Política

17 de outubro de 2020 08:30

Ex-prefeitos tentam voltar ao cargo em 30 cidades

Fenômeno é comum, mas depende se o postulante não caiu no ostracismo da elite política

↑ Eleitores alagoanos que irão às urnas este ano já estão convivendo com candidatos que exerceram mandatos de prefeito em anos anteriores (Foto: Edilson Omena / Arquivo)

Em um levantamento feito com base nos dados disponíveis no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), DivulgaCand 2020, a reportagem da Tribuna apurou que os eleitores de 30 municípios alagoanos estão se deparando com antigos conhecidos das urnas na eleição deste ano que irão tentar retornar ao comando das prefeituras.

Em Arapiraca, os eleitores terão como opção, o ex-gestor do município e atualmente vice-governador do estado, Luciano Barbosa (MDB), que apesar de estar no meio de uma disputa interna dentro do partido, o que pode fazer sua candidatura ser indeferida, mantém firme sua campanha. Luciano foi eleito prefeito em 2004 e reeleito em 2008.

Nos municípios de Feira Grande e Lagoa da Canoa, os irmãos Veridiano Almir (MDB) e Jairzinho Lira (PRTB) tentam retornar à administração dos respectivos municípios.

Veridiano foi eleito em 2012, mas acabou sendo derrotado em 2016 quando tentava a reeleição. Já Jairzinho saiu vitorioso nas duas eleições que disputou para prefeito, em 2004 e 2008. Ele ensaiou uma candidatura em 2016, mas acabou colocando a esposa que foi derrotada. Atualmente, Jairzinho é deputado estadual.

Limoeiro de Anadia, por exemplo, terá um embate interessante. O ex-prefeito Marlan Ferreira (PP) que ganhou as eleições de 2008 e 2012 no município tenta voltar a administrar Limoeiro e a disputa será contra o seu ex-secretário e braço direito, Marcelo Rodrigues (PSB).

No município de Água Branca, Zé de Dorinha (MDB) vai tentar mais um mandato. Ele foi eleito prefeito em 2008, mas acabou renunciando da candidatura de reeleição quatro anos depois. Sua esposa Albani Sandes foi para a disputa em seu lugar e foi eleita. Ela não tentou a reeleição.

Em Anadia, Paulo Dâmaso (MDB), que se tornou prefeito em 2015, após uma ação judicial contra José Augusto (Cidadania) que tinha sido eleito em 2012, foi para a reeleição em 2016, mas acabou sendo derrotado. Ele volta a tentar um mandato no município nesta eleição.

Na cidade de Branquinha, quem vai tentar mais um mandato é Neno Freitas (MDB). Ele foi prefeito do município entre os anos de 1997 e 2003. Tentou ser vereador em 2008, mas teve sua candidatura indeferida.

TROCO

Em Cajueiro, Lucila Toledo (Podemos), que venceu as eleições de 2012, mas acabou perdendo quatro anos depois quando disputou a reeleição tentará dar o troco em seu opositor Palmery Neto (MDB) que saiu vitorioso no pleito de 2016.

Praticamente na mesma situação aparece o município vizinho, Capela, onde Eustaquinho Moreira (Podemos) vai tentar mais um mandato contra Adelminho Calheiros (MDB). O embate entre os dois ocorre desde a eleição de 2012. Naquela ocasião, Eustaquinho saiu vitorioso, mas quatro anos depois perdeu o mandato para Adelminho.

Quem também vai tentar reverter o resultado obtido em 2016 é Ricardo Paranhos (MDB) em Jaramataia. Ele disputou a reeleição naquele ano contra Jefferson Barreto (PSB) e saiu derrotado. Agora tentará dar o troco.

Outro ex-prefeito que também foi derrotado em 2016 e tentará retomar o mandato é Marcos Madeira (MDB) em Maragogi. Há quatro anos ele foi derrotado pelo atual gestor, Sérgio Lira (PP). Marcos foi eleito prefeito em 2004 e 2008 no município.

Do mesmo modo aparece Suzy Higino (PP) em Olho d’Água Grande. Ela foi eleita em 2012, perdeu a reeleição em 2016 e quer retornar à administração do município a partir de 2021.

Quem foi derrotado após um mandato tenta dar o troco nas urnas

Cinco municípios terão o retorno de velhos conhecidos da população nesta eleição são Coqueiro Seco, Flexeiras, Igaci, Pão de Açúcar e Passo de Camaragibe.

Tadeu Fragoso vai para sua quinta disputa pela prefeitura de Coqueiro Seco. Ele saiu vitorioso em duas delas: 2008 e 2012. Já em Flexeiras, Silvana (PP) tentará sua quarta vitória. Ela foi eleita em 2000, 2008 e 2012. Em Igaci, Petrúcio Barbosa (PTB) vai tentar sua terceira vitória. O petebista venceu em 2000 e 2004. Ele ainda disputou as eleições de 2016, mas acabou derrotado. Em Pão de Açúcar, Jorge Dantas irá tentar o quarto mandato. Ele venceu as eleições no município em 1996, 2000 e 2012. No Passo de Camaragibe, Marcia Coutinho (MDB) vai para sua quinta disputa, com êxitos em 2004 e 2012 e sendo derrotada em 2008 e 2016.

No município de Olivença o ex-prefeito de dois mandatos, Veio Duca (MDB) quer conquistar o terceiro mandato na eleição deste ano. Ele administrou Olivença de 2009 a 2016. Já em Ouro Branco é Atevaldo Cabral (MDB), que quer voltar a ser prefeito. Ele ganhou duas eleições no município: 2008 e 2012.

Moacir Vieira (MDB) irá em busca do seu terceiro mandato em Pariconha. Ele venceu as eleições de 2004 e 2008. Tentou a de 2000, mas acabou derrotado. Do mesmo modo, aparece Abraão Moura (DEM) em Paripueira. No entanto, ele foi eleito em 2008 e reeleito em 2012, voltando agora para mais uma disputa no município.

Em Piaçabuçu, Dalmo Junior (PSB) vai para a disputa novamente. Ele foi prefeito do município entre 2009 e 2016. Quem também quer voltar a ser prefeito é Antonio Carlos (PMN) em Porto Calvo. Ele tentou na eleição passada e em 2008, mas acabou sendo derrotado nas duas eleições. Antonio Carlos foi prefeito de 1982 a 1988. Já em Viçosa, Flaubert Filho (PTB) quer o terceiro mandato. Ele venceu as eleições de 2008 e 2012.

No município de Traipu, Conceição Tavares que venceu as eleições de 2008 e 2012, quer voltar a administrar a cidade. Em Teotônio Vilela, Peu Pereira também quer retomar a administração municipal. Ele também ganhou duas eleições: 2008 e 2012.

Prefeito de um mandato, 2012, George Clemente (MDB), vai tentar mais uma vez voltar a administrar o município de São Miguel dos Campos. Ele também foi candidato em 1996, 2000, 2004 e 2008, mas acabou derrotado nas quatro tentativas.

Já o Neto (PSC), saiu vitorioso em duas ocasiões em São Brás, 2008 e 2012 e quer agora o terceiro mandato como prefeito na cidade. Em São José da Tapera, Jarbas Ricardo (MDB) administrou o município de 2009 a 2016 e quer a partir de 2021 voltar ao comando local.

Espaços de poder seguem os mesmos e chamam atenção

Para o cientista político, Ranulfo Paranhos, a teoria da política chama a tentativa dos ex-prefeitos de voltar ao comando de seus respectivos municípios, de circulação das elites.

“Você tem um determinado grupo político que está num determinado momento ocupando espaços de poder, à medida que o tempo passa, obviamente num regime democrático os indivíduos vão ter que se ausentar desses espaços de poder e ocupar outros. Ou eles fazem isso via trampolim, saindo de um cargo menor para um maior ou no sentido inverso. Mas a grande questão aí é que há uma circulação. Em um dado momento político são substituídos por outros. Os espaços de poder continuam os mesmos, ou seja, as cadeiras tanto de prefeito quanto a de vereador, deputado, elas continuam as mesmas, a diferença maior é que os indivíduos que ocupam elas, ocupam por tempo determinado e quando eles perdem elementos que os tornam interessante para o modelo democrático eles são substituídos”.

Paranhos cita o caso do ex-prefeito de Maceió, Cícero Almeida, que é candidato mais uma vez a prefeito da capital do estado.

“Quando a gente tem uma circulação das elites, figuras como o Cícero Almeida têm uma dificuldade imensa de se reencaixar dentro da elite política. Veja que ele não conseguiu sequer se eleger deputado estadual. Ele pode voltar, ocupar espaço novamente? Pode. Mas nesse momento nessas duas últimas rodadas, eleição para prefeito em 2016 e para deputado em 2018 ele entrou num nível de desgaste. Ele perdeu o que a teoria chama de resíduos ou qualidades para ocupar os espaços de elite, consequentemente alguém ocupou aquele espaço. Não existe vácuo de poder”.

Ranulfo avalia que alguns candidatos que tiveram êxitos em 2004 e 2008 não desapareceram do cenário político e por isso agora tentar retomar seus mandatos.

“Esses nomes que ocuparam espaços de prefeitos entre 2004 e 2008 estão voltando agora, mas é bom lembrar que aí pelo menos já citar aqui três nomes: Cícero Almeida, Ronaldo Lessa e Luciano Barbosa não desapareceram completamente nesse intervalo. O Cícero foi deputado federal, o Ronaldo Lessa foi deputado federal. O Luciano está voltando como vice-governador. Eles perderam espaço, mas o Ronaldo e o Cícero, dentro da circulação dessas elites políticas não desapareceram completamente. A maioria deles perde espaço porque é característica da política que elite circule e substitua os indivíduos. Mas os outros podem continuar insistindo, tentando. Alguns deles vão lograr sucesso”.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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