Interior

8 de novembro de 2019 08:45

Mais mariscos aparecem mortos na Praia de São Bento

Problema traz preocupação para centenas de marisqueiras da região

↑ Milhares de mariscos mortos aparecem na Praia de São Bento (Foto: Alisson David/cortesia)

Enquanto novas manchas de óleo continuam surgindo em algumas praias, como por exemplo, na manhã desta quinta-feira (7), nas proximidades da pousada Igarakué, em Japaratinga, como informado pelo próprio Instituto Biota ao Governo do Estado, milhares de mariscos mortos continuam aparecendo na Praia de São Bento, em Maragogi. O problema traz preocupação para centenas de marisqueiras da região, que tiram o seu sustento da catação na praia do massunim, uma iguaria bastante comercializada e consumida pela população e por todos os restaurantes e hotéis da cidade.

O problema foi registrado pela primeira vez na semana passada, quando marisqueiras denunciaram o fato a própria associação e as autoridades municipais, inclusive com vídeos e fotos. Mas na manhã da quarta-feira (6) milhares de massunins mortos apareceram novamente na Praia de São Bento, através de um vídeo que circula nas redes sociais mostrando os mariscos cobrindo uma grande faixa de areia. Dessa vez a situação chamou a atenção de ambientalistas. Nas redes sociais, as pessoas estão relacionando a mortandade com a contaminação pelo óleo cru, já que o massunim filtra a água para se alimentar.

O presidente da Colônia Z-15, Ronaldo Fernandes da Silva, acredita que não é possível confirmar a relação entre as mortes e o surgimento do óleo no litoral do Nordeste.

Alguns pesquisadores, no entanto, comentaram com o presidente, que o fenômeno pode sim estar sendo causado pelo petróleo. O biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cláudio Sampaio, disse que o aparecimento dos mariscos mortos não pode ser considerado normal. “Possivelmente esteja associado à chegada do óleo, mas somente análises da qualidade da água, sedimento e especialmente do massunim, tanto o morto quanto o vivo, é que poderemos afirmar as causas das mortes. Enquanto não houver essas análises, será bem difícil essa situação de dúvida”.

No último dia 23 de outubro, o mesmo fenômeno aconteceu na Praia do Pontal do Peba, em Piaçabuçu, Litoral Sul. Na época, o chefe da divisão técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Alagoas, Rivaldo Couto, informou que as mortes seriam investigadas, mas ainda não há resultados de análises.

“As mortes podem estar relacionadas com a mudança do vento, que nessa época tem influência sobre o transporte litorâneo de sedimentos na costa”, explicou Rivaldo na época. Por enquanto as mortes de mariscos no Litoral Norte só foram registradas na praia de São Bento.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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