Cidades

29 de novembro de 2019 10:00

Moradores de bairros afetados prometem agenda de protestos

Lideranças dos bairros com problema de afundamento devem se reunir na próxima semana para organizar novas ações

↑ Protesto aconteceu na manhã de ontem e deixou os dois sentidos da avenida principal do Mutange interditados (Fotos: Cortesia)

A manhã de ontem (28) foi marcada por protesto de moradores dos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange.  Segundo os líderes comunitários, uma “agenda de protestos” deve ser iniciada para pressionar os agentes envolvidos a dar celeridade nas resoluções do problema de afundamento que vem afetando mais de 40 mil moradores nas regiões.

O protesto foi iniciado por volta das 6h e seguiu até o fim da manhã deixando os dois sentidos da Avenida Major Cícero de Góes Monteiro, no Mutange, interditados. Além dos moradores, entidades de classe como o Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Alagoas (Sinteal) também participaram da manifestação.

“É uma retomada dos moradores nas ruas. Tínhamos dado uma parada, mas agora não vamos mais parar. A gente vai sistematizar nossos movimentos até que isso de fato seja resolvido. O povo tomou vontade de ir para a rua e vamos continuar. As lideranças vão se reunir na segunda-feira no Sinteal para traçar um plano de ação de movimentos, unificado com todos os líderes comunitários envolvidos nesse embate e ver se possível outros bairros podem nos apoiar, porque isso deixou de ser um problema só desses bairros, é um problema de toda a cidade”, defende Geraldo Vasconcelos, coordenador do SOS Pinheiro.

Um dos articuladores do protesto, Geraldo afirma que a decisão em realizar a manifestação foi tomada pelos próprios moradores. Eles acreditam que a situação está se agravando e só a pressão popular pode contribuir para o desfecho.

“No nosso ponto de vista a questão é muito mais grave. Por isso que a Braskem se moveu. A Braskem se moveu porque o Instituto Alemão chegou para ela e disse: a situação é gravíssima, você tem que fazer algo. Esse algo que a Braskem está fazendo é que é medíocre em relação ao problema que ela causou, a dimensão do problema. Um problema técnico e social. A Braskem fica querendo resolver a parte técnica, tudo bem, que preencha os poços. Mas e a questão social? E as indenizações das pessoas? A indenização do Pinheiro, Bebedouro, Mutange, lá do Bom Parto que está subindo sal pelas paredes, que as rachaduras estão aumentando bem mais rápido que no Pinheiro. Fui em uma casa que tinha 28cm de abertura na parede, água minando do chão… Foi o cenário que eu vi lá. A água invadindo a casa das pessoas”, avalia.

Segundo Geraldo, as manifestações ocorrem em paralelo a outras ações que vem sendo articuladas pelos moradores para pressionar também o Judiciário. A intenção segundo ele é dar andamento nas indenizações.

“Nós tivemos essa semana com o presidente do STF, ministro Dias Toffoli e apresentamos para ele apenas dois pedidos: a celeridade no processo para que o CNJ julgue o processo imediatamente e que eles providenciem uma visita técnica do CNJ com o ministro que está com o processo, uma vez que ele [Dias Toffoli] não está fazendo o julgamento. Se o ministro Noronha viesse aqui seria o julgador no lugar do crime, seria uma importante vitória”, destaca.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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