Política

17 de abril de 2021 11:25

CPI tende a aumentar força política de Renan Calheiros

Governo Bolsonaro ainda tenta atravancar a indicação do senador alagoano por acreditar em riscos

↑ Senador Renan Calheiros tem sido oposição a Jair Bolsonaro e seu nome está fortalecido entre os senadores, porém encontra uma série de resistências na bancada aliada do governo federal (Foto: Agência Senado)

 

A indicação do senador Renan Calheiros (MDB) para a relatoria da CPI da Covid-19 no Senado põe o parlamentar alagoano no centro dos holofotes políticos. Crítico ao governo Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-presidente do Congresso Nacional se intitula como independente, mas seu nome como relator da Comissão que irá apurar se houve omissão ou não do Governo Federal no combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil não agradou o Palácio do Planalto. Para a cientista política Luciana Santana, esta é uma oportunidade de o senador alagoano ganhe mais fora política em Brasília.

“Primeiro, eu considero que ele tem uma projeção política bem consolidada, né? No cenário político nacional, Renan é um dos principais nomes que tiveram influência no cenário político em diferentes governos”, pontua. “Mas no início da legislatura anterior, houve uma repercussão negativa em relação ao processo eleitoral [do Senado] e ele saiu derrotado. Mesmo ele tirando sua candidatura, ele saiu derrotado naquele momento. Eu acredito que agora ter a relatoria em suas mãos, é a chance de ele voltar a ter uma visibilidade nacional”, completa a cientista política.

Ainda de acordo com sua análise, Renan Calheiros deve buscar que as investigações da CPI da Covid-19 no Senado ocorram sem grandes interferências, até mesmo por ele se portar como independente – nem situação, nem oposição ao governo Bolsonaro.

“Mesmo ele falando que é independente, que se considere como independente, mas em alguma medida ele é um grande crítico do atual governo, então é a oportunidade de ele se destacar, já que há uma demanda social, demanda política para que essas investigações, que vão ser levadas a cabo no âmbito dessa Comissão, ocorram da melhor forma, e que a gente tenha respostas as respostas sobre o que aconteceu realmente em relação ao enfrentamento. Se realmente vai se comprovar essa omissão, que é tão evidente, na opinião pública”, diz Luciana Santana.

Contudo, ela acredita que o senador terá uma postura comedida em relação às investigações. Ou seja, ao contrário do que muitos podem achar, Renan Calheiros não deve atuar como incendiário.

“Bom, Renan Calheiros é um político que conhece muito os meandros do poder, conhece seus louros e suas amarguras. Eu acredito que ele vai ponderar muito isso nesse processo e tentar, de alguma maneira, garantir uma investigação sem muita interferência, mas que realmente traga respostas sobre as ações de enfrentamento à pandemia no Brasil e em relação ao Governo Federal e ao presidente”, diz. “Então, nesse sentido, não sei dizer, efetivamente, se vai jogar totalmente. Acho que não é a postura do Renan Calheiros ser tão ofensivo, mas ele, de alguma maneira, vai incomodar o Governo. Tanto que já na sua indicação, o Governo não ficou feliz com o resultado”, completa Luciana Santana.

ALIADOS NA RELATORIA

O Planalto ainda trabalha para emplacar aliados na presidência e na relatoria da CPI da Covid. Como é minoria no colegiado, o governo sabe que são pequenas as chances de conseguir um dos dois postos. Os preferidos pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir as funções são os senadores Eduardo Girão (Podemos-CE) e Marcos Rogério (DEM-RO).

O cenário, porém, é adverso. Como o Congresso em Foco informou, pelo acordo firmado até o momento a relatoria caberá a Renan Calheiros (MDB-AL) e a presidência, a Osmar Aziz (PSD-AM). Autor do requerimento de criação da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), deverá ser o vice-presidente.

Renan e Randolfe fazem oposição a Bolsonaro, enquanto Aziz se autodeclara independente. A principal resistência do Planalto é à indicação do emedebista. O comando da comissão será definido na próxima semana, em votação secreta e presencial.

Girão afirmou na sexta-feira (16) ao Congresso em Foco que se colocou à disposição para assumir um dos dois cargos. O senador é autor do pedido que ampliou o escopo das investigações para que o repasse de dinheiro a estados e municípios também seja apurado.

O parlamentar evitou criticar os nomes dados como certos para o comando do colegiado e insistiu que a definição vai nortear qual será a “cara” da CPI. “Eu espero que seja um perfil independente, e que se possam investigar a União e as centenas de bilhões de reais enviados a estados e municípios […] A população não quer parte da verdade. A população quer toda a verdade”, afirmou.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Amaral, com Congresso em Foco

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