

– Contou o drama?

– E careceu? Bastou olhar no selo da carta, que veio pregado com alfinete!

 

 

O peito e as camas separadas

 

Madame Carolina Petrúcia procurou um famoso cirurgião plástico a fim de que ele desse um jeito num dos seus peitos. Ela tirou a blusa, tirou o sutiã e mostrou as peças. Um seio era lindo, durinho, perfeito, todo certinho. O outro, arriado, parecia uma coador de café.

O doutor ficou perplexo:

– Mas como esse peito ficou desse jeito?!

Madame explicou:

– É que meu marido tem a mania de dormir segurando este peito, desde que nós casamos…

– Ora, minha senhora – observou o médico -, essa não deve ser a razão da diferença. Eu também tenho a mania de dormir segurando um dos peitos da minha mulher, e ela continua com os dois iguais.

E a paciente:

– Mas vocês dois dormem em camas separadas?

Com Diego Villanova