Saúde

9 de julho de 2020 13:36

Campanha alerta para prevenção do câncer de cabeça e pescoço

Em AL, segundo o Inca são 120 novos casos em homens e 70 em mulheres no câncer da cavidade oral este ano

↑ Foto: Reprodução

Dia 27 de julho é o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço. E para conscientizar os brasileiros, em especial os homens, população que sofre com a maior incidência da doença, a Associação de Câncer de Boca e Garganta no Brasil (ACBG) criou a campanha Julho Verde, que marca o mês de conscientização e prevenção desse tipo de câncer. Em Alagoas, de acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os registros maiores são nos casos do câncer da cavidade oral e de laringe.

Para o estado até o momento são de 120 novos casos em homens e 70 em mulheres no câncer da cavidade oral e para o câncer de laringe (70) no sexo masculino, e apenas 0,87% no feminino. São definidos como câncer de cabeça e pescoço o grupo de tumores diagnosticados na boca, língua, faringe, laringe, esôfago, orofaringe (garganta), nasofaringe e tireoide. Os dados não consideram os tumores de pele não melanoma.

Em todo o país o número de casos novos de câncer de laringe esperados para cada ano do triênio 2020-2022, será de 6.470 em homens e de 1.180 em mulheres e o de câncer da cavidade oral será de 11.200 e 4.010 respectivamente. Já as estimativas do instituto para o câncer de tireoide apontam 2.310 casos novos em homens e de 11.950 em mulheres.

O cirurgião oncológico, Diego Nunes explica que os principais sintomas dos tumores que se manifestam na boca, faringe e laringe são feridas de difícil cicatrização. “O paciente tem dificuldade para engolir, tem dor na garganta, sangramento ao escovar os dentes e corrimento nasal com odor fétido e rouquidão”. Ele esclarece que os principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento da doença são tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, atualmente, o crescente número de casos de HPV (papilomavírus humano) entre jovens. ”Esse tipo de câncer está associado a fatores de risco ambientais e hábitos de vida. Vale ressaltar que a relação entre o HPV e o câncer de cabeça e pescoço está se tornando mais comum, sendo observado em 10% a 30% dos casos”.

Oncologista Diego Nunes ressalta para os cuidados com sintomas (Foto: Acervo Pessoal) 

Os sintomas do câncer de cabeça e pescoço podem variar de acordo com a localização do tumor. O cirurgião oncológico ressalta que o diagnóstico é feito através da história clínica, exames das lesões e biópsia. ”Em caso de qualquer alteração, o paciente deve procurar um otorrinolaringologista, um cirurgião de cabeça e pescoço ou um oncologista. Assim como a maioria dos tumores, quanto mais cedo tiver o diagnóstico do câncer, maiores são as chances de cura do paciente”, lembra informando que o Inca aponta que esse tipo de câncer é mais frequente em homens na faixa dos 60 anos e representam o segundo tipo da doença com maior incidência na população masculina e o quinto mais comum entre as mulheres.

Fisioterapeuta oncológica: ”paciente que é acompanhado terá melhor evolução diante das sequelas”

A fisioterapia oncológica é uma especialidade que faz parte da equipe multidisciplinar da saúde e atua de forma bastante abrangente na sintomatologia dos pacientes oncológicos, e tem como objetivo preservar e restaurar a integridade funcional de órgãos e sistemas, assim como prevenir e minimizar os distúrbios e sequelas causados pela doença ao paciente.

A fisioterapeuta Ingrid Madiany Santos, especializada em fisioterapia oncológica, terapia manual e atua em consultório voltado para disfunções de face, cabeça, pescoço e oncologia explica a importância do acompanhamento para estes pacientes. ”Pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico, radioterápico ou quimioterápico podem apresentar disfunções ou sequelas, decorrente do tratamento. A fisioterapia pode ser realizada antes, durante e depois das cirurgias ou tratamentos oncológicos uma vez que pode aparecer complicações. As mais frequentemente encontradas nesses pacientes com câncer de cabeça e pescoço que a fisioterapia atua são: mucosites, linfedema de face, trismo radioinduzido, radiodermite, paralisia facial, síndrome do ombro caído, encurtamento musculares, aderências cicatriciais e dor oncológica. Os sintomas variam de acordo com a localização e tratamento do tumor”.

De acordo com a especialista, paciente que é acompanhado pelo fisioterapeuta especializado terá melhor evolução diante das sequelas, restabelecendo suas funções e assim melhorando sua qualidade de vida.

Fisioterapeuta Ingrid Madiany Santos (Foto: Acervo Pessoal)

INCIDÊNCIA POR REGIÕES

Ainda segundo as estimativas do Inca, em homens, o câncer de laringe ocupa o 8º lugar nas Regiões Centro-Oeste e Nordeste. E 9º posição nas Regiões Sudeste e Norte. Já na Região Sul, é o 11º mais frequente. Entre as mulheres, ocupa o 16º lugar em todas as Regiões brasileiras, exceto na Região Sudeste que ocupa 17º lugar no ranking. O número de mortes de pacientes com este tipo da doença é disponibilizado pelo DataSus, do Ministério da Saúde (MS) e a atualização mais recente é 2018 onde foram registradas 4.455 mortes sendo 3.859 homens e 596 mulheres.

E o câncer da cavidade oral em homens é o 5º mais frequente nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Nas Regiões Sul e Norte, ocupa o 6º mais frequente. Para as mulheres, é o 11º mais frequente na Região Nordeste e o 12º na Região Norte. Já nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, ocupa a décima terceira posição. Na Região Sul, ocupa a décima quarta posição. E as mortes segundo o SIM -2018 foram: 5.746 sendo 4.315 homens e 1.431 mulheres.

Já o câncer de tireoide em homens ocupa a décima segunda posição na Região Nordeste. Nas Regiões Centro-Oeste e Sul, ocupa a décima terceira posição e, nas Regiões Sudeste e Norte, ocupa a décima quarta posição. Para as mulheres, é a terceira posição mais frequente na Região Sudeste, nas Regiões Centro-Oeste e Nordeste, é a quinta posição. Na Região Norte, é a nona mais frequente e na Região Sul, a décima segunda. E o número de mortes foram: 837, sendo 271 homens e 566 mulheres.

Fonte: Lucas França / Tribuna Independente

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