Economia

7 de novembro de 2019 15:16

IBGE diz que quase 50% dos alagoanos estão em situação de pobreza

Estado é o segundo do país em condições de desigualdade

↑ Sociólogo diz que forte dependência do estado nas políticas públicas do governo federal acentua índices negativos (Foto: Sandro Lima)

Quase 50% dos alagoanos estão classificados em situação de pobreza segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isto significa que o rendimento mensal por pessoa não passa de R$ 420. O estado é o segundo do país em condições de desigualdade, logo atrás do Maranhão.

Cerca de 8% dos alagoanos estão abaixo da linha de pobreza, ou seja, vivendo com menos de R$ 147 mensais. Segundo o IBGE, a crise econômica e política iniciada em 2015 têm contribuído para a concentração de renda e desigualdade social.

O sociólogo Jorge Vieira afirma que a forte dependência do estado nas políticas públicas do governo federal acentua os índices negativos.

“O Estado de Alagoas é extremamente dependente das políticas públicas do Governo Federal. Bolsa família, benefício da seguridade social. Ou seja, um índice muito grande de pessoas depende desses programas do governo. Em Alagoas cerca de 60% dependem desses programas sociais. Alagoas e Maranhão têm uma massa que depende e vai parecer um índice de aumento da desigualdade social”.

Na avaliação dele, as perspectivas não são animadoras. A tendência é de agravamento das desigualdades. “A tendência, não tenho dúvida, é o rico ficar mais rico e o pobre ficar mais pobre. Economia não tem segredo, é exata. Se você aplica um modelo econômico para distribuir renda você vai ter movimentação financeira na base da economia. Se você concentra renda a consequência é clara, não vai ter embaixo a circulação da moeda”, avalia.

Jorge Vieira acrescenta que o cenário social aponta para um “retorno” às políticas públicas e econômicas adotadas no século XIX. “Tenho artigos sobre a situação e mostrei que nós estávamos tendo um retorno à política econômica do século XIX. Que é o liberalismo. E que as consequências seriam essa. Eu até brinco com meus alunos que não sou pai de santo, mas tenho previsão. No caso da análise científica econômica. Esses dados só expressam o que eu já havia dito há quatro anos, do que ia acontecer. O modelo de desenvolvimento econômico que está em curso desde o governo Temer é um modelo que privilegia o capital nacional e internacional, e mais o internacional, em detrimento das microeconomias, obviamente o resultado está aí”, afirma.

O economista Marcos Calheiros confirma a tendência de concentração de renda. Segundo ele, em Alagoas, as diferenças ficam ainda mais evidenciadas.

“40% da renda do Brasil está nas mãos de 10% da população. O mesmo ICMS que o rico paga, o pobre também paga, mas o impacto na renda do pobre é muito maior. Nós temos um modelo altamente desigual. O que o pobre paga de imposto, o rico paga, quando deveria ser o contrário. Em Alagoas há uma concentração de rendas, de patrimônios. Os grandes salários públicos estão na mão de poucas pessoas. E ainda tem uma desigualdade muito grande. Os ricos têm quatro ou cinco apartamentos, fazendas, construtoras, usinas, enquanto o pobre mal financia o seu. Dessa pequena elite que tem a renda concentrada em suas mãos, numa cidade pequena do interior, por exemplo, a grande parte das propriedades está nas mesmas mãos. Não é só concentração e renda, mas também de patrimônio. O Brasil é uma das economias mais desiguais do mundo e em Alagoas se acentua ainda mais essa desigualdade”, garante o economista Marcos Calheiros.

Fonte: Tribuna Independente

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