Política

26 de setembro de 2020 08:38

Braskem: candidatos à Prefeitura de Maceió querem mudanças

Tribuna procurou os 10 postulantes à Prefeitura de Maceió para saber como agirão com a mineradora, caso sejam eleitos

↑ Gaspar, Davino, Valéria e Cícero criticam atuação da Braskem em Maceió e garantem ações se eleitos (Fotos: Edilson Omena, Ascom ALE e assessorias)

Um dos maiores impactos ambientais de Maceió, o ‘afundamento’ de quatro bairros da cidade Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto, decorrente da mineração de sal-gema realizado pela empresa do ramo petroquímico, a Braskem, deverá ser um dos principais temas de debate eleitoral entre os candidatos à Prefeitura da capital do estado.

Ainda mais depois de a Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizar a Braskem a atuar em outro bairro de Maceió, Ipioca, localizado na região do Litoral Norte.

Os candidatos à Prefeitura de Maceió falaram à Tribuna Independente como pretendem agir em relação à empresa caso sejam eleitos em novembro.

ALFREDO GASPAR

Alfredo Gaspar (MDB) disse que pretende responsabilizar, via ação judicial promovida pelo Município de Maceió, a Braskem pelos graves danos causados à população e à cidade.

“Esse é um compromisso assumido no meu Plano de Governo já encaminhado à Justiça Eleitoral. Também vou exigir celeridade no pagamento das indenizações à população atingida, principal prejudicada pelo desastre”.

DAVI DAVINO FILHO

Davi Davino Filho (PP) avalia que os problemas decorrentes da “desastrosa” extração de sal em área urbana de Maceió foram tão graves que produzem efeitos na cidade como um todo.

“A prioridade absoluta é cuidar das pessoas atingidas, cobrando urgência nas indenizações de quem necessita de um novo teto e apoiando os empreendedores prejudicados”.

VALÉRIA CORREIA

A ex-reitora da Ufal, Valéria Correia (PSOL) acredita que é preciso pensar não apenas nas indenizações por danos materiais e morais, mas também na proteção das pessoas atingidas e na recuperação das áreas afetadas.

“Acompanharemos isso de perto e não fecharemos os olhos para essa questão. diferente de outros candidatos, nunca recebi financiamento de campanha da Odebrecht”.

CÍCERO FILHO

Já Cícero Filho (PCdoB) foi categórico ao afirmar que se eleito não permitirá que a Braskem faça o que bem entender com a população de Maceió.

“Quanto à questão de Ipioca, seria um absurdo e continuarmos cometendo o mesmo erro. Aquela é uma região em expansão, daqui a alguns anos poderemos ter a mesma tragédia”.

“População primeiro”, resumem postulantes

Ricardo, Lenilda, JHC e Campelo: pessoas devem ser prioridade (Fotos: Sandro Lima, Edilson Omena e Divulgação)

Ricardo Barbosa (PT) afirma que Maceió não pode mais estar a serviço de pessoas que têm interesses em grandes lucros em detrimento da segurança, da dignidade e da vida da população.

“Isso tem que acabar. Seja a Braskem, seja especulação imobiliária. Não estou propondo nada que seja impossível de ser feito e contrariando interesses. Obviamente a história já comprovou que a Braskem não está credenciada. Não tem mais moral nenhuma para propor continuar o seu trabalho de mineração em Maceió sem que isso cause danos à população, disse.

LENILDA LUNA

Lenilda Luna (UP) disse que está acompanhando e discutindo sobre a situação causada pela mineração da Braskem, desde que as primeiras rachaduras acenderam o alerta, em 2018.

“Durante a pré-campanha denunciamos o drama vivido pelas famílias, que foram arrancadas das suas casas e da convivência com os vizinhos de décadas. Produzimos um vídeo e realizamos uma discussão pela internet, para refletir sobre uma cidade voltada para as pessoas e não para o lucro”.

JHC

João Henrique Caldas (PSB), o JHC, entende que a atividade empresarial não pode ser criminalizada, mas crimes feitos em nome das atividades econômicas ainda são crimes.

“A Braskem é uma empresa importante, como todas são em Maceió, mas os maceioenses, em especial os moradores do Pinheiro, Bom Parto, Bebedouro e Mutange merecem respeito e Justiça. Não medirei esforços para que isso se concretize”.

CORINTHO CAMPELO

Já o candidato pelo PMN, Corintho Campelo, disse que tratará o problema da Braskem como absoluta prioridade se for eleito.

“Essa liberação da Agência acontece porque o poder está acéfalo. O governo não tem autoridade. Isso é uma ação que merece articulação com o governo federal para encontrar uma solução definitiva, já que ele tem grande responsabilidade nisso porque autorizou a exploração de sal-gema aqui há mais de 40 anos. Teriam que fiscalizar e não fiscalizam”.

SEM RESPOSTA

Procurado pela reportagem da Tribuna Independente, o candidato pelo Democracia Cristã (DC), Cícero Almeida, informou que até encaminhar o seu plano de governo e oficializar sua candidatura perante o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não concederia entrevistas. Já Josan Leite, do Patriotas, não retornou as mensagens até o fechamento desta edição.

 

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Victor Costa

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