Interior

Família de Gabriel Lincoln protesta contra promoção de policial envolvido em sua morte

Adolescente de 16 anos foi morto durante abordagem em Palmeira dos Índios; familiares cobram justiça e questionam impunidade

Por Tribuna Hoje com agências 04/02/2026 11h47
Família de Gabriel Lincoln protesta contra promoção de policial envolvido em sua morte
Gabriel Lincoln - Foto: Acervo pessoal

Em manifestação nas redes sociais, a família do adolescente Gabriel Lincoln, de 16 anos, expressou indignação contra a promoção de um dos militares envolvidos na morte do jovem e reafirmou o pedido por justiça.

“A dor ainda está viva. O luto ainda é diário. Mas, mesmo após a morte do adolescente Gabriel Lincoln, de apenas 16 anos, a Polícia Militar decidiu promover um dos policiais envolvidos no caso”, afirmou a família em nota.

Gabriel foi morto durante uma abordagem policial em Palmeira dos Índios, em 3 de maio de 2025. De acordo com a investigação da Polícia Civil, o adolescente estava desarmado e foi atingido pelas costas, em um disparo que, oficialmente, foi classificado como acidental. A apuração também indicou que uma arma foi apresentada no local para simular legítima defesa, forjando a cena do crime.

O 1º sargento Alex Melo teve seu nome publicado no Boletim Geral Ostensivo nº 021/2026 e foi oficialmente promovido pela corporação. Defensores da decisão argumentam que, até o trânsito em julgado, não há crime definido, considerando o ocorrido como um incidente de serviço, e não homicídio comum.

A família de Gabriel, no entanto, segue contestando essa versão, ressaltando o impacto da perda e a injustiça de uma promoção enquanto o caso permanece em investigação. “Discordo veementemente de alguns pontos elencados no referido inquérito policial, sobretudo de que o tiro que ceifou a vida do menor se deu de forma acidental. Não houve tiro acidental! Houve o dolo, o intento de matar, o animus necandi! Portanto, estamos sim tratando de um homicídio doloso”, afirmou o advogado Gilmar Menino.

Perícias balísticas e análises de DNA confirmaram que o revólver apresentado não pertencia ao adolescente e que ele não havia manuseado a arma. Tais evidências reforçam que Gabriel não estava armado no momento do disparo e que foi atingido pelas costas.

O caso reacende o debate sobre violência policial, impunidade e a responsabilização de agentes de segurança envolvidos em mortes de menores, enquanto a família do jovem segue cobrando respostas da Justiça.