Política

Renan Filho e JHC sinalizam disputa em 2026

Ministro dos Transportes tem evidenciado que irá disputar Governo de Alagoas enquanto prefeito de Maceió ainda não bateu o martelo

Por Emanuelle Vanderlei / Tribuna Independente 01/01/2026 08h00 - Atualizado em 01/01/2026 09h23
Renan Filho e JHC sinalizam disputa em 2026
Renan Filho e JHC podem protagonizar uma das disputas mais interessantes para o Governo de Alagoas em 2026 - Foto: Edilson Omena / Arquivo

Com a chegada de 2026, as especulações eleitorais continuam intensas em Alagoas. Já faz algum tempo que os nomes começaram a surgir, e vem sendo criada uma expectativa de uma nova disputa acirrada pelo voto do eleitorado alagoano. De um lado, está Renan Filho (MDB), que já governou o estado por quase oito anos, é senador licenciado e ministro dos Transportes, que já declarou publicamente que será candidato. De outro, o prefeito de Maceió JHC (PL), que não se pronuncia pessoalmente, mas aliados na Câmara de Vereadores, por exemplo, têm declarado que o gestor vai sim disputar o governo.

Apesar de não confirmar abertamente que sairá em campanha pelo governo estadual, a última sinalização de JHC foi um vídeo publicado em novembro de 2025, sinalizando que pretende disputar o governo em 2026.

É do jogo político, os atores estão avaliando o cenário, medindo as temperaturas do eleitorado, sondando aliados, e só em abril (prazo final para se afastar dos cargos para se desincompatibilizar e ficar apto pela Justiça Eleitoral) é possível ter certeza de quem são os nomes.

Renan Filho foi eleito para o Senado em 2022, mas logo no início do mandato foi nomeado Ministro dos Transportes pelo presidente Lula (PT), e segue no cargo até hoje. Vez por outra seu nome surge na lista dos possíveis vices de Lula para 2026, mas nos últimos meses ele tem reforçado que vai voltar para Alagoas em um terceiro mandato (ele governou o estado entre 2015 e 2022).

Falando abertamente sobre o tema, ele chegou a declarar que já havia transferido a escola dos seus filhos. “Para quem tem dúvida do quanto estou querendo ser candidato ao governo de Alagoas, pode dizer que já pedi a transferência da escola dos meus filhos. Este ano eles estão estudando em Brasília, no próximo ano vão estudar em Maceió”.

Do outro lado, JHC tem demonstrado força eleitoral na capital alagoana. Sua reeleição em 2024 chamou atenção pelo percentual de 83%. Conhecido por saber usar as redes sociais como principal aliada, o filho de João Caldas (PSD) tenta manter a popularidade evitando se pronunciar sobre temas mais polêmicos (a candidatura é um deles).

Desde a disputa da prefeitura em 2024, houve ruído na escola do seu vice, porque havia uma suposta possibilidade de esse assumir metade do mandato, já que os planos de disputar o governo estavam postos. Teve estranhamento com Arthur Lira (PP) ao escolher Rodrigo Cunha (Podemos), que abriu mão da vaga no Senado para a mãe de Jota, mas depois eles se mantiveram juntos. Nada disso chegou a ser dito em público, os movimentos foram acompanhados com medidas oficiais, como entregas de cargos.

Entre 2024 e 2025, uma reunião que culminou na escolha da tia de JHC, Marluce Caldas, como ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), levantou dúvidas sobre a permanência do prefeito de Maceió no PL (partido do ex-presidente Bolsonaro), e até sobre abrir mão de ter candidatura em 2026. Mas até agora nada disso se confirmou.

Em setembro deste ano, o vereador Kelmann Vieira (MDB), líder do governo na Câmara Municipal, declarou que JHC seria candidato ao governo. A informação não foi confirmada nem desmentida, mas em novembro o prefeito publicou um vídeo institucional com algumas realizações de sua gestão, e com as sugestivas frases “tá na hora de Alagoas olhar para a frente”, e “esse jeito da gente trabalhar pode chegar para toda Alagoas”.

Kelmann Vieira tem sido um dos aliados de JHC que mais intensifica tanto nas redes sociais quanto nas ruas que o prefeito de Maceió será candidato ao governo em 2026. O parlamentar foi escolhido por JHC para ser líder de sua administração no Poder Legislativo.

Paulo Dantas reforça apoio ao nome do ministro para o governo

Se há uma previsão de uma disputa eleitoral gigante pelo Governo de Alagoas em 2026 - com Renan Filho e JHC no páreo -, o que se desenha no cenário atual envolvendo os atores políticos é que a balança pese mais para o lado do ex-governador. Do lado de JHC, o silêncio sobre candidatura tem sido predominante.

O governador Paulo Dantas (MDB) garante que está ao lado de Renan. “O governador reafirma seu apoio ao pré-candidato ao Governo do Estado, Renan Filho, e ao pré-candidato à reeleição para o Senado e presidente do MDB em Alagoas, Renan Calheiros”, informou à Tribuna Independente através de nota.

Sem planos de se candidatar no próximo pleito, Dantas garante que vai até o final do mandato. “O governador Paulo Dantas mantém, de forma clara e reiterada, a posição manifestada ao longo de todo o ano: cumprirá integralmente o seu mandato à frente do Governo de Alagoas até o final”.

Além de garantir que fica no governo até o final do mandato, Dantas destaca preparação do MDB para as urnas (Foto: Sandro Lima)

Paulo Dantas enaltece sua relação com o MDB, que diz integrar desde o início de sua trajetória política. “Tendo pertencido a um único partido ao longo de sua vida pública, e segue firme no projeto político que, há mais de dez anos, vem transformando Alagoas. Os resultados são objetivos e comprovados: Alagoas é hoje referência nacional no combate à pobreza e à fome, registra os menores índices de desemprego e alcançou os menores níveis de violência de sua série histórica. A história recente de Alagoas se divide entre o antes e o depois das gestões do MDB — fruto de trabalho sério, planejamento consistente e compromisso permanente com o povo alagoano”.

Na mesma linha, o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) disse à Tribuna que vai apoiar as decisões do grupo dos Calheiros. “Veja só: a questão nossa aqui no Estado é a seguinte. O PDT, em tese, não está colocando um nome para governador. A ideia é que o nome saia do grupo. E, majoritariamente, hoje a gente percebe, pela federação e pelos outros partidos, que o nome que está sendo cogitado dentro do nosso grupo é o de Renan Filho. Essa é a tese, e esperamos que esse nome saia dali. Só teríamos candidato ao governo se, teoricamente, tivéssemos o apoio desse grupo com o qual estamos trabalhando, está certo? Então, essa é a nossa visão com relação ao Governo do Estado”.

Lessa, que já foi governador de Alagoas por dois mandatos, mantém abertas as possibilidades para outros cargos, mas só se Dantas ficar no Governo.

“Olha, candidatura própria nossa, essa tese, só existiria se, efetivamente, o governador ficar no mandato e não se afastar. Ele já colocou várias vezes essa possibilidade de concluir o mandato. A partir daí, nós ficamos com mais liberdade e também com a necessidade de ajudar a montar uma chapa proporcional, tanto para deputado estadual quanto para deputado federal, ou então para o Senado. Por que o Senado? Se a gente mantiver essa linha de que já existe um candidato a governador, onde estaria a possibilidade de disputar? São duas vagas para o Senado. É mais lógico, então, que a gente possa disputar o Senado, o que contribuiria também nacionalmente, já que o Senado hoje precisa de posições mais progressistas. Aqui em Alagoas, eu acho que seria interessante, também, que a gente colocasse o nosso nome à disposição”, informou à reportagem da Tribuna Independente.

SILÊNCIO COMO

ESTRATÉGIA

Apesar de algumas declarações isoladas de vereadores da base aliada, a postura mais forte do grupo ligado a JHC é de evitar declarações diretas. O deputado federal Arthur Lira (PP), que atualmente preside em Alagoas a federação que engloba União Brasil e PP, não fala diretamente sobre o cenário. Ele tem percorrido o estado em pré-campanha ao senado, e apresentando o filho Álvaro Lira (PP) para ocupar sua cadeira na Câmara Federal. Ele aparece ao lado de JHC em alguns vídeos, deixando no ar que a aliança segue, mas não faz falas diretas sobre governo, por exemplo. Nossa reportagem entrou em contato através de sua assessoria, mas até o fechamento dessa edição não obteve retorno.

Disputa acirrada pelo voto de eleitorado no próximo ano ainda não é sentida

Para o cientista político Ranulfo Paranhos, o cenário eleitoral em 2026 não aponta para algo tão acirrado assim. Ele elenca vários fatores que, na sua avaliação, deixam JHC (prefeito de Maceió, PL) em desvantagem.

“Vamos considerar quais são as variáveis importantes para uma campanha política. A primeira delas são recursos financeiros. O MDB de Alagoas tem os recursos financeiros para conduzir uma campanha sem contar que é uma campanha de continuação, ou seja, tem a máquina do Governo do Estado. Então isso conta para o Renan Filho versus a máquina da prefeitura. Então é uma máquina muito maior a do Governo do Estado do que a máquina da prefeitura. A máquina do governo do estado é estadual, então ela tende a estabelecer alianças contatos com todos os prefeitos. Então eu posso fazer promessas aos prefeitos do estado inteiro. A máquina pública da prefeitura municipal de Maceió é circunscrita à prefeitura de Maceió”.

A lealdade ao partido, na visão de Paranhos, também influencia. “O segundo ponto diz respeito a homem de partido. Renan Filho é de um partido político com o maior grupo, a maior quantidade de nomes de políticos com cargos e mandatos. Então eu acho que as últimas contas, deve estar em torno de mais de 60% das prefeituras do Estado de Alagoas pertencem ao arco de aliança do MDB. Então aí entra o MDB de verdade, e prefeituras que não são do MDB mas que são aliadas de Renan Calheiros, o grande cabo eleitoral do Renan Calheiros Filho. Então essa é uma questão”.

Paranhos critica a trajetória do prefeito. “Do outro lado, nós teríamos um JHC, que se você me perguntar hoje eu vou ter dificuldade de dizer em que partido ele está, ou se você perguntar na rua. Porque é alguém que foi PSB, que foi PL, que quer ir para o PSD. É um grande partido, mas veja me parece que todos os políticos que fizeram brincadeiras de dança de cadeiras, em algum momento eles passam a ser desacreditados. Então lá atrás o JHC era de um partido extinto chamado Prona, PTN. Aí ele sai migrando de um lado para o outro. Por que eu estou falando isso? Porque o partido político importa. Pertencer a um partido, construir junto com o partido. Veja, o Arthur Lira tem uma identidade partidária. E essa identidade partidária é o PP é o Progressistas. O Renan Calheiros tem uma identidade partidária. Renan Filho tem uma identidade partidária”.

Com tudo isso, o cientista político aposta em uma eleição tranquila para os Calheiros. “Eu falei tudo isso porque eu estou tentando argumentar com você que eu não sei se será acirrada, acho cedo pra dizer isso, e acho improvável. Agora, posso morder a língua. Eventualmente, você pode ter uma campanha muito mais profissionalizada ou mais criativa, com elementos que vão trazer alguma novidade e isso cai no gosto popular. É um fenômeno fácil de acontecer.”