Política

9 de janeiro de 2019 08:30

‘Grupo vai apoiar a governabilidade’, garante Inácio Loiola

Parlamentar considera que houve retaliação nas medidas do governador, porém os parlamentares lhe garantem apoio na ALE

↑ Inácio Loiola ressalta que não há nada contra o governo estadual (Foto: Ascom/ALE)

Apesar de o governador Renan Filho (MDB) afirmar que as recentes exonerações de sua gestão em 2018 não tem relação com a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), o deputado estadual Inácio Loiola não compreende dessa forma.

Dentro da composição política do governo Renan Filho, Inácio Loiola tinha duas indicações: Osmar Lisboa, então vice-presidente de Gestão de Engenharia da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), cunhado do parlamentar e Mellina Freitas, sua sobrinha, que ocupava o cargo de secretária de Estado da Cultura, ambos exonerados na última semana, justamente após a divulgação de uma foto que mostra 18 deputados estaduais ao lado de Marcelo Victor (SDD).

O registro demonstra um amplo apoio à candidatura Marcelo Victor pela presidência da ALE, e entre os parlamentares, estava Inácio Loiola. Renan Filho prefere que o tio Olavo Calheiros presida o parlamento.

“Não tem outra explicação a não ser retaliação. A conversa que eu tive com o governador e com o candidato do governador [Olavo Calheiros] era que eu tinha um grupo dentro da Assembleia e que só tomaria qualquer posição ouvindo esse grupo. Como esse grupo exatamente optou em apoiar Marcelo Victor, eu jamais iria tomar uma posição sem ouvir o grupo”, afirmou o parlamentar à Tribuna.

“Lamento, pois esse grupo que dá apoio a Marcelo Victor, todo esse grupo o apoiou e está predisposto a dar a ele governabilidade. Nós achamos que o melhor, nesse momento, é Marcelo Victor presidente da Assembleia Legislativa. Não temos nada contra o governo. Apoiamos e estamos predispostos a apoiá-lo no governo, pois achamos que está no caminho certo, mas as decisões da Assembleia Legislativa ficam por parte de nós”.

Além de Melina Freitas e Osmar Lisboa, foram exonerados Fernando Pereira, do cargo de secretário de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), indicado da deputada estadual Jó Pereira (MDB), sua irmã; Galba Neto, do Procon, filho do deputado Galba Novaes (MDB); e Gustavo Lopes, do Instituto do Meio Ambiente (IMA). Todos os parlamentares citados estavam na imagem que circulou nos noticiários e redes sociais, onde aparem ao lado do colega de parlamento, Marcelo Victor.

A reportagem tentou contato com os deputados Jó Pereira, Galba Novaes e Marcelo Beltrão, mas até o fechamento desta edição não obteve êxito. O prefeito de Teotônio Vilela, Joãozinho Pereira, irmão de Jó e Fernando chegou a utilizar as redes sociais para “mandar” um recado para o governador Renan Filho.

As demissões também atingiram outros dois funcionários da Casal. São eles: Francisco Beltrão, vice-presidente de Gestão Operacional; e Jorge Galvão, vice-presidente de Gestão Corporativa. Os dois eram indicados pelo deputado federal Marx Beltrão (PSD)

Marx Beltrão diz que cargos já foram entregues

 

À Tribuna Independente, o deputado federal Marx Beltrão negou que as exonerações dos cargos indicados por ele na Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) tenham relação com o apoio concedido por seu primo e deputado eleito Yvan Beltrão à candidatura de Marcelo Victor à presidência da Assembleia Legislativa.

Marx Beltrão aguarda um novo ciclo de indicações no governo (Foto: Edilson Omena/arquivo)

Marx explicou que o governador Renan Filho já havia comunicado que iria realizar algumas mudanças.

“Não houve retaliação em hipótese alguma. O deputado Yvan é estadual. Marx Beltrão é federal. Não voto na Assembleia, não tenho nada a ver com a ALE. O próprio governador me falou que iria fazer várias mudanças e que iriam acontecer em todas as esferas, inclusive no que eu já tinha indicado no primeiro governo. Ao fazer o segundo governo, no momento em que fosse refazer as composições políticas, ele me chamaria para sentar e discutir onde que eu poderia contribuir de acordo com o partido e com meu mandato em Brasília”, avaliou o parlamentar.

“Quando o Alexandre saiu, eu não quis indicar ninguém porque já entendia que a minha missão na Semarh estava cumprida, com os poços artesianos, fechamento dos lixões. Já tinha dito ao governador lá atrás, durante a campanha, que gostaria de participar com um novo ciclo. Ou seja, quando o governo federal se recompor e quando o meu partido se compusesse em Brasília, eu iria ver quais seriam as linhas que eu poderia contribuir com o Governo do Estado para aí sim sentar com ele [Renan Filho] e fazer as composições de acordo com o leque maior que eu pudesse ajudar o estado”, informou o deputado.

BASTIDORES

A reportagem da Tribuna Independente também apurou se alguns parlamentares estariam deixando o “Grupo dos 20” após as exonerações no governo estadual. Fontes consultadas pela reportagem relataram que a informação é improcedente e que o grupo se mantém unido em prol da candidatura de Marcelo Victor ao posto máximo da Assembleia.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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