Política

14 de setembro de 2018 08:36

MP recebe 1ª denúncia de “robô” na campanha

Caso será investigado pela Polícia Federal após requerimento junto ao TRE

↑ Raquel Teixeira lamenta o fato e diz que o MP Eleitoral está atento (Foto: Edilson Omena)

O uso de robôs nas redes sociais para promover ou atacar algum candidato já não é novidade no Brasil, ainda mais diante de uma sociedade cada vez mais conectada à internet. Em Alagoas, o Ministério Público (MP) Eleitoral recebeu, na quarta-feira (12), a primeira denúncia do uso desse recurso nas eleições deste ano.

A assessoria do MP Eleitoral não divulgou o nome do candidato nem o cargo ao qual ele concorre, mas relatou que a denúncia aponta que “robôs estariam sendo usados para atacar candidato alagoano, por meio de comentários agressivos em postagens de Facebook. Segundo o denunciante, os ataques estariam vindo de perfis espalhados por diversos estados brasileiros e de outros países”.

Ainda de acordo com órgão, a vítima dos ataques virtuais detectou um padrão específico em comentários, que se assemelham a formatos usados em redes de engajamento falso, já detectadas em operações policiais. O material entregue com a denúncia será investigado pela Polícia Federal após requerimento junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A procuradora Regional Eleitoral Raquel Teixeira, por meio da assessoria, lamenta o ocorrido.

“Estamos atentos a tudo o que tem acontecido nesta campanha. Esperávamos que casos isolados de fake news acontecessem, mas torcíamos para que o processo eleitoral em Alagoas não fosse maculado por este tipo de ação orquestrada por meio de robôs. Faremos o possível para garantir a lisura de todo o processo eleitoral”, diz a procuradora Eleitoral.

Ela também aponta para a possibilidade de mais vítimas desse tipo de prática.

“O caso parece sério e pode haver mais vítimas que ainda não conseguiram identificar a forma de operação destas máquinas programadas”, ressalta Raquel Teixeira.

ROBÔS

Os robôs – ou bots – são programas de computador para realização de postagens pré-programadas através de contas em redes sociais falsas. Tudo é operado eletronicamente e, na maioria dos casos, com o intuito de tornar determinado assunto o mais comentado numa rede social. Esse recurso é muito usado no Twitter devido ao peso que as hashtags (#) possuem naquele espaço virtual.

Em outras mídias sociais, como o Facebook, essa prática geralmente é usada para elogiar, defender ou atacar alguém.

Campanha
24 pedidos de resposta já foram requeridos

Desde o início da campanha deste ano, em 15 de agosto, o MP Eleitoral de Alagoas já recebeu 24 representações com pedidos de resposta, desde a veículos noticiosos, a outro candidato e nas redes sociais ou blogues.

Segundo a assessoria de comunicação do MP Eleitoral de Alagoas, dessas representações, treze são entre candidatos; oito contra jornais ou sites; e duas por causa de postagens em redes sociais ou blogues. “Em um dos casos, o autor desistiu da ação”.

Nenhum dos nomes envolvidos nas representações foi citado.

Ainda de acordo com a assessoria de comunicação do MP Eleitoral, as respostas devem ser concedidas enquanto a campanha eleitoral ainda estiver ocorrendo, mas não há um prazo determinado para o término desses processos.

“Enquanto estiver em período eleitoral, com propaganda eleitoral, eles [processos] vão continuar aparecendo, mas o direito de resposta precisa ser concedido enquanto houver a propaganda politico eleitoral”, explica o MP Eleitoral.

LEI

Segundo a Lei 9.504/97, conhecida como Lei das Eleições, todos os candidatos, partidos ou coligações possuem direito de resposta assegurado. O Artigo 58 da Lei diz que “a partir da escolha de candidatos em convenção, é assegurado o direito de resposta a candidato, partido ou coligação atingidos, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica, difundidos por qualquer veículo de comunicação social”.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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