Saúde

27 de outubro de 2018 16:29

Apoio psicológico é fundamental para tratamento de câncer de mama, alerta profissional

Tema está em alta durante o mês de outubro, quando é realizada uma campanha internacional para conscientização

↑ Autoexame (Foto: Ilustração)

“Primeiro gostaria de deixar claro que cada indivíduo é uno. Ninguém ‘sente’ igual. Cada um experiencia a doença de forma singular. Receber diagnóstico de câncer não é atestado de morte. O indivíduo precisa se conscientizar de que tem uma doença, mas que não é essa doença”. Esta frase é da psicóloga Lívia Vieira, do Hapvida Saúde, sobre os primeiros passos que devem ser tomados para uma aceitação de diagnóstico de câncer de mama. O tema está em alta durante o mês de outubro, quando é realizada uma campanha internacional para conscientização sobre a importância de se prevenir contra o câncer.

A psicóloga explica que “segundo a psiquiatra Kübler-Ross, que foi pioneira no tratamento de pacientes em estado terminal, o processo de descobrimento do diagnóstico e aceitação de uma doença envolve quatro estágios”. “O primeiro estágio é o da negação: indivíduo se recusa a aceitar o diagnóstico. Alguns fogem e evitam o tratamento outros recorrem a diversos especialistas; refazem por diversas vezes os exames. Ao perceber a inutilidade da fuga, o indivíduo adentra na segunda fase que é a da raiva, muitos se vitimizam; alguns caem em depressão; outros colocam a culpa naqueles que os cercam; questionam sua fé e religião. Logo após tem-se a fase da negociação indivíduo ainda não aceitando o diagnóstico começa a negociar consigo mesmo,internamente. Passada estas três fases chega-se o momento da aceitação do diagnóstico, neste momento começa a luta pela vida”, diz a especialista.

Lívia Vieira, do Hapvida Saúde, destaca que apoio dos familiares, amigos e profissional é fundamental. “Aconselha-se que desde diagnóstico inicial seja iniciado acompanhamento com psicólogo para auxiliar no transcorrer sadio de cada estágio atenuando sua dor até que chegue na aceitação do diagnóstico, onde o acompanhamento continuará intenso até que paciente sinta-se seguro e seja lhe dado alta”.

Sobre a preparação para receber o diagnóstico da doença, Livia explica que é difícil receber o diagnóstico de câncer de mama. “A paciente e sua família são inundadas por um misto de emoções como raiva, sofrimento, culpa; medo; perpassa por prejuízos nas habilidades vocacionais, sociais e funcionais. Passa por alterações da autoimagem, da autoestima, prejuízo na sua identidade como mulher, comprometimento da sexualidade, visto que para a mulher a mama é um órgão repleto de simbolismo que reflete na feminilidade, na maternidade e na sexualidade”, afirma.

Para Livia, é fundamental reduzir as incertezas que a mulher possa ter sobre o câncer, proporcionando uma psicoeducação sobre a doença, sobre as técnicas que serão utilizados em ambiente terapêutico com o intuito de melhorar estado mental e físico. Interessante também, durante o tratamento da doença, terapias em grupo como forma de auxiliar no fortalecimento emocional. “Alguns pacientes precisam também de cada membro favorecendo a perceber a dor do outro mostrando-lhe que não está sozinho, onde cada participante fortalece o outro, por meio da empatia”, destaca a psicóloga.

Ela lembra, ainda, que “a vida é uma continuidade com a percepção de que o indivíduo apenas tem uma doença, ele não é esta doença, e que é importante buscar forças e motivos para lutar pela vida, seja através do fortalecimento da fé e crenças, seja buscando subterfúgios e acessórios de beleza. Sempre buscando qualidade de vida alimentando-se de forma equilibrada; buscando a continuidade do tratamento até o processo definitivo de alta. Tendo lazer e em busca da constante paz interior”.

É possível melhorar a autoestima após a mastectomia? Segundo a psicóloga, a resposta é sim. “Se redescobrindo como mulher, retomando ao labor, voltando aos afazeres paralisados pelo processo do tratamento, continuando com o apoio psicológico, apoio familiar, do companheiro e social e a decisão frente a cirurgia de reconstrução de mama”. A profissional ressalta que “a prótese de silicone para os seios é uma forma de retomada da autoimagem, do senso de feminilidade e do relacionamento sexual”. Mas, existem outras formas de ajuda como a leitura.“Neste momento imprescindível, a literatura pode ajudar. Busque escritores que elevem a autoestima da paciente. Literatura que informe, que oriente. Literatura que faça sorrir, que faça sonhar”, destaca a profissional.

Fonte: Assessoria

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