Cidades

22 de março de 2019 08:11

Órgãos pedem desocupação total do bairro Pinheiro

Em audiência pública realizada no Senado nesta quinta-feira (21), Serviço Geológico do Brasil se comprometeu a entregar o laudo até o fim de abril

↑ Rachaduras no bairro do Pinheiro seriam efeitos de uma quebra causada pelo deslocamento de blocos (Foto: Adailson Calheiros)

A audiência pública realizada nesta quinta-feira (21) no Senado Federal em Brasília sobre o fenômeno das rachaduras em Maceió trouxe uma enxurrada de informações para as autoridades presentes e principalmente para a população. Dentre elas a informação de que o bairro do Pinheiro deve ser desocupado em sua totalidade. A afirmação foi do coordenador estadual da Defesa Civil, Tenente-Coronel Moisés Melo.

“Nós estamos na iminência de desastre. Pelo que foi apresentado hoje não existe mais área vermelha, amarela ou laranja. Dobrou a área vermelha, tudo isso foi ampliado. Isso ficou claro na apresentação do Dr. Tales. Não existe hoje, para CPRM, [Serviço Geológico Nacional] área amarela ou laranja. O pedido deve ser ampliado. Nesse princípio, temos que solicitar recursos para que toda a população seja retirada. E isso é para ontem”, enfatizou Melo.

A afirmativa veio após a apresentação do geólogo e diretor do Serviço Geológico do Brasil, Thales Sampaio, que apontou algumas informações preliminares reunidas com os métodos aplicados até agora pelo CPRM. Segundo Thales, um conglomerado no subsolo está em processo de movimentação em direção à lagoa, o que ele classificou como movimento de rastejo.

“Esse movimento é um movimento de rastejo, nós já enxergamos o rastejo, de 5cm, 10 cm. 15 cm na superfície.  Mas veio a interferometria e nos mostrou que estamos vendo o encontro do bloco que está baixando com o bloco que não está baixando. É aí que está quebrando. E o que baixa você tem uma porção de áreas dentro dele que não está quebrada porque ele está baixando como um todo. Fizemos uma série de exercícios ontem [quarta-feira pegando pontos da casa, num ponto havia uma velocidade de rebaixamento, em outro uma velocidade muito menor, ou não estava baixando, se um lado baixa e outro não aí quebra. É exatamente isso que a gente está vendo. A zona mapeada pela CPRM como amarela, vermelha e laranja é exatamente o encontro desses dois blocos.”

As rachaduras nos imóveis em maior proporção nas áreas vermelha, laranja e amarela, segundo o especialista, seriam os efeitos de uma quebra causada pelo deslocamento. Thales ainda fez um alerta para que em caso de chuvas a partir de 30mm a população deixe o bairro porque não é possível prever se o fenômeno será acelerado com o volume de água.

“A pergunta mais importante é sobre a população do Pinheiro. Estávamos preocupados com a zonas amarela, laranja e vermelha especialmente. E a população que está na zona que está  rebaixando mais ainda e que a gente não vê grandes rachaduras? Não sabemos se esse rastejo vai evoluir para um movimento mais brusco ao longo de 20 anos, 10 anos, no próximo ano ou na próxima chuva. Infelizmente a geologia ainda não é capaz de dizer isso”, pontuou o especialista.

O Serviço Geológico do Brasil se comprometeu em liberar o relatório dos estudos contendo a avaliação e integração dos dados e possíveis soluções até o fim de abril.

“Ao final de abril teremos muitos dados e muitas recomendações a fazer e talvez algumas solução, queira Deus que tenhamos como apontar soluções. Durante esse mês é uma angústia para todos nós do Serviço Geológico, das Defesas Civis, para a população. Mas temos que ter um esquema de choveu tem que sair. Será um esquema da área vermelha que eu mostrei que está em subsidência. Eu fiz essa pergunta à equipe técnica. Chuva a partir de 30mm as pessoas devem deixar o bairro do Pinheiro. E isso é muito grave porque envolve uma estrutura muito grande, não só das Defesas Civis Estadual e Municipal, mas do Governo Federal. Esses três poderes têm que dar as mãos. O poder legislativo tem que estar atento, Ministério Público. Estamos totalmente comprometidos para esclarecer no menor tempo possível”, disse Thales Sampaio.

RESPOSTAS

O coordenador da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, cobrou uma resposta à população. Dinário se emocionou ao comentar a pressão psicológica que os moradores têm passado, inclusive ele, considerando a situação que já se arrasta há mais de um ano sem respostas.

“Temos moradores que estão psicologicamente muito afetados. Eu sinceramente, eu espero que a gente tenha uma agenda para que a gente tenha o que dizer ao povo do Pinheiro. São 20 mil pessoas morando e onde andam mais 15 mil. O que vamos dizer ao bairro do Pinheiro até o dia 30 de abril? O bairro está em movimento, existe o risco, precisa evacuar. Como vai ser esse agendamento? Não joguem somente nas minhas costas e não me culpem”, falou o coordenador em meio às lágrimas.

Com a movimentação descrita pelo CPRM e a falta de precisão em relação a intensidade, o senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL) reforçou a necessidade de celeridade na divulgação do laudo. “O Thales falou aqui que áreas que eram seguras há 30 dias já não são mais seguras. O que vai acontecer daqui há trinta dias?”, afirmou o senador.

AUXÍLIO-MORADIA

Ainda ontem, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), do Ministério do Desenvolvimento Regional, anunciou que disponibilizará mais R$ 11 milhões ao município de Maceió, para garantir auxílio-moradia a famílias que vivem no Pinheiro. Segundo o órgão, a medida será publicada nesta sexta-feira (22) no Diário Oficial da União e os recursos serão liberados de acordo com a necessidade de execução da Prefeitura.

 

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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