Cidades

30 de setembro de 2020 09:13

Um pouco de luz e arte sobre escombros

Evento solidário “O Mundo Encantado da Leiloka” será realizado no próximo 10 de outubro para moradores dos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Mutange

↑ Iniciativa nasceu do desejo da moradora do bairro do Pinheiro, criada por lá desde bebê, Leila Barros (Foto: Edilson Omena)

Uma iniciativa que nasceu para levar um pouco de alegria e solidariedade às famílias dos moradores dos quatro bairros afetados pela mineração da empresa Braskem: Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Mutange – atingidos há dois anos por rachaduras e pelas quais boa parte de seus moradores foram obrigados a deixar suas residências para não correr riscos de desabamentos.

Assim será realizada a primeira edição do Projeto “O Mundo Encantado da Leiloka”, criado para contemplar crianças e seus familiares moradores dos bairros atingidos. O evento será no dia 10 de outubro, sábado, em comemoração ao Dia das Crianças, às 16h, no Salão de festas Karlota’s Festas, no bairro da Pitanguinha.

A iniciativa nasceu do desejo da moradora do bairro do Pinheiro, criada por lá desde bebê, Leila Barros, também professora de dança.

“Eu sempre participei de eventos solidários no colégio. Depois, já adulta. participei de projetos de dança com viés de solidariedade. E, de dois anos para cá, tinha em mente realizar um evento solidário no meu próprio bairro, onde praticamente nasci e que sofre com este grave problema social que atingiu várias famílias”, ressalta Leila.

O projeto solidário Mundo Encantado de Leiloka terá brincadeiras dirigidas para diminuir a ansiedade e angústia com todos os problemas causados pela mineração nos bairros atingidos. Para isso, Leila conta com o apoio de algumas empresas do bairro. A estimativa é a participação de aproximadamente 30 crianças.

“Haverá um protocolo de segurança para se prevenir da pandemia com cadastro de crianças e os pais delas, com representantes dos outros bairros envolvidos neste problema”, acrescenta Leila.

A professora explica que serão desenvolvidas atividades para as crianças e seus familiares. “Enquanto os filhos brincam, os pais estarão participando da aula de zumba e bingo. Teremos dança, música com lanches e entrega de brindes, game, tombo legal, kid play com pontes suspensas, piscina de bolinha, camas elásticas, entre outras atividades”, completa a professora.

A justificativa para o evento, explica Leila, é de que as crianças e seus familiares moradores dos bairros têm sofrido com a desestabilização não só do solo onde residem, mas também acumulam perdas em diferentes áreas de suas vidas. “Muitas delas perderam o direito de habitação, segurança e saúde. Foram obrigadas a ficar longe de seus amigos, escola e vizinhança. Estão acometidas de depressão, ansiedade, estresse, solidão e outros males. Por isso queremos resgatar a autoestima desse público reunindo um grupo de 30 crianças da vizinhança com atividades recreativas sendo valorizadas, respeitadas e amadas, porque estamos privados de escolas e de lazer”, completou Leila.

Pioneira de bairro diz que o evento é uma espécie de respiro no meio de tanta tragédia

Leila Barros afirma que tinha em mente usar o nome Leiloka como uma extensão do primeiro apelido, o “Leila”, que já é derivado do nome de batismo que muitas pessoas acham esquisito e estranho.

Dona Maria do Carmo Santos de Melo é uma pioneira. Ela chegou ao Pinheiro há mais de 60 anos (Foto: Edilson Omena)

“Meu nome verdadeiro é meio esquisito, Marlêizian Barros Soares. Mas alguns amigos de faculdade e depois os amigos do trabalho e da dança passaram a me chamar de Leiloka, daí a associação com o evento”, explica a professora de dança.

“Minha mãe e meu pai fizeram uma junção com o nome da minha mãe (Marluce) com o da minha vó (Luzia) e daí veio o Marlêizian”, conta Leiloka.

Dona Maria do Carmo Santos de Melo é uma pioneira. Vizinha de Leila, é mãe de cinco filhos e chegou no Pinheiro há mais de 60 anos  foi uma das primeiras a fincar moradia no bairro junto com outra vizinha.

“Quando cheguei aqui tudo era tão bonito. Criei meus filhos, nasceram aqui e agora somos obrigados a sair e ser expulsos de nossas casas por causa de uma irresponsabilidade de uma empresa”, diz dona Maria, sem papas na língua, e com certo ar de revolta por tudo que tem acontecido com a própria família e os vizinhos de muitos anos.

Mas em meio a todo o acontecimento trágico no bairro, Maria do Carmo garante que vai participar do evento que a vizinha Leila está organizando em prol dos moradores. “Vou lá sim, acho que vai ser muito bom e levar um pouco de alegria para todos nós”, diz Maria do Carmo.

Leila acrescenta que o projeto não conta com ajudas governamentais e para a realização deste evento, tem buscado colaboração de empresas e pessoas de bom coração no fornecimento de materiais como: toalha de mãos infantis, meias, lenços; garrafinhas de água; além de material para decoração.

SERVIÇO:

O quê: Ato solidário “O Mundo Encantado da Leiloka”

Quando: Sábado (10 de outubro)

Hora e local: 16h no Salão de festas Karlota’s Festas, no bairro da Pitanguinha.

Para mais informações de como colaborar, entrar em contato por e-mail, telefone ou redes sociais. Email: [email protected] . Telefone: (82) 99831-3523.

Instagram: @leilabarrosmaceio

Facebook: Leila Barros

Fonte: Tribuna Independente / Wellington Santos

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