Mundo

5 de julho de 2018 15:17

Reino Unido quer que Rússia explique casos de envenenamento por Novichok

Para a polícia britânica, caso registrado em Amesbury está diretamente relacionado ao ataque contra o ex-espião russo Sergei Skripal e a filha dele

↑ Dawn Sturgess, de 44 anos, e Charlie Rowley, de 45, foram socorridos em sua casa em Amesbury, no sul da Inglaterra (Foto: Reprodução / Facebook)

O secretário do Interior britânico, Sajid Javid, pediu à Rússia que explique os casos de envenenamento por Novichok depois que um novo registro registrado em Amesbury, no sul da Inglaterra.

As duas últimas vítimas também foram expostas ao agente químico, de fabricação russa, que foi usado no ataque contra o ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia, em Salisbury, em março.

No sábado (30), Dawn Sturgess, de 44 anos, e Charlie Rowley, de 45, foram socorridos em sua casa em Amesbury, que fica fica ao lado de Salisbury, onde Sergei Skripal, de 67 anos, e sua filha Yulia, de 33 anos, foram envenenados. O casal está internado em estado crítico no mesmo hospital onde pai e filha foram tratados.

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Policiais fazem guarda na entrada de conjunto habitacional em Amesbury, no sul da Inglaterra, depois que foi confirmado que duas pessoas foram envenenadas com o agente Novichok (Foto: Henry Nicholls/ Reuters)

Para a polícia britânica, o casal não foi alvo direto de envenenamento, mas o incidente está diretamente relacionado ao ataque contra os Skripal. O agente químico com o qual as vítimas tiverma contato são do mesmo tipo embora não seja possível dizer se pertenciam a um mesmo lote.

“É completamente inaceitável que nosso povo seja alvo deliberado ou acidental, ou que nossas ruas, parques e cidades sejam depósitos de veneno. Agora é hora de o estado russo se apresentar e explicar exatamente o que aconteceu”, disse o ministro a parlamentares na manhã desta quinta-feira (5).

Mais de 100 agentes que atuam contra o terrorismo no Reino Unido estão trabalhando com a polícia de Wiltshire, que é responsável pela investigação.

Reação russa

Mais cedo, o ministro britânico da Segurança, Ben Wallace, também exigiu explicações da Rússia. “A Rússia poderia se retificar e nos dizer o que aconteceu, o que eles fizeram e nos dar respostas às perguntas que ainda fazemos”, declarou.

O governo russo reagiu, afirmando que Londres nunca foi favorável a uma investigação comum entre os dois países sobre o envenenamento de Skripal, segundo Rádio França Internacional (RFI). “Não temos informações sobre a substância utilizada, nem sobre a forma como ela foi utilizada” indicou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ressaltando sua “preocupação” sobre a utilização repetida deste tipo de substância na Europa.

Caso Sergei Skripal

Em março, os Skripal foram encontrados inconscientes em um banco na rua de Salisbury, perto de um centro comercial, e os primeiros depoimentos mencionaram a possibilidade de que fossem viciados. Sergei é um ex-coronel do serviço secreto militar russo condenado por traição por repassar segredos para Londres e que se mudou para a Inglaterra após uma troca de espiões.

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Sergei Skripal em cela para réus durante julgamento em corte militar de Moscou, em 2006 (Foto: Yuri Senatorov / Reuters)

Os exames médicos a que foram submetidos indicaram que tinham sido envenenados com Novichok. O incidente provocou uma crise diplomática entre Rússia e Reino Unido.

Londres considerou Moscou responsável pelo caso Skripal e determinou a expulsão de 23 diplomatas russos – medida que foi seguida posteriormente pelos EUA e uma série de países europeus. A Rússia revidou e diplomatas americanos deixaram a embaixada dos Estados Unidos em Moscou.

A onda de expulsões cruzadas dos países ocidentais e da Rússia, que começou em 14 de março, já atingiu 300 diplomatas.

Fonte: G1

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