Política

27 de outubro de 2020 08:17

Arthur Lira quer prioridade na eleição municipal

Presidente nacional do Progressistas dá sinal verde para que o deputado alagoano dispute a presidência da Câmara Federal

A eleição para presidência da Câmara dos Deputados irá ocorrer apenas em fevereiro de 2021, mas o nome do deputado federal Arthur Lira (Progressistas), líder do Centrão no parlamento, ganha cada vez mais força para se tornar o nome para ocupar a cadeira que hoje é de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira teria confirmado recentemente em contato com a imprensa que Arthur Lira será o nome indicado por ele e pelo partido para a presidência da Câmara. O deputado alagoano também contaria com o apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido), com quem nos últimos tempos parece ter construído uma aliança sólida.

À Tribuna, a assessoria do deputado disse que ele está focado nas eleições municipais de 2020. E acrescentou que o parlamentar já tomou conhecimento de que o presidente de seu partido, Ciro Nogueira, já comunicou ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de que o alagoano será o candidato do Progressistas à presidência da Casa, mas que não irá tratar do assunto no momento.

Arthur Lira comanda atualmente o bloco parlamentar conhecido como Centrão, que além do PP, reúne ainda PL, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, Pros e Avante. No entanto, alguns desses partidos teriam deixado o grupo.

Sua força junto ao Planalto teve mais visibilidade quando o parlamentar alagoano conseguiu a indicação de membros do grupo para cargos na administração pública em troca de apoio do Congresso para aprovar matérias do interesse da Presidência.

HISTÓRICO

Não é de agora que o nome do deputado Arthur Lira vem sendo cogitado e fortalecido para disputar a presidência da Câmara dos Deputados. Em meados deste ano, Lira conviveu com um racha no Centrão, bloco suprapartidário que ele comandava e que acabou gerando um ciúme político nas alas bolsonaristas.

“O bloco que chamam de Centrão foi criado para formar a Comissão de Orçamento. Então é natural que se desfaça”, repercutiu o deputado federal quando questionado pela Tribuna sobre o racha que houve na Câmara dos Deputados no meio deste ano.

Enquanto candidato do governo, deputado é cotado como favorito

 

A reportagem da Tribuna consultou a cientista política Luciana Santana para saber se a influência de Arthur Lira com Bolsonaro, mas ainda com uma forte rejeição entre os pares dele na Câmara dos Deputados pode atrapalhar sua projeção de ser o presidente da Câmara.

Ela ressaltou que pelo fato da eleição da Mesa Diretora acontecer apenas em fevereiro de 2021, ainda é cedo para dizer se Arthur Lira tem chance ou não na disputa.

“Ele [Arthur Lira] sai como o candidato favorito do governo isso sem sombra de dúvidas. Por mais que ele tenha rejeição, o presidente junto com outros aliados vai tentar reverter isso para fazer com que ele seja eleito. E o que vai direcionar muito esse comportamento ou articulação se for o caso como os líderes partidários aí do governo se saíram na eleição deste ano em termos de força, por exemplo, o desempenho dos candidatos apoiados Arthur Lira aqui em Alagoas ou mesmo outros nomes ligados a ele em outros estados. Isso acaba contando e até a própria ligação com outras lideranças que são do partido”.

BRIGA PELA COMISSÃO

As votações no plenário da Câmara dos Deputados estão paralisadas. Em ritmo lento desde o início de setembro por conta do foco dos deputados nas eleições municipais, os trabalhos legislativos estão agora ainda mais fora da prioridade por conta de uma disputa entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o líder do PP, Arthur Lira (AL), pela indicação para o comando da Comissão Mista de Orçamento (CMO).

A queda de braço pela comissão antecipa um embate que deve se repetir em fevereiro de 2021, quando haverá a eleição para o sucessor de Maia na presidência da Câmara. Lira tem agido para tentar conseguir o posto e Maia pretende apoiar um aliado, como os deputados Baleia Rossi (MDB-SP) ou Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Pelo acordo firmado no início do ano, o presidente da CMO seria o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), que tem o apoio de Maia e do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Com a saída de DEM e MDB do bloco majoritário da Câmara, Lira tenta indicar outro nome para a presidência da comissão: a deputada Flávia Arruda (PL-DF).

O deputado do PP já chegou a obstruir os trabalhos do plenário por conta da não  instalação da CMO. Além dele, a oposição também obstruiu porque queria votar e modificar a Medida Provisória  1000/2020, que estende o auxílio emergencial com o valor de R$ 300 até dezembro. O governo trabalhava para que a MP não seja votada e perca a validade, já que os quatro meses de duração do texto já são suficientes para que o benefício dure até dezembro. A oposição não aceita a estratégia e quer elevar o auxílio para R$ 600, valor que era pago até agosto.

De acordo com aliados do presidente do Congresso, isso aconteceu porque o líder do PP, deputado Arthur Lira, elaborou uma estratégia para que a deputada Flávia Arruda tivesse mais apoio. (com Congresso em Foco)

Fonte: Tribuna independente / Carlos Victor Costa

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