Cidades

5 de setembro de 2020 09:35

Pesquisa da Braskem no Litoral Norte alagoano é autorizada

Estudos foram liberados em junho e podem levar três anos para conclusão; liberação é da Agência Nacional de Mineração

↑ Área de pesquisa solicitada envolve uma área de 13.800 hectares, em sete locais entre os municípios de Paripueira e Barra de Santo Antônio (Foto: Reprodução)

A petroquímica Braskem S/A recebeu autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisar sal-gema em sete áreas localizadas entre os municípios de Paripueira e Barra de Santo Antônio, Litoral Norte de Alagoas. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em junho e conforme apurou a reportagem da Tribuna Independente, os trabalhos de campo ainda não foram iniciados.

Os sete processos tramitavam há cerca de um ano, foram protocolados entre os dias 31 de julho e 1º de agosto do ano passado e envolvem uma área de 13.800 hectares. No início deste ano a ANM elencou uma série de exigências para a liberação da autorização.

Apesar de ter sido autorizada há cerca de dois meses, os estudos não começaram. Segundo documentos encaminhados à Agência Nacional de Mineração (ANM), a empresa apenas instalou um escritório na região.

Procurada, a Braskem informou que a pesquisa ocorrerá em áreas de fazenda nas zonas rurais dos municípios e que “todas as exigências foram cumpridas”.

“A Braskem obteve alvará de pesquisa da Agência Nacional de Mineração (ANM) para identificar potenciais áreas de reservas de sal em Alagoas em perímetro não urbano – regiões isoladas, áreas de fazenda. A autorização para a pesquisa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em junho e vale por um período de três anos. Todos os documentos foram apresentados no processo e cumpridas as exigências do órgão regulador. As pesquisas serão feitas na região ao norte do Estado, em áreas não urbanas”, diz a empresa.

Agora, a petroquímica terá um prazo de três anos que podem ser prorrogados por mais três para avaliar a viabilidade de explorar sal-gema e saber se a reserva estimada para a área pode ser aproveitada.

De acordo com informações da ANM, na autorização de pesquisa o mineral é aproveitado apenas para “definição de jazida, sua avaliação e determinação da exequibilidade de seu aproveitamento econômico”. Durante os estudos são autorizados entre outras atividades o levantamento geológico detalhado da área, sondagens, escavações visitáveis e “ensaios de beneficiamento dos minérios ou das substâncias minerais úteis”.

Desde a década de 1990 estima-se que a reserva de sal-gema na área compreendida entre os fundos do Aeroporto Zumbi dos Palmares, em Rio Largo e a zona rural de Barra de Santo Antônio tenha o equivalente a quatro vezes a reserva de Maceió, que foi explorada durante 40 anos pela Braskem.

Consultado pela reportagem, o engenheiro de minas Wenner Pereira destaca que para iniciar a exploração é necessário o cumprimento de etapas importantes e que vão determinar fatores como custos, quantidade e situação do subsolo.

“Foram sete áreas solicitadas, em média 2 mil hectares, não passa disso, porque é o limite. Após o prazo da pesquisa eles precisam apresentar um relatório à gerência da ANM em Alagoas. A Braskem deve ir a 2500 metros para saber esse volume de sal-gema, e ao mesmo tempo essa pesquisa vai nortear se eles vão dar continuidade ao processo de licenciamento e só depois da pesquisa, com um relatório completo, com dimensão, profundidade, isso vai permitir saber se realmente é viável ou não. Caso seja viável eles seguem com a chamada concessão de lavra”, detalha.

Especialista diz que tecnologia hoje impede problema de afundamento

Na avaliação do especialista é “praticamente impossível” que um afundamento semelhante ao que é registrado em Maceió ocorra atualmente. “As regras hoje são outras, a tecnologia que temos hoje não se compara a que se tinha há 50 anos atrás onde se cavava uma mina como se cavava um poço d’água. Com a tecnologia que temos hoje eu afirmo categoricamente que não há como não saber o que há no subsolo, se há um falhamento. Até porque as condições do solo naquela região [Litoral norte] são outras, a composição do solo é diferente. A tecnologia que a empresa tem disponível e até que não tenha pode contratar quem faça, vai com certeza identificar com precisão”, explica.

Segundo a petroquímica os trabalhos de exploração em Maceió foram paralisados. A empresa afirma que tem intenção de permanecer atuando em Alagoas.

“A Braskem paralisou a extração de sal nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro em maio do ano passado e em novembro anunciou o fechamento definitivo dos poços. A empresa atua no Estado há décadas e gostaria de continuar contribuindo com o desenvolvimento local, mantendo o funcionamento da cadeia produtiva de Química e Plástico de Alagoas”, afirma em nota.

Fonte: Evellyn Pimentel

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