Política

12 de novembro de 2016 11:22

Eleitores restringem alternância em gestões municipais de Alagoas

Dezessete prefeitos eleitos irão para mais de três, quatro e até cinco mandatos

Caso Cícero Almeida (PMDB) tivesse sido eleito prefeito de Maceió no último dia 30 de outubro, seria a primeira pessoa a exercer mais de dois mandatos no comando da prefeitura da capital. Entretanto, no interior do Estado este fenômeno não é coisa rara.

O resultado das urnas deste ano em Alagoas aponta que 17 prefeitos eleitos – 16,66% do total – iniciam em 2017 seus terceiros, quartos e até quinto mandatos à frente do Poder Executivo de seus municípios. Para o eleitor mais atento, o refrão de Cazuza em “O Tempo não Para”, onde se vê o futuro repetir o passado, torna-se verdade.

Não há na constante permanência dos nomes à frente das prefeituras municipais relação direta – por si só – de gestões positivas ou negativas aos respectivos munícipes, mas é fato que há uma dominação política regional bastante expressiva. Em muitos dos casos desses prefeitos eleitos pela terceira, quarta ou quinta vez, seus adversários possuíam as mesmas características de relação com o poder local.

O campeão das reeleições é Marcelo Lima (PMDB). Em janeiro de 2017, ele inicia seu 5º mandato à frente da Prefeitura de Quebrangulo, Agreste do Estado. Na sequência, para exercer o 4º mandato à frente das respectivas prefeituras, estão Joaquim Beltrão (PMDB) em Coruripe; Maxwell Tenório (PSB) em Pindoba; e Chico Vigário (PMDB) em Atalaia.

Entre os que irão para o terceiro mandato, estão nomes que elegeram aliados para voltarem às prefeituras ou que compuseram o “CSA x CRB” eleitoral de suas cidades, a exemplo de Davi Barros (PTB) em Girau do Ponciano e Sérgio Lira (PP) em Maragogi.

Falta de novas lideranças impede renovação

Não há irregularidades nas situações citadas ou identificadas pela reportagem Tribuna Independente, apenas a constatação de que o domínio político regional em Alagoas ainda é muito forte e que há, também, considerável ausência de novas lideranças políticas nas disputas eleitorais do estado.

Um campo do conhecimento que pode ajudar a entender esse fenômeno são as Ciências Sociais. Para o sociólogo Carlos Martins, um dos fatores que explicam a constante presença das mesmas pessoas no poder é o medo. “Essa cultura política de perpetuar-se no poder em alguns lugares é baseada no cabresto. Mas muitos não têm, necessariamente, o medo físico. Mas medo de perderem alguma benesse, como emprego”, avalia.

Já a cientista política Luciana Santana diz que pode haver situações onde a prática coronelista seja o fator fundamental para a pouca rotatividade de nomes à frente das prefeituras, mas ela pondera que também “pode ser a falta de novas lideranças e a pouca atratividade de outros cargos. E políticos possuem ambições e irão buscar as melhores e mais eficientes estratégias para se manterem no poder”.

SEM MUDANÇA

Para Luciana Santana, a falta de mudança é acomodação do eleitor que acaba aceitando o que lhe é imposto pelos governantes. Ela também enfatiza a necessidade de mudança na cultura política dos eleitores e dos detentores de mandato.

Já Carlos Martins, pontua que um dos problemas está no nível médio de compreensão da realidade. Segundo ele, as pessoas não foram educadas para fazer análises políticas mais profundas e estão presas na lógica de que o outro é o condutor de suas vidas.

Fonte: Tribuna Independente

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