Política

26 de janeiro de 2019 11:28

Câmara de Maceió é acionada para criar CEI da Braskem

MCCE e Caras Pintadas protocolam requerimento para apurar envolvimento da indústria nos problemas gerados no Pinheiro

↑ Fernando CPI preside em Alagoas o PPBR, que aguarda análise do TSE para disputar as eleições (Foto: Edilson Omena)

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), existem no Brasil 35 partidos políticos registrados e 75 em formação. Entre eles está o Partido Popular Brasileiro (PPBR) que é presidido em Alagoas por Antônio Fernando da Silva, o Fernando CPI. A legenda deve obter seu registro provisório nos próximos meses, o que lhe dará a possibilidade de disputar as eleições de 2020. Segundo Fernando CPI, o PPBR terá candidatos a prefeito no estado, inclusive em Maceió, mas está aberto à formação de coligações. Também coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) em Alagoas, ele adianta ter dado entrada na Câmara de Maceió (CMM) com um pedido para criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) com o objetivo de apurar a responsabilidade da Braskem nas rachaduras do bairro Pinheiro.

 

Tribuna Independente – Qual é a linha ideológica do PPBR, como ele se configura dentro do espectro partidário brasileiro?

Fernando CPI – No momento de ebulição que o país está vivendo, várias pessoas de todos os recantos do Brasil se reuniram e decidiram fundar um partido. Um de centro, nem de direita nem de esquerda, e que consiga manter um relacionamento diferente com a sociedade, de honestidade, ética e lisura com os recursos públicos. O que o PPBR preza? A sustentabilidade, geração de emprego e renda, a família e inserir – de novo – a juventude no ambiente político, para que ela venha participar da vida pública.

Tribuna Independente – Como está o processo de legalização do partido, as assinaturas já foram recolhidas?

Fernando CPI – Já foi dada entrada no Tribunal Superior Eleitoral e o processo está com o ministro Dias Tofolli. O partido vai receber o pré-registro agora em fevereiro e no final de abril estaremos com o registro provisório. Ou seja, estaremos aptos a participar das eleições de 2020.

Tribuna Independente – A ideia é lançar candidaturas a prefeito em Maceió e no interior do estado?

Fernando CPI – Em Maceió e em todas as cidades do interior que montarmos diretórios. Vamos tentar fazer coligações, procurar os partidos que nos contatarem. Vamos lançar candidato a prefeito de Maceió e a vereador. Vamos participar ativamente do pleito de 2020.

Tribuna Independente – Em relação às coligações, há algum veto prévio a alguma legenda?

Fernando CPI – Não. Não existe veto porque o partido não é ditadura e é aberto a todos. O que for de importante para o povo de Maceió, para o povo de nosso estado, a gente senta, conversa e fecha [acordo]. Agora, a gente não vai fazer coligação com partidos de déspotas, esses de meia tigela que fazem das eleições um balcão de negócios, consegue um mandato não para servir à população, mas sim seus interesses.

Tribuna Independente – Muita gente critica a quantidade de partidos existentes no país. Para estes, isso é uma falha da democracia brasileira. Como o senhor vê essa discussão, já que está ajudando a criar um novo partido, era realmente necessário fundar mais uma legenda?

Fernando CPI – Realmente, existe uma leva de partido, mas eles não levam a lugar nenhum. Por que surgiu o PPBR? Por causa da necessidade de trabalhadores, pessoas ligadas ao comércio, advogados, desempregados, donas de casa, estudantes… O que está aí não dá mais. O pessoal troca seis por meia dúzia. Tem aquela premissa popular que diz: ‘existem dois partidos, o que está comendo e o que comer’. Os partidos que estão aí querem chegar ao poder, usam de demagogia com a população no horário eleitoral e depois de estarem no poder mostram a que vieram. Veja o PSDB ou o PT, o que fizeram ao longo dos anos? Agora mesmo, o atual presidente [Jair Bolsonaro, PSL] com suas ações decepcionando seus eleitores. Se promete uma coisa, se cumpre outra.

Tribuna Independente – Entre as pessoas que estão fundando o PPBR tem parlamentares do Congresso Nacional?

Fernando CPI – Não. Não ainda, mas existem alguns que procuraram e, assim que o partido estiver com registro, querem se filiar. Durante a janela partidária. São pessoas de vários estados da Federação.

Tribuna Independente – Caso o PPBR tivesse parlamentares no Congresso Nacional neste momento, o partido seria da base de apoio ou da oposição ao governo Jair Bolsonaro?

Fernando CPI – Como eu disse, a gente não é nem direita nem esquerda. Tudo o que vier do Governo Federal para favorecer o povo brasileiro, não retirar direitos, for bom para a população, com certeza terá o nosso apoio. Com tudo dentro da lei, respeitando a Constituição terá nosso apoio. Só não vamos concordar com medidas arbitrárias, medidas que desrespeite a legislação vigente.

Tribuna Independente – Trazendo a discussão um pouco para a outra linha de atuação sua. O senhor quer que a CMM crie uma CEI a fim de investigar o envolvimento da Braskem na situação do bairro Pinheiro. Isso já foi protocolado?

Fernando CPI – Isso não sou eu, mas um conjunto de movimentos. O Movimento Caras Pintadas e o MCCE entraram com o requerimento no último dia 21 pedindo providências urgentes à Câmara Municipal, para criar a CEI para apurar o suposto envolvimento da Braskem nos eventos de afundamento e destruição do bairro do Pinheiro. No requerimento nós acrescentamos um parecer técnico repleto de documentos. A gente espera que a CEI seja instaurada e se revele como seu a autorização para a instalação da empresa em Maceió; quem aprovou?; estudos técnicos realizados à época?; ainda na década de 1980 houve o mesmo problema de agora, que chegou a ser noticiado pela imprensa, mas não se sabe quais providências foram tomadas naquele tempo; quem liberou a licença à Braskem?; foram feitos estudos geológicos para a empresa atuar ali? E a gente pede a suspensão das atividades da Braskem aqui e que ela vá para outro local, fora da região metropolitana de Maceió. Também vamos procurar a Justiça sobre isso. O que ocorre agora não é fake news, é realidade e já foi alertado na década de 1980 e ninguém tomou nenhuma providência. Que paga o pato? O povo.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Amaral

Comentários

MAIS NO TH