Cidades

26 de janeiro de 2021 07:48

Interdição da Ladeira do Calmon preocupa

Data do bloqueio não está definida, mas moradores temem a possibilidade de isolar ainda mais imóveis e circulação na região

↑ Segundo a prefeitura, interdição da Ladeira do Calmon depende da remoção dos moradores da região (Foto: Edilson Omena)

A interdição definitiva da Ladeira do Calmon, em Bebedouro, anunciada pelo prefeito de Maceió João Henrique Caldas (JHC) nesta segunda-feira (25) repercutiu negativamente entre moradores e ex-moradores do bairro que temem isolar ainda mais a região. No entanto, apesar de dada como certa, o bloqueio não tem data para ocorrer.

Desde o ano passado, o bairro de Bebedouro vem sendo desocupado. Mesmo assim, segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Augusto Cícero, algumas partes como o Flexal de Cima e de Baixo, por exemplo, não tem expectativa para uma saída próxima. A área que até novembro era de monitoramento passou a ser de realocação imediata, entretanto, a saída pode ocorrer, segundo cronograma da Braskem, até dezembro de 2022.

“Toda a área em monitoramento irá sair, mesmo assim, não atinge todo o bairro de Bebedouro. Mesmo que seja desocupada aquela região, a Ladeira do Calmon é muito importante, bloquear ali vai tornar a situação caótica. Naquela área ali não tem ninguém morando mais. Aquela região ali acabou, têm alguns moradores pingados, que ainda vão sair. Tem alguma parte de comerciantes na rua principal que aos poucos está saindo. Agora na área do Flexal tem sim moradores, naquela parte da Estação, rua Faustino Silveira, Tobias Barreto… Toda essa área num futuro breve será realocada. Ali vai ficar totalmente deserto. Mesmo assim, a interdição vai virar um caos no restante do bairro, que para ir até o Centro [os moradores] vão ter que subir para depois descer, vai ficar muito difícil, não sabemos o que vai ser daqui para frente. Se vai ter ônibus. Vai ser uma mudança radical e o que não pode é os moradores ficarem sem assistência, sem transporte, sem saúde”, pontua Augusto Cícero.

A bióloga e professora Neirevane Ferreira de Souza morou durante 40 anos na região da Ladeira do Calmon e lamenta a notícia. Ela reclama da situação em que o bairro se encontra.

“A interdição da ladeira do Calmon é uma medida drástica tomada sem conhecimento da população. Fui moradora durante 40 anos, minha mãe saiu de Bebedouro em setembro e está aguardando a indenização. Tantos moradores prejudicados sem alternativa, sem consultar a população. A Prefeitura e esse comitê criado não ouviu a comunidade. Os moradores não participam de negociações, de decisões… É preciso ouvir a comunidade porque diversos problemas surgiram daí, tem a questão da mobilidade urbana, porque a Ladeira do Calmon, para quem ainda mora no Bebedouro, na Chã, no Flexal tinha essa via de respiro para acesso à cidade. Já se sofre com a interrupção do VLT, da Major Cícero e agora a Ladeira do Calmon, é um caos na cidade em relação a mobilidade e a tendência é piorar”, diz.

Conforme divulgado pela Prefeitura de Maceió, por meio do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) as discussões para interdição da via vêm sendo feitas. Como alternativas a Prefeitura avalia alterar o trânsito e utilizar a Chã de Bebedouro e a Avenida Durval de Góes Monteiro. A construção de uma via alternativa não é descartada, entretanto os estudos são “embrionários” segundo a assessoria de comunicação.

Ainda de acordo com a Prefeitura, a interdição depende da remoção dos moradores daquela localidade, ou seja, a decisão só deve vir após a Braskem realocar os imóveis que compreendem a região da Ladeira do Calmon.

Procurada a Braskem informou que o cronograma de remoção dos moradores segue o que foi estabelecido nos Termos de Acordo. Com a nova formatação, moradores podem aguardar até o pagamento das indenizações, no fim de 2022, para deixar suas casas. A nova zona incluída é a chamada zona H.

“Os moradores têm direito aos auxílios financeiro, aluguel e indenização, além dos demais serviços oferecidos pelo Programa. A compensação financeira dessas famílias começará em julho de 2021. O acordo também determina que todos os moradores da área de criticidade 01 do mapa atualizado pela Defesa Civil entrarão no Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação. O cronograma de selagem e realocação será divulgado em breve. A entrada dos moradores dessa área no fluxo de compensação financeira ocorrerá a partir de outubro de 2021. Nessa área 01, as famílias podem aguardar para fazer sua mudança. Neste caso, o morador poderá permanecer em seu imóvel até o recebimento da compensação financeira, ou até a data-limite de 31 de dezembro de 2022 – o que ocorrer primeiro. A qualquer momento, entretanto, podem solicitar à Junta Técnica uma avaliação da integridade de seu imóvel e das condições seguras de habitação, para decidir sobre sua permanência ou realocação”, informou a petroquímica por meio de assessoria.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Piimentel

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