Política

22 de fevereiro de 2019 08:35

Rachaduras chegam a mais dois bairros

Grupo de vereadores que está prestes a instalar uma CEI na Câmara de Maceió visitou residências no Mutange e em Bebedouro

↑ Residências nos bairros do Mutange e Bebedouro começaram a apresentar rachaduras (Foto: Sandro Lima)

Residências dos bairros do Mutange e Bebedouro também estão com rachaduras, tal como vem ocorrendo a dezenas de imóveis no Pinheiro. A constatação foi feita ontem por um grupo de vereadores por Maceió, em visita a moradores.

A constatação amplia a complexidade do problema e joga mais questionamentos relacionados à extração de salgema pela Braskem na área lagunar dos dois bairros. Ambos estão também abaixo da parte alta onde se situa o bairro do Pinheiro, onde, além dos imóveis, as rachaduras atingem também as ruas.

No caso do Mutange e Bebedouro não houve relatos nem percepção de rachaduras nas vias públicas, mas os moradores mostraram aos legisladores que suas residências vivem o mesmo processo dos vizinhos do Pinheiro, onde tudo começou também com pequenas rachaduras em casas.

No Pinheiro, centenas de famílias já abandonaram suas residências, temendo que o solo ceda, uma vez que mutas fendas também já surgiram no bairro. Os estudos realizados por técnicos da prefeitura, Estado e órgãos federais até agora não apontaram as causas, o que tem contribuído para o surgimento de várias especulações.

Essas rachaduras sugerem que os mesmos riscos dos moradores do Pinheiro também existem para o Mutange e Bebedouro, e que as autoridades devem, a partir de agora, dar aos habitantes da parte baixa também exposta a riscos o mesmo tratamento dos vizinhos de cima. E devem também admitir a extensão do problema e apressar a identificar as causas e apontar soluções.

Para o vereador Francisco Sales (PPL), um dos integrantes da comissão que visitou moradores do Mutante e Bebedouro e constatou as rachaduras, os trabalhos de extração de salgema realizado pela Braskem podem estar diretamente ligados ao problema.

“Foram oito meses de silêncio e agora nos últimos quatro meses a busca por respostas aumentou. Agora não são só os moradores do Pinheiro que estão com problemas em suas residências. As rachaduras começaram a aparecer também nos bairros do Mutange e do Bebedouro, coincidentemente, bairros onde a Braskem atua”, afirmou.

O parlamentar apresentou ofício para que a Câmara de Vereadores solicitasse a paralisação, de forma preventiva, dos trabalhos de extração de salgema pela Braskem nos dois bairros.

“Não tem como manter a extração de salgema em um solo que já está danificado. A intenção não é punir a empresa, mas sim, prevenir que o problema se agrave. Precisamos dar respostas para essas pessoas, que estão tendo que deixar suas casas”, disse o vereador por Maceió.

 

Avarias apareceram nas casas após tremores no ano passado

 

 

A dona de casa Divânia Joventino, de 50 anos, mora no Bebedouro há 14 anos. Ela contou à reportagem da Tribuna Independente que reformou a casa há cerca de cinco anos e nunca teve nenhum problema parecido.

“As rachaduras começaram depois do tremor do ano passado. Em outubro, depois que pedi uma revisão do meu IPTU, mandaram um técnico da Defesa Civil e dois geólogos. Um dos geólogos sugeriu a evacuação da casa, mas eu vou pra onde?”, questionou.

O pedido do vereador Francisco Sales (PPL) para a suspensão das atividades da Braskem no bairro do Bebedouro e do Mutange tem provocado polêmicas. Composta pelos vereadores Francisco Sales (PPL), que assumiu a presidência, Luciano Marinho (Podemos)  relator, Galba Netto (MDB), Zé Márcio Filho (PSDB) e Silvânia Barbosa (PRTB) um dos objetivos da CEI é combater as informações falsas (fake news) e melhorar a comunicação com a comunidade.

Siderlane Mendonça (PEN) lembra que o papel da Câmara é investigar e buscar as informações necessárias para a população.

“Ninguém passa uma informação mais concreta até mesmo para nós vereadores, então a importância da CEI é verificar quem são os culpados, apurar os fatos e trazer tranquilidade para os moradores daquela região”.

Chico Filho (PP) diz que a CEI é um instrumento para que os vereadores tomem conhecimento da situação porque nenhum deles têm conhecimento técnico para apurar as causas dos problemas geológicos do Pinheiro.

“Nós temos 52 geológicos em Maceió trabalhando há cinco meses e até agora não tem resposta e não é a CEI que vai tê-la”, comentou.

E muito claramente, ele diz que a Comissão ao tomar conhecimento dos fatos e se houver a indicação de culpados caberá a Câmara fazer a cobrança junto as autoridades a responsabilização deles, “não mais do que isso”, afirmou.

O líder do governo, Samyr Malta (PSDC) reconhece a legitimidade da Comissão e acredita que ela é o instrumento que vai ajudar a Casa para dar as respostas para a população do bairro.

Quem também acredita que este seja o melhor instrumento para tranquilizar a população é a vereadora Fátima Santiago (PP). “O efeito está aí visível, o que precisamos é procurar as causas. A CEI tem o papel de fiscalizar o trabalho que tem sido feito pelos órgãos”.

 

 

Fonte: Tribuna Independente

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