Política
TSE mantém inelegibilidade de advogado condenado por lesão corporal contra mulher em Maceió
João Francisco de Assis Neto queria se candidatar a deputado federal por Alagoas
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta quinta-feira (29), que a condenação colegiada por lesão corporal contra a mulher é razão para inelegibilidade. Por unanimidade, os ministros confirmaram a rejeição do registro de candidatura ao advogado João Francisco de Assis Neto, que queria se candidatar a deputado federal por Alagoas.
O registro de candidatura já havia sido negado, por maioria, pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) em setembro, após representação do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Os ministros entenderam que o crime pelo qual o advogado foi condenado - lesão corporal praticada contra mulher por razão da condição de sexo feminino - se enquadra no mesmo eixo legal do feminicídio, podendo ser equiparado a um crime contra a vida.
Pela Lei da Ficha Limpa, fica inelegível por oito anos, a contar da sentença, quem for condenado por órgão colegiado por crime contra a vida e a dignidade sexual. Pelo entendimento unânime do TSE, a hipótese abarca as condenações por lesão corporal praticada contra a mulher em razão do gênero.
Segundo as informações do processo, João Neto foi condenado em duas instâncias pela Justiça de Alagoas em 2025. Ele foi considerado culpado de ter empurrado sua esposa em casa, quando ela estava descalça sobre piso escorregadio, fazendo-a cair e bater o queixo no chão. A queda gerou uma ferida aberta e necessidade de intervenção cirúrgica.
O caso ainda não transitou em julgado, mas os ministros do TSE ressaltaram que a Lei da Ficha Limpa prevê apenas a condenação por órgão colegiado, no caso a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, não sendo necessário o trânsito em julgado da condenação. Os recursos do advogado tramitam sem efeito suspensivo sobre a condenação.
O relator do caso no TSE, ministro Dias Toffoli, afirmou em seu voto que a Justiça Eleitoral não está inovando, mas apenas considerando o aspecto material da proteção dada pela lei à integridade física da mulher. “Não se trata de criar nova causa de inelegibilidade”, avaliou.
Ao final da votação, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, destacou o caráter inédito do julgamento e disse se tratar de “um momento histórico para o TSE”. Ele também sublinhou que a Justiça Eleitoral estaria apenas confirmando com a jurisprudência o que já está expresso na lei.
Além do próprio presidente, votaram com o relator os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, Ricardo de Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior e André Mendonça.
Leia também
4 votos a 3 TRE/AL barra candidatura de João Neto por violência contra mulher Veja vídeo Advogado João Neto celebra retomada da inscrição na OAB e prometeu novos projetos Denúncia do MP/AL Violência doméstica: advogado João Neto é condenado a 4 anos de reclusão e multa de R$ 40 mil Violência doméstica Influenciador João Neto deixa presídio em Maceió após 29 dias preso por agressão Tribunal de Ética Advogado João Neto tem registro suspenso pela OAB da Bahia após denúncia de agressãoMais lidas
-
1Novo sistema
Radares em rodovias estaduais de Alagoas começam a multar neste domingo (1º)
-
2Manhã de sexta
Homem é encontrado morto com marca de tiro em casa abandonada no Centro de Maceió
-
3Celebração
Tecnologia e educação ganham destaque no desfile dos 102 anos de Arapiraca
-
4Primeira reunião
Judiciário inicia preparativos para novo concurso dos cartórios
-
5Combate à violência
MP/AL assina termo de parceria ao Protocolo CIDA para acolhimento de advogadas vítimas de violência doméstica e familiar




