Educação

19 de janeiro de 2021 08:10

Alagoas registra 46% de abstenções no Enem

Mais de 46 mil candidatos não realizaram prova no domingo no estado; índice de ausências é um recorde histórico

↑ Enem (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

Um total de 46.766 mil candidatos alagoanos não compareceram ao primeiro dia de aplicação de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no último fim de semana. O percentual de abstenção chegou a 46%, um recorde histórico. Em todo o país, as ausências superaram 51%.

No estado, as provas aconteceram em 26 municípios e ao todo 3.666 salas foram disponibilizadas em 317 locais de prova. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou que deve avaliar quais motivos contribuíram para o elevado índice de abstenção.  Uma reaplicação da prova está prevista para ocorrer entre os dias 25 e 29 de janeiro, no entanto, para ter acesso o candidato prejudicado deverá informar até o fim desta semana os motivos pelos quais não pode comparecer ao exame.

“O participante afetado por problemas logísticos durante a aplicação poderá solicitar a reaplicação do Exame em até cinco dias após o último dia de aplicação, no endereço. Os casos serão julgados, individualmente, pelo Inep. São considerados problemas logísticos para fins de reaplicação, fatores supervenientes, peculiares, eventuais ou de força maior, como: desastres naturais (que prejudiquem a aplicação do Exame devido ao comprometimento da infraestrutura do local), falta de energia elétrica (que comprometa a visibilidade da prova pela ausência de luz natural), falha no dispositivo eletrônico fornecido ao participante que solicitou uso de leitor de tela ou erro de execução de procedimento de aplicação pelo aplicador que incorra em comprovado prejuízo ao participante. A aprovação ou a reprovação da solicitação de reaplicação deverá ser consultada pelo endereço enem.inep.gov.br/participante”, explicou o Inep.

No próximo domingo, 24 de janeiro será realizada a segunda aplicação do exame na modalidade tradicional. Além da reaplicação, também está prevista a realização do Enem Digital nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

Prova terá saldo de disparidades, avalia educadora

 

O Ministro da Educação, Milton Ribeiro afirmou em coletiva no último domingo (17) que o “medo da contaminação” foi responsável pelo alto índice de abstenções. Mas para a educadora e presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Alagoas (Sinteal), Consuelo Correia a ausência escancara uma problemática agravada pela pandemia.

“Dos que se abstiveram, muitos preferiram não se expor, preservar a vida, porque estudo se recupera, vida não. Porém a gente sabe que há prejuízos principalmente para os desfavorecidos. Eu acredito que muitos não foram porque não tiveram acesso a aulas, não se sentiram preparados o suficiente. Eu acredito que isso pesou porque muitas escolas públicas não ofertaram aulas remotas como deveriam, algumas só ofertaram a partir de outubro. Enquanto na rede privada o aluno tem a aula, professor particular. O que não teve acesso porque não teve internet ou equipamento, isso pesou muito para os jovens que acabaram sendo excluídos desse processo”

O conjunto de fatores envolve também questões políticas, avalia Consuelo. Ela defende a ideia de que o Governo Federal desenvolve uma agenda onde a educação não é prioridade. “Primeiro: a irresponsabilidade de governo de manter essas provas num período pandêmico, onde a gente sabe que o Brasil vive um caos instalado, com mais de 200 mil mortes. Vimos candidatos chegando nos locais de prova e sendo informados que tinha esgotado a lotação, ou seja, total falta de planejamento. Segundo é um prejuízo muito grande para esses jovens que tentam entrar numa universidade, mas acabam ficando para trás.”

Consuelo avalia que a aplicação do Enem na pandemia reforça o “foço social”, que atinge sobretudo as classes desfavorecidas. “É um funil, uma peneira onde alguns têm mais chance e oportunidades de acessar conhecimento do que a grande massa. É muito duro negar o dwireito de acesso a universidade, principalmente a pública, isso faz a gente retornar para o cenário da década de 1970 onde só a elite tinha acesso ao ensino superior”.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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