Antônio Pereira

17 de setembro de 2019

Moro não conseguiria condenar Lula sem a ajuda da imprensa

Conluio: acordo realizado com o propósito de prejudicar outra pessoa; trama ou conspiração: conluio para destituir alguém do cargo. Ação de acordar; aliança ou coligação.

O ex-juiz Sérgio Moro e agora ministro da Justiça do governo Bolsonaro sabemos agora que teve forte apoio da imprensa brasileira para armar sua teia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colocar atrás das grades, sem poder se candidatar a presidente, abrindo caminho para o agora chefe do ex-juiz ganhar a eleição.

Esse conluio só foi possível graças ao apoio indispensável dos meios de comunicação, particularmente das Organizações Globo, em conluio com outros veículos de comunicação, como revista Veja e os jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo.

Pelo que foi divulgado até agora nas conversas obtidas pelo site The Intercept, Sérgio Moro e os procuradores da chamada Operação Lava Jato, sediada em Curitiba, Paraná, tinha forte relação com os jornalistas desses veículos de comunicação, chegando ao ponto de muitos dos procuradores se vangloriarem de ’emplacar’ entrevista e conseguir outras no Jornal Nacional, principal telejornal da Rede Globo de Televisão.

Essa relação muitas vezes promiscua levou a Rede Globo no seu Jornal Nacional divulgar escutas clandestinas e ilegais ‘autorizadas’ por Sérgio Moro para levar o país a acreditar que o ex-presidente Lula e sua sucessora, a então presidente Dilma Rousseff estariam planejando usar uma nomeação de ministro para que Lula escapasse da prisão, que seria iminente, granças a ação orquestrada por Moro. Sabe-se agora que essa gravação, além de ter sido ilegal, foi manipulada pelo ex-juiz e seus asseclas para levar a opinião pública a repudiar a nomeação, fazendo o Supremo Tribunal Federal (STF) a barrar.

O enredo foi bem planejado. Os procuradores encontravam alguma forma de imputar crimes contra Lula; Sérgio Moro concordava. Só que antes de virar termos nas peças judiciais, eram ‘vazados’ para a imprensa, saindo em páginas de jornais ou revistas e depois repercutido nos telejornais da Rede Globo. Pelo menos uma vez a cada dia uma dessas ‘manchetes’ contra Lula, Dilma e o petê eram divulgadas com grande estardalhaço.

Tudo isso culminou em manifestações em massa, muitas delas transmitidas desde cedo aos finais de semana, com a Globo mandando inúmeros repórteres, drones e centenas de câmeras para dar a dimensão que deram, criando o clima ideal para apear Dilma do poder, eleger Bolsonaro e transformar Sérgio Moro de juiz a ministro e, posteriormente, integrante do seleto time do Supremo Tribunal Federal (STF).

Todos os passos nesse enredo já foram dados, falta ainda a nomeação ao Supremo. Pena que nesse ‘filme’ de Moro como mocinho, tenha aparecido o jornalista Glenn Edward Greenwald e seu The Intercept.