Ailton Villanova

24 de setembro de 2019

O ÚNICO REMÉDIO

Caboco bom, trabalhador, gente fina mesmo, o pontagrossense Arédio  Abaetuba entendeu de cair de amores pela Maria Audália, filha única do casal Polidônio/Algeróbia Pereira, ele proprietário de uma mercearia no final da linha de ônibus do Vergel; ela dona de casa.

Audália era muito metida a sebo. Feia, autoritária, canelas finas e cabeludas, se achava a Deusa. Pegou o maior boi casando com Arédio, que trabalhava como tratorista da prefeitura de Maceió. Antes de se encontrarem no altar de Deus, Audália gastou pelo menos uns duzentos rosários de tanto rezar à Santo Antônio pedindo um marido. A vítima foi o predito Arédio.

Arédio sempre foi um sofredor, a partir de quando ficou órfão de pai e mãe aos 4 anos de idade. Os dois morreram num desastre de caminhão no interior de Alagoas. Arédio teve de se virar praticamente só, para sobreviver. Bem que poderia ter um destino melhor do que contraindo núpcias com Audália. Essa era a opinião geral.

Certo dia, isso em princípios de 1950, eis que adentra ao consultório do médico Rodrigo Maranhão Flores o infeliz do Arédio acompanhado da mulher, mas quem primeiro falou foi ela:

– Este aqui é o meu marido, doutor!

– Prazer… Do que se trata, meu amigo? – indagou o esculápio.

O Arédio abriu a boca pra responder, mas só conseguiu pronunciar o pronome “Eu”…

A mulher saltou na frente dele e disse:

– Meu marido não come direito, sente vertigens, dores de cabeça…

O médico cortou o papo da mulher, dirigindo-se ao marido:

– Há quanto tempo o senhor está se sentindo assim?

– Bem, deve…

Novanmente a mulher avançou:

– Já faz quase dois meses, doutor. É que ele não é de reclamar nada!

O médico retomou a palavra:

– Quantos anos o senhor tem?

– Cin…

– Ele vai fazer cincoenta e cinco, mês que vem. – completou a mulher.

Terminada a consulta, o médico gararujou umas letras no bloco de receitas, virou-se para a Audália e falou com voz grave:

– Olhe aqui, minha senhora! Seu marido precisa de muita paz e muito sossego. Estou lhe receitando uma caixa de soníferos poderosíssimos!

– E quando ele tem que tomar, doutor?

– Não é pra ele, não! É para a senhora!

 

 

Morte violenta

 

Meio àtoa na vida, o bêbado chamado Alcolênio errou o caminho de casa e entrou num velório. Assustou-se ao se deparar com a viúva no maior berreiro:

– Ai! Meu marido era tão bom… Morreu que nem um passarinho… snif…

Logo em seguida entrou uma velhota, cheia de curiosidade:

– Ei, moço! Como foi que o finado morreu?

E o Alcolênio:

– Pelo que eu escutei, parece que foi de pedrada!

 

 

Serviço de bordo legal!

 

Bastante biritado, um certo Eustórgio encontrava-se sentado ao lado de um padre, durante um vôo doméstico. Daí a pouco, muito educadamente, a comissária de bordo entra em cena oferecendo bebidas. O bêbado pediu uísque com gelo. Ela perguntou se o padre desejava o mesmo, no que ele respondeu, meio indignado:

– Não, minha filha. Muito obrigado! Pefiro ser agarrado selvagemente por uma prostituta pervertida a botar uma gota de alcool na boca!

Eustórgio devolveu o uísque à aeromoça, acrescentando:

– Pô, eu não sabia que tinha essa opção! Por favor, moça, traga pra mim o mesmo que o padre aqui acabou de pedir!

 

 

Não cabeu pro Cacá!

 

Professora Rose Lessa (aquela do olhinho verdinho, que trabalhou conosco naquela redação, tá lembrado Ricardo Castro?) entrou na sala de aula, mirou o Cacá de cima a baixo e disparou:

– Escreva a palavra “coube” 50 vezes para aprender que “cabeu” não existe na nossa gramática.

Cacá lançou-se febrilmente à tarefa. Alguns minutos depois entregou à  mestra uma folha cheia de “coubes”.

– Espere aí, Cacá! – chamou a professora. – Você escreveu apenas 48 vezes, por quê?

– Ah, professora, é que não “cabeu”…

 

 

Ele e os pronomes

 

Mestra bastante austera, dona Ana Falbetta entendeu de pegar no pé do pentelho Sidclay, primo do Cacá:

– Você só terá direito ao recreio se me disser, agora, três pronomes, Sidclay!

– Quem? Eu? Por quê?

– Ah, danado! Safou-se, hein? Parabéns!

 

Com Diego Villanova