Política

11 de agosto de 2018 09:31

Filhos de políticos voltam ao protagonismo

Herdeiros das bases eleitorais estão lançados para campanha e buscam manutenção e até ampliação dos espaços em Alagoas e Brasília

↑ Paulo Dantas já foi prefeito; Yvan Beltrão disputa cargo pela primeira vez; Breno Albuquerque também é novato (Fotos: Divulgação)

“Quem sai aos seus não degenera”; filho de peixe, peixinho é”; e “tal pai, tal filho”, são alguns dos ditos populares que se encaixam perfeitamente durante o período eleitoral, principalmente nas disputas proporcionais. Nas eleições deste ano, em Alagoas, não são raros os casos de filhos seguindo os passos políticos de seus pais. Alguns deles, inclusive, são iniciantes na busca por um mandato eletivo.

Para além da repetição de sobrenome, existe também a dobradinha clássica no qual o pai vota no filho e vice-versa. As maiores justificativas apresentadas pelos pais políticos estão entrelaçadas no fato de seus herdeiros já conviverem na política e conhecerem o modo de trabalho desenvolvido por eles.

Alguns exemplos colhidos pela reportagem da Tribuna Independente após as convenções eleitorais já estão no período de convencimento para obtenção de votos no pleito deste ano.

Na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), o presidente da Casa, deputado Luiz Dantas (MDB) decidiu se aposentar da vida pública e irá apoiar o filho e ex-prefeito de Batalha, Paulo Dantas (MDB). Além desse caso, há outro velho conhecido da Praça Dom Pedro II. João Beltrão – que por motivos de saúde –, definiu não disputar mais um mandato, aposta as suas fichas no sobrinho Yvan Beltrão (PSD), ex-secretário de Saúde de Coruripe, município onde o pai Joaquim Beltrão é o prefeito.

À Tribuna, Yvan explicou que desde a sua indicação para ser secretário Municipal de Saúde em Coruripe, pautou o seu trabalho na prestação de serviço para população. A prova disso é que em um ano e três meses conseguiu vários benefícios nesta seara.

“Foram essas ações e são esses objetivos que me levam a buscar um mandato na Assembleia Legislativa do Estado, não esquecendo, claro, da experiência que meu pai mostrou quando deputado federal. Joaquim Beltrão é a minha inspiração para fazer a política para os alagoanos. Temos serviços prestados e Coruripe é modelo de trabalho e desenvolvimento. Estou apto para fazer um mandato com respaldo na experiência política do meu pai”, argumentou Yvan.

Quem também já passou pela Assembleia Legislativa, mas resolveu lançar o filho foi o ex-deputado Dudu Albuquerque. Sua principal aposta este ano é na campanha de Breno Albuquerque (PRTB).

“Cresci com a porta da minha casa aberta para quem quisesse entrar. O meu objetivo maior é comprovar que a política, quando utilizada para o bem, transforma vidas. As promessas precisam ser poucas e atitude muita”.

Dobradinhas para eleger pai e filho também podem ser vistas

Expoente dos bastidores da política e ex-prefeito de Paripueira, Abrahão Moura, busca conseguir uma vaga no Legislativo Estadual com a candidatura de sua filha Cibele Moura (PSDB). A juventude é um dos artifícios utilizados na campanha na busca frequente pelos votos.

“A política sempre fez parte da minha vida, da minha educação e da minha história. Aprendi dentro de casa, e desde muito nova, o valor do trabalho pautado na ética, na honestidade, transparência e acima de tudo, nas pessoas. Ser jovem e mulher me faz ter forças para traçar um caminho de transformação, através das novas ideias e do diálogo, e na luta, não só de mais representatividade, mas da efetiva participação. Tenho a felicidade de estar perto de outros jovens e poder compartilhar do mesmo pensamento, de que Alagoas merece um uma política diferente”.

Dobradinhas

Outro integrante do time dos herdeiros é Randerson Pessoa (PRB), filho do deputado estadual Severino Pessoa (PRB). O pai vai tentar uma vaga na Câmara dos Deputados e fará dobradinha com Randerson, que tentará ficar no lugar do progenitor na Assembleia Legislativa.

Já no caso de Olívia Tenório (PMN) acontecerá o inverso. Ela disputa a Câmara enquanto Francisco Tenório tenta a reeleição para ALE.

Olívia explica que sentia falta também do protagonismo da mulher, porque hoje em dia, segundo ele, as mulheres sofrem certo preconceito sempre que chegam ao mercado de trabalho.

“Comecei a perceber esse preconceito e que falta essa representação e uma pessoa que lute por esses direitos, porque só sabe do real problema quem passa. Foi isso que mais me motivou”.

Cessão dos espaços é comum

O deputado estadual Antonio Albuquerque (PTB) é outro que vai tentar a dobradinha com o filho, Nivaldo Albuquerque, que tentará mais uma vez o mandato de deputado federal. Na última eleição Nivaldo conseguiu uma importante votação, mas acabou ficando como suplente.

Filho do senador e candidato ao governo de Alagoas, Fernando Collor de Mello (PTC), Fernando James (PTC), disputará uma cadeira de deputado federal em Alagoas e tentará fazer com que a família Collor volte à Câmara depois de três décadas.

AVALIAÇÃO

Para o cientista político Ranulfo Paranhos, há em Alagoas uma chamada elite política, ou seja, um grupo familiar que assume o poder. Em algum momento alguém que pertence a esse grupo, segundo ele, vai ter que ceder espaço para outra pessoa.

“E aí esse grupo vai circulando. Quando o grupo de elite passa mais tempo no poder ele faz um fenômeno que a gente chama de ossificação do poder público, o mesmo grupo de elite está há tanto tempo no poder que faz a máquina pública funcionar para interesses particulares. No Estado de Alagoas é provável que um grupo de elite passe mais tempo no poder do que em outros lugares. Se eu tenho um grupo há mais tempo no poder é pouco provável que eu tenha novidades no ponto de vista de políticas publicas, porquê? Por que é o mesmo grupo. O político não inova em políticas públicas porque a preocupação  é a manutenção do grupo político e não em proposta política”.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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