Saúde

11 de junho de 2019 09:11

OMS inclui Síndrome de Burnout na lista oficial de doenças

Psicólogo acredita que inclusão não vai mudar cultura do estresse oriundo do trabalho

↑ Robson Menezes destaca que transtorno associado à atividade laboral compromete significativamente capacidade do sujeito de se relacionar (Foto: Jonathan Canuto)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a síndrome de burnout na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Definida como “estresse crônico”, a patologia está relacionada com o esgotamento laboral. A decisão da OMS ocorreu durante a assembleia mundial da organização, em Genebra. A inclusão oficial começa a valer em 2022.

Ao TH Entrevista, o psicólogo e professor Robson Menezes explicou que a doença é classificada quando se traz comprometimento significativo na capacidade do sujeito de se relacionar, atuar, e de principalmente desenvolver atividades produtivas.

O psicólogo acredita que a inclusão da doença na lista de CID não vai mudar a cultura do estresse oriundo do trabalho, no sentido de que ela não possa mais ser vista mais como ‘frescura’. “Vivemos numa cultura na qual o sujeito precisa cada vez mais demonstrar que é um trabalhador, capaz, que precisa buscar metas maiores e isso tem a ver com aspectos culturais, a incidência dela é um reconhecimento médico, porém não vai fazer com que a população de uma forma geral se preocupe mais ou comece a administrar adequadamente o seu esgotamento”, avaliou.

Robson Menezes reforça que o aumento de jornadas exaustivas, imposição de metas abusivas, falta de reconhecimento e autonomia no ambiente de trabalho são algumas das possíveis causas de transtornos associados à atividade laboral, como a síndrome de burnout.

O conceito mais usado para a patologia é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, que resulta do acúmulo excessivo em situações de trabalho emocionalmente exigentes e principalmente estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

Ele cita a professora Marilda Lipp, que é a principal pesquisadora do estresse no Brasil, com diversas publicações e instrumentos utilizados na psicologia para investigar o adoecimento, fala do modelo quadrifásico do estresse. “A fase de alerta, que são sintomas curtos relacionados as últimas 24 horas; a fase de resistência, que são sintomas que vão se acentuando e se repetindo por vários dias, interferindo na qualidade do sujeito, porém sem impedi-lo de atuar e a do esgotamento, que é quando passa a comprometer a qualidade de vida, das relações e trabalho, ou seja, não mais tendo a possibilidade de ser um ser produtivo e surge a abertura de uma série de adoecimentos”, explicou.

O psicólogo frisou que a última etapa é a porta de entrada para outras síndromes ansiosas, como da depressão e do humor. O especialista detalha quais são os principais sinais que devem ser observados, um deles é a falta de perspectiva. Confira o vídeo no canal da Tribuna no YouTube.

A CID-11 também terá outras atualizações, uma delas relacionada à saúde sexual, que passa a abranger a incongruência de gênero, até então citadas na seção sobre enfermidades mentais. Já o transtorno provocado por jogos eletrônicos foi incluído no capítulo sobre dependências.

 

Assista à íntegra da entrevista:

 

 

Fonte: Tribuna Independente

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