Economia

Nordeste somou 1,36 milhão de empresas inadimplentes em novembro, aponta Serasa Experian

Bahia liderou o ranking regional de empresas com contas em atraso; Sergipe registrou o maior valor de dívida média por CNPJ 

Por Assessoria 02/02/2026 10h07
Nordeste somou 1,36 milhão de empresas inadimplentes em novembro, aponta Serasa Experian
No período, as companhias da região somaram R$ 26,3 bilhões em dívidas negativadas, distribuídas em mais de 8 milhões de débitos - Foto: Divulgação

De acordo com o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, a primeira e maior datatech do Brasil, o Nordeste contabilizou 1.356.084 empresas inadimplentes em novembro de 2025. No período, as companhias da região somaram R$ 26,3 bilhões em dívidas negativadas, distribuídas em mais de 8 milhões de débitos.

Segundo o ranking regional, a Bahia liderou entre os vizinhos com o maior número de empresas inadimplentes (383.297). Sergipe apresentou a média de dívidas por empresa (6,7) e o maior valor de dívida média (R$ 36.592,72). Veja, na tabela abaixo, a evolução dos números de companhias negativadas na região.



Visão nacional


Em âmbito nacional, a inadimplência entre as empresas brasileiras bateu novo recorde em novembro de 2025, atingindo 8,9 milhões de CNPJs, o maior número desde o início da série histórica. Juntas, elas somaram mais de R$ 210,8 bilhões em dívidas negativadas, segundo a datatech. Confira, no gráfico abaixo, a evolução do número de companhias negativadas:



De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o resultado reflete um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e crédito mais restritivo. “O recorde de inadimplência em novembro mostra que muitas empresas seguem com pouco espaço financeiro para absorver oscilações de custos ou de receita. Com o crédito mais caro, cresce a dificuldade de alongar dívidas, o que acaba levando ao atraso de obrigações recorrentes.”

Perfil das dívidas

Ainda segundo os dados de novembro de 2025, as empresas inadimplentes possuíam, em média, 7 contas negativadas, cujo ticket médio foi de R$ 3.375,4, enquanto a dívida média por empresa alcançou R$ 23.790,8. Veja, na tabela abaixo, a comparação desses indicadores com o mesmo período do ano passado:



“Os dados mostram que, além de mais empresas inadimplentes, as dívidas estão maiores. Isso indica um agravamento do endividamento, com compromissos financeiros mais elevados acumulados ao longo do tempo”, complementa a economista-chefe.

Setores das empresas inadimplentes


A maior parte das empresas negativadas eram do setor de “Serviços” (55,2%) em novembro. Em seguida ficaram as do “Comércio” (32,7%), e “Indústria” (8,1%). Os setores “Outros” (3,1%) e “Primário” (0,9%) completaram o levantamento.


Já em relação aos setores de origem das dívidas, o maior volume de negativações ficou em “Serviços” (31,4%) superando “Bancos e Cartões” (19,9%), e “Outros” (18,0%). Também tiveram participação relevante “Cooperativas” (8,4%), “Utilities” (7,1%) e “Telefonia” (6,2%). Veja o detalhamento desta visão:



“O crescimento das dívidas ligadas a instituições financeiras e a serviços essenciais mostra que as empresas estão priorizando despesas operacionais imediatas, enquanto postergam compromissos financeiros, o que é típico de momentos de maior aperto de liquidez”, avalia a porta-voz.

Distribuição regional


Regionalmente, o Sudeste concentrou 4,76 milhões de empresas inadimplentes, o equivalente a 53,7% do total nacional. Na sequência apareceram Sul (1,44 milhão), Nordeste (1,36 milhão), Centro-Oeste (774 mil) e Norte (531 mil). Entre as Unidades Federativas, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul lideraram com os cinco maiores números de CNPJs negativados no período. Confira no gráfico abaixo o detalhamento das Unidades Federativas (UFs):



Porte das empresas


Do total de 8,9 milhões de companhias inadimplentes, a maioria eram de Micro, Pequenas e Médias Empresas, com 8,5 milhões. Esse grupo concentrou 57,7 milhões de dívidas negativadas que somaram R$ 190,3 bilhões em contas. “Há maior vulnerabilidade de empresas de menor porte a ciclos de crédito mais restritivos, já que esses negócios costumam ter menor acesso a financiamento e menos margem para renegociação”, finaliza Camila.

Para conferir mais informações e a série histórica do indicador, clique aqui.