Saúde

8 de agosto de 2019 15:51

Nutricionista da Sesau reforça a importância da amamentação

Além dos benefícios do leite, é possível fortalecer o vínculo entre a mãe e o bebê

↑ Taíse Gama ressalta que leite materno deve ser alimento exclusivo nos primeiros seis meses de vida (Foto: Olival Santos / Ascom Sesau)

O leite materno é um alimento completo, porque, além de suprir toda a necessidade nutricional do bebê, permite criar um vínculo com a mãe e gera sensação de conforto para a criança. Antes dos seis meses de idade, a amamentação fornece todos os nutrientes que o recém-nascido necessita. Ou seja, não é preciso complementar a alimentação com chás, leites artificiais ou mesmo água, segundo assegura a nutricionista da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Taíse Gama.

Além de todos esses benefícios, a amamentação também auxilia no sistema imunológico da criança e, por isso, durante o Agosto Dourado, o aleitamento materno é exaltado, uma vez que o leite é considerado o alimento de ouro para o bebê. “Nenhuma mulher tem o leito fraco. Toda mulher tem o leite ideal para o seu filho. Ele possui água, proteínas, lipídios, carboidratos que a criança precisa e também possui anticorpos que ajudam nas defesas, prevenindo contra doenças e outras infecções. É uma vacina natural. A criança que é amamentada tem menos chances de desenvolver doenças crônicas na vida adulta, como diabetes, hipertensão e obesidade”, explicou a nutricionista da Sesau.

Ainda de acordo com ela, o leite materno assegura muitos benefícios imediatos, além do fortalecimento do sistema imunológico, são menos ocorrências de diarreias, pneumonias e infecções respiratórias. Taíse Gama destaca que o leite materno, além de ser um fortalecedor do vínculo afetivo entre mãe e filho, ainda beneficia o desenvolvimento cognitivo e o próprio QI (quociente de inteligência) da criança. “O leite é um alimento que não custa nada. Toda a mãe, em qualquer condição socioeconômica, consegue amamentar. Ela só precisa ter essa rede de apoio, como o pai, família e amigos, visto que o estresse e o cansaço podem prejudicar a amamentação”, salientou.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que o bebê seja alimentado exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses e que, depois disso, a amamentação continue até pelo menos os dois anos de idade, mas pode passar disso. “Outros alimentos podem ser acrescidos de forma gradual e na consistência adequada depois dos seis meses de vida da criança, sempre priorizando alimentos saudáveis e os hábitos alimentares da família. Por isso, é importante que a família conserve hábitos alimentares saudáveis para que seja passado para a criança”, ressaltou a nutricionista da Sesau.

Conforme a especialista, a amamentação não deve ter horários rígidos. O ideal é amamentar de acordo com a procura do bebê. Se a mãe estabelece horários rigorosos, isso acaba por atrapalhar a produção de leite, assim como mamadas curtas. “A livre demanda faz muito diferença ao longo de toda a amamentação e quem determina o horário é o bebê”, disse Taíse Gama, ao acrescentar que “a alimentação da mãe deve ser equilibrada e variada, e é importante não ter tantas restrições”.

Doar leite

Mesmo que a mulher não produza quantidades abundantes de leite, se ela extrair para doar não vai faltar para alimentar o filho. Quanto mais se estimula as glândulas, mais ela vai produzir, e grande parte da produção acontece no momento da mamada. “As situações em que há restrições ao aleitamento materno são mães infectadas pelos vírus HIV, HTLV1 e HTLV2, uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação e em crianças portadoras de galactosemia, doença rara em que ela não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose”, explicou.

Fórmulas industrializadas ou leite materno – O leite artificial não tem mais componentes ou calorias que o leite materno – além da parte imunológica, que nenhuma fórmula tem. Outro grande benefício da amamentação é a praticidade: o leite materno, que é gratuito, está disponível em qualquer lugar e a qualquer hora.

“Em todas as situações, a melhor opção sempre vai ser o leite materno. Se a mulher não está conseguindo amamentar por algum motivo, é recomendável que ela procure um serviço de saúde para que o profissional possa ajudá-la. Possivelmente, se ela não está conseguindo amamentar, existem intervenções que podem ser feitas e favorecer a “descida do leite”, como, por exemplo, os bancos de leite que existem aqui no Estado. O uso de fórmulas lácteas não é recomendado, e somente deve ser indicado nos casos em que a mulher tem restrições à amamentação ou quando for oferecido todo o suporte e, ainda assim, não tenha obtido êxito. No entanto, uma fórmula nunca vai ser igual ao leite materno”, enfatizou.

Chupeta e mamadeira

Durante a mamada a sucção fortalece e auxilia no desenvolvimento da musculatura facial do bebê, o que contribui para a respiração e fala do bebê. Com o uso da chupeta e mamadeira a criança faz um movimento de extração do alimento totalmente diferente daquele que ela se habitua na mama, o que pode gerar confusão de bicos na criança e dificultar a pega correta da mama.

“A forma como a criança vai sugar na mama é totalmente diferente da forma como ela vai sugar na mamadeira ou chupeta. Então, se a mulher fica dando a mama e, ao mesmo tempo, a mamadeira ou chupeta, a criança acaba ficando confusa e acaba desaprendendo a forma certa de sugar. Obviamente vai ser muito mais prático para a criança sugar na mamadeira, no entanto, isso também vai desestimular o desenvolvimento da sua musculatura oral. Muitas das vezes, a mulher começa a ter problemas na mama, como, por exemplo, fissuras, devido à pega incorreta do bebê”, explicou Taíse Gama.

Sobre o Agosto Dourado

O mês de agosto foi instituído como o Mês do Aleitamento Materno por meio da sanção da Lei nº 13.435, de 12 de abril de 2017. O objetivo é intensificar ações intersetoriais de conscientização e esclarecimento sobre a importância do aleitamento materno e mobilizar a sociedade em prol da amamentação no país.

Fonte: Ascom Sesau/AL / Texto: Marcel Vital

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