Interior

14 de abril de 2021 22:30

Setor de vestuário vai garantir 300 empregos diretos em São Miguel dos Campos

Inauguração da Unidade de Capacitação de Vestiário Vera Cruz coloca cidade no cenário da moda e confecção

↑ Inauguração da Unidade de Capacitação de Vestuário Vera Cruz, em São Miguel dos Campos (Foto: Edilson Omena)

O setor de vestuário de Alagoas ganhou uma nova conquista nesta quarta-feira (14), com a inauguração da Unidade de Capacitação de Vestuário Vera Cruz, em São Miguel dos Campos. Com isso, 300 empregos diretos serão ofertados no município.

Empreendimento é do Sindicato das Indústrias do Vestuário, da Confecção de Roupas Íntimas e da Fabricação de Bijuterias e de Joalheria do Estado de Alagoas (Sindivest), em parceria com o governo de Alagoas, Prefeitura Municipal de São Miguel dos Campos, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas (Sebrae/AL).

De acordo com o presidente do Sindivest, Francisco José Acioli da Silva, a iniciativa é um estudo que a entidade já tinha feito em 2007. E nesse levantamento São Miguel dos Campos foi apontada como uma cidade que pode crescer neste setor. “Fizemos um mapeamento em todo o estado para vermos a viabilidade dos municípios ter capacidade para área de vestuário. E a cidade sempre foi apontada justamente pela sua história – Ela já tem uma tradição da indústria têxtil com a antiga Fábrica Vera Cruz. Então, tiramos do papel porque já relutamos demais, e agora chegou a hora’’, explica.

Acioli ressalta que a instalação da Unidade de Capacitação vai colocar a cidade e todo o estado mais uma vez no mercado da moda e confecção, mas lembra de que o desenvolvimento vai garantir emprego e renda para 300 famílias de forma direta. “São cinco galpões ao lado da Unidade de Capacitação [que funcionava o depósito de algodão e tecido da antiga Fábrica Têxtil Vera Cruz] que terá treinamento em maio. E nesses espaços serão instalados cinco pequenas indústrias gerando empregos diretos’’.

Presidente do Sindivest, Francisco José Acioli: “iniciativa é um estudo que a entidade já tinha feito em 2007” (Foto: Edilson Omena)

O presidente do Sindivest ressalta ainda que à população da cidade e lojistas devem valorizar o que está chegando à cidade. “Ao invés de ir comprar fora, eles poderão investir na própria cidade, é crescimento e desenvolvimento para todos, é um ciclo. E assim, vamos colocar São Miguel dos Campos no cenário da moda’’. Ele acrescenta que os equipamentos/máquinas que serão usadas em cursos técnicos e profissionalizantes são de um projeto do Sindivest com o Governo do Estado que foi doador para abertura do Centro de Treinamento para costureiras.

Para o prefeito de São Miguel dos Campos, George Clemente Vieira, o empreendimento chegou ao município em boa hora.

“Já era um antigo sonho, essa antiga fábrica gerou centenas de empregos e foi importantíssimo para a economia da cidade. E essa Unidade de Capacitação é um resgate dessa economia. Vamos gerar emprego em especial para as mulheres que é exatamente a maior parcela que precisa ser empregada, independente, mas não tinha como. Faltava capacitação e agora iremos dá oportunidades para elas conseguir seu emprego e vamos resolver dessa forma e mudar o índice de desemprego na nossa cidade. Nosso foco é justamente melhorar a qualidade de vida da sociedade e para isso estamos investindo em indústrias, fábricas que gerem empregos’’, comenta o prefeito.

“São ações como essas que AL precisa para crescer’’, diz presidente do Fiea

O presidente Fiea, José Carlos Lyra de Andrade, diz que a cidade recebeu uma escola que vai gerar emprego e renda para o estado. “É de fato uma escola, e isso é sempre bem vindo porque vai gerar emprego e colocar a cidade no desenvolvimento’’.

Segundo Carlos Lyra são ações como essas que Alagoas precisa para o desenvolvimento econômico e social. “O prefeito George teve um posicionamento correto em construir essa unidade. Nós equipamos e vamos capacitar e com isso vai nascer os empregos nessas indústrias’’, ressalta.

EMOÇÃO

Para o 1º vice-presidente do Fiea e presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/AL, José da Silva Nogueira Filho – Zezinho Nogueira, a inauguração é um resgate de fundamental importância. Ele conta que a unidade tem uma tendência em crescer assim como na década de 30 quando foi implantado a Fábrica Têxtil Vera Cruz.

“Isso é um resgate. A cidade de São Miguel dos Campos por muitos anos viveu em função das fábricas de tecido que foram instaladas aqui [Fábrica de Tecidos São Miguel, no povoado de Sebastião Ferreira e Fábrica de tecidos Vera Cruz em São Miguel dos Campos]. Para se ter uma ideia eu na década de 70 quando vim para cá tinha mais de 850 funcionários diretos dentro da fábrica, e isso, fora os indiretos. Então, é um reinício, não como a fábrica de tecido, mas no mesmo ramo de confecção que já é uma cultura da cidade e com tendência em crescimento. O prefeito está de parabéns junto aos parceiros. Fico até emocionado porque tenho uma história familiar na cidade, nesse ramo. Eu me criei aqui, meu pai [José Nogueira] um dos sócios tomou conta da fábrica na década de 30 á 60 e em seguida meu tio [João Nogueira]. Vim para está antiga fábrica assim que me formei em 76 e depois meu primo que ficou até fechar. O fechamento em grande parte foi pelas concorrências que acabaram surgindo. Mas fico feliz com esse empreendimento que resgata um pouco da história’’, expõe Zezinho Nogueira.

O representante do governo do estado na solenidade, Rafael Brito, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas (Sedetur), parabenizou a iniciativa e ressaltou a importância de gerar empregos em tempos de pandemia. Na ocasião, Brito falou do Pacote de Auxílio Emergencial do Governo que oferta empréstimos para o pequeno empreendedor de Alagoas. Ele explicou as duas linhas de crédito.

Zezinho Nogueira (Vice-presidente), Francisco Acioli (Presidente do Sindivest), George Clemente (Prefeito de São Miguel dos Campos) e Carlos Lyra (Presidente do Fiea) (Foto: Edilson Omena)

“São duas linhas de crédito, uma para empresas do simples com escalonamento que pode chegar até R$ 50 mil que está desburocratizada sem cobrar juros. O empreendedor pode pegar esse empréstimo e ficar seis meses sem pagar nada. E depois deste prazo ele tem 48 meses para pagar o mesmo valor e o juros será pago pelo governo do estado. E a outra é para o microempreendedor individual que pode pegar até R$ 4 mil e fica sem meses sem pagar nada e terá cinco anos para pagar R$ 2 mil e o outros R$ 2 mil será a cargo do governo”, explica Rafael Brito.

Brito fala que isso é uma forma encontrada para garantir o giro na economia e o pão na mesa dos trabalhadores. Inclusive ele cita que o ramo da confecção pode adquiri esse empréstimo. “Está é uma forma encontrada que não vem sendo feita em nenhum outro estado. O que queríamos de fato era que à pandemia não tivesse chegado ou que já tivéssemos vacinas para todos. Essa era a boa notícia, mas infelizmente ainda não podemos dizer quando tudo isso vai acabar. E por isso, temos que arrumar meios para garantir a sobrevivência em uma época tão complicada’’, finaliza.

Durante a inauguração foram entregues os termos de doação das indústrias que irão se instalar no pólo, o quarto voltado para a área de confecção no estado. Nesta quarta, também foram reativados a Sala do Empreendedor e uma unidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação na cidade.

Fonte: Tribuna Hoje / Lucas França

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