Política

25 de junho de 2019 19:46

Assembleia Legislativa apoia a greve dos jornalistas alagoanos

Encabeçados pela deputada Ângela Garrote (PP), 13 deputados foram unânimes em defender o pleito da categoria e consideraram indecente a proposta feita pelas maiores empresas de comunicação do Estado

↑ Deputada Ângela Garrote (PP) (Foto: Assessoria)

Com a presença de 22 parlamentares, a plenária desta terça-feira, 25, foi marcada por discursos em apoio ao movimento grevista dos jornalistas alagoanos, que lutam contra a redução do piso salarial da categoria. Encabeçados pela deputada Ângela Garrote (PP), 13 deputados foram unânimes em defender o pleito da categoria e consideraram indecente a proposta feita pelas maiores empresas de comunicação do Estado, de cortar em 40% o piso dos jornalistas. Com isso, o Parlamento alagoano abraça a causa dos profissionais da imprensa.

Ainda na tarde de hoje, a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga esteve no Parlamento alagoano, onde concedeu entrevista ao programa Frente a Frente, da TV Assembleia e logo em seguida foi recebida pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Victor (Solodariedade).

Em aparte ao pronunciamento de Ângela Garrote, o deputado Davi Maia (DEM) disse que sua posição é totalmente contrária à redução salarial da categoria, considerando-a, além de tudo, ilegal. “Que se chame os jornalistas, que se desenvolva um novo modelo de jornalismo em Alagoas, mas não podem os três maiores grupos empresariais do Estado querer ditar agora a redução salarial, até porque ela é ilegal. Nenhum juiz do mundo homologaria um acordo desse”, declarou Maia.

O deputado Francisco Tenório (PMN) observou que o piso salarial dos jornalistas – R$ 3.565,27 – já é pequeno e não vê justificativa para querer reduzi-lo em 40%. “Sem querer interferir na iniciativa privada, nem nos entendimentos entre a categoria e os empresários da comunicação, mas entendemos que o piso salarial do jornalista é pequeno e precisa melhorar, jamais reduzir”, avaliou Tenório. Na mesma linha, o deputado Davi Davino Filho (PP) fugiu ao protocolo cumprimentando a todos os parlamentares em nome dos seus assessores de imprensa e demonstrou toda sua indignação com a proposta apresentada pelas empresas de comunicação. “Nós não podemos interferir na iniciativa privada, mas claramente podemos demonstrar total apoio aos jornalistas que tanto lutaram para hoje conseguir um salário que lhes dê condições de realizar um trabalho com dignidade”, destacou Davino.

Outro que se posicionou em defesa da classe jornalística foi o deputado Inácio Loiola (PDT). “Não podemos ter democracia sem uma imprensa livre. Estou extremamente solidário aos jornalistas. Precisamos de ponderação entre as empresas de comunicação e os profissionais de jornalismo do nosso Estado”, disse o parlamentar, se solidarizando com a categoria.

Para a deputada Cibele Moura (PSDB), quem sai perdendo com esse embate entre patrões e jornalistas é a sociedade. “Estamos vendo essa greve, que está sendo realizada de forma pacífica, completamente legítima. É um absurdo a redução dos 40%. E quem está perdendo com a redução não é o jornalista alagoano, é a democracia”, observa Cibele.

O deputado Léo Loureiro (PP) disse que não se pode colocar a culpa da crise sobre os trabalhadores da comunicação, que é a parte mais fragilizada nesse processo. “O que não pode é matar toda uma profissão e jogar à míngua, como se os profissionais não tivessem feito um trabalho digno e relevante para toda sociedade”, declarou Loureiro se solidarizando com os grevistas.

A deputada Flávia Cavalcante (PRTB) parabenizou a deputada Ângela Garrote pela iniciativa em defesa da causa dos jornalistas, a qual considerou justa. “Reduzir o piso salarial em 40% não impacta somente na renda familiar desses profissionais, mas, sobretudo, na desvalorização dessa categoria que é a voz da sociedade”, disse a deputada.

Assim como os demais colegas de plenário, o deputado Cabo Bebeto (PSL) considerou a causa justa e observou que as empresas estão discutindo redução de piso e não o teto salarial. “Como vai tirar o chão? Como vai reduzir o que já é mínimo? O empresário ao invés de melhorar sua empresa, trazer mais cliente, vai reduzir o salário de seus funcionários”, declarou o parlamentar.

O deputado Sílvio Camelo (PV), que também é jornalista, considerou muito difícil a situação da categoria e se solidarizou com a causa. “Faço votos de que possamos encontrar uma solução que venha a contemplar, principalmente, os profissionais da área”, disse.

Assim como Sílvio Camelo, o deputado Galba Novaes (MDB) também é jornalista e disse que vê com tristeza toda a situação pela qual passa os profissionais de imprensa de Alagoas. “Quero dizer que estamos solidários, entrelaçados harmoniosamente para que isso (redução salarial) não aconteça”. Para Novaes esse é o momento de mostrar aos empresários a importância do profissional de comunicação para a sociedade.

De acordo com o deputado Ricardo Nezinho (MDB) a redução de 40% do salário dos jornalistas é inadmissível, especialmente nesse momento em que se vivencia, através das redes sociais, um grande número difusão de fakenews (notícias falsas). “Isso faz com que haja uma desvalorização da categoria, onde se precisa como nunca do bom jornalismo”, alerta o parlamentar.

O deputado Marcelo Beltrão (MDB) se colocou favorável à luta da classe jornalista e pediu que a categoria não abra mão de seus direitos e conquistas. Ele observou que o tema encontra apoio unânime de todos os parlamentares. “As empresas de comunicação, acredito que por um ato que não merece nenhuma referência, quer diminuir o piso. E me parece que o Sindjornal já cedeu no que estava acertado dentro do dissídio, em não corrigir pela inflação”, observou se colocando à disposição da categoria.

Explicações pessoais

Também em discurso a deputada Jó Pereira (MDB) se colocou contra a redução do piso salarial dos jornalistas e destacou que uma imprensa livre e forte foi e será sempre um dos pilares da democracia. Para ela, fragilizar o jornalismo é, de certo modo, emudecer um pouco a voz de toda a sociedade, abafar o eco dos gritos dos mais necessitados e permitir que erros, injustiças e crimes perpetuem com mais comodidade.

“Temos que estar alertas. É preciso construir pontes, sob pena de cairmos todos em abismos, não permitindo assim a construção segura da valorização do ser humano e de mais oportunidades para todos, ficando amarrados a práticas não mais condizentes com a realidade do mundo inteiro”, afirmou.

Jó Pereira reforçou a importância das pontes que, para ela, são vitais no exercício dos novos tempos. “O abrupto ineditismo de uma proposta de redução de 40% do piso de uma categoria, com certeza, não é construção de pontes. Qualquer redução salarial, qualquer mudança negativa em patamares anteriormente conquistados, sem pontes, será sempre rechaçada. Entendo que pontes se constroem com muito diálogo, realismo, e com a apresentação de dados e fatores socioeconômicos. Não me surpreende e nem precisa dizer, que os jornalistas rechaçam 100% a proposta, até o presente unilateral”, disse a deputada.

Por fim, Jó Pereira se solidarizou com os profissionais de comunicação de Alagoas e lembrou que a luta não é só dos jornalistas, é de toda a sociedade em exercitar de forma prática, construtiva e sustentável, o novo tempo, as novas formas profissionais e de relacionamento. “Caso colocada em pratica unilateralmente e até judicialmente, tal redução, de 40% abre um precedente que não podemos admitir como positivo na construção sólida dos novos tempos, não só aqui em Alagoas, mas em todo o país. Contem conosco e com essa Casa nesta batalha pela construção de pontes”, concluiu.

Fonte: Assessoria

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