Cidades

17 de novembro de 2020 08:10

Consciência Negra terá celebração simbólica em Alagoas

Mudanças este ano envolvem limitação de público no acesso à Serra da Barriga e realização de lives por movimentos

↑ A região da Serra da Barriga, em Alagoas, acolhia o Quilombo dos Palmares, o mais conhecido da história brasileira (Foto: Agência Alagoas)

As comemorações do Dia Consciência Negra em Alagoas acontecerão este ano de maneira simbólica. Devido às limitações impostas pela pandemia, a tradicional subida à Serra da Barriga, em União dos Palmares será feita com horário e público limitados.

O evento está marcado para a sexta-feira (20) e o horário de subida entre 7h e 17h.

A presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), Marluce Remigio, lamenta as mudanças e limitações das comemorações.

“Não temos boas notícias, tivermos uma reunião com a Fundação Palmares, com a Secult, justamente para fazer a discussão e ficou definido que não vai haver celebração este ano por conta do decreto estadual em relação a pandemia. Inclusive, foi feita uma pesquisa na Fundação Palmares com as famílias lá da Serra, quinze famílias concordaram com a realização, e quatro não concordaram. Vai haver uma reabertura simbólica, com limitação para 300 pessoas. Vai haver estrutura de bombeiro, policiamento. A gente não tem comemoração neste sentido em relação à Serra. O estado também não vai disponibilizar transporte porque tem perfil de aglomeração”, diz.

Marluce reclama ainda da falta de patrocínio e suporte por parte da Fundação Cultural Palmares, que já havia anunciado que não iria ofertar recursos para as comemorações da data.

“Isso sem contar que não há recursos nenhum, financiamento nenhum da Fundação Palmares”, reclama.

LIMITAÇÕES

Em Maceió, as restrições eleitorais também vão impossibilitar comemorações organizadas pelo poder público municipal, a informação é da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC).

Ivanildo Antônio Santos, o Mestre Besourão, afirma que apesar das limitações o momento social atual exige ainda mais reflexão e fortalecimento da data.

“O 20 de novembro é a data em que a gente reforça o valor, a importância. Não é uma data que movimento social negro comemora, e sim serve de reflexão. Porque no momento que nos temos hoje, que a principal entidade do negro a Fundação Cultural Palmares, a política é de desconstruir os avanços, a gente não se sente representado pelo atual presidente da Fundação. Aqui no estado por conta da pandemia, vamos fazer atividades remotas, presenciais com o maior cuidado. A consciência negra é uma reflexão diária, é o ano todo, essa conscientização precisa ser feita o ano todo”, comenta.

Jorge, do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, explica que as comemorações também ocorrem de forma virtual durante todo o mês.

“As comemorações do mês da consciência negra estão acontecendo se adequando a nova realidade em que vivemos, na verdade o importante é estarmos consciente da reflexão sobre as nossas lutas e as heranças da nossa ancestralidade. As lives estão acontecendo, ampliando as formações e consciência do nosso povo preto”, defende.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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